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30 de abril de 2008
Nesta edição:
Reforma trabalhista, Le Lis Blanc, IPO, Oi, Brasil Telecom, Ford, United Airlines, Continental, BM&F, Bovespa, Daslu, Bradesco, Santander, Sadia, Kraft, BNDES, contas externas, inflação
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Empresas podem ser obrigadas a dividir lucro com funcionários
Leis trabalhistas propostas por Mangabeira Unger recorrem a instituições para ´dividir o bolo`
A tão esperada reforma trabalhista pode obrigar as empresas a dividir os lucros com os funcionários. Essa é uma das medidas propostas pelo ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para não desagradar os empresários, a reforma incluiria também medidas que têm o apoio do setor produtivo, como a desoneração da folha de pagamento. Em entrevista ao Valor, o ministro disse que a distribuição dos lucros é necessária porque há anos o salário real cresce menos que a produtividade dos trabalhadores no Brasil. Para ele, não basta elevar o valor nominal dos salários, que acabam corroídos pela inflação e pelos juros altos. Seria preciso recorrer a medidas institucionais que ´ajudem a determinar a fatia do bolo`.
Apresentado nesta terça-feira (29/4), o conjunto de propostas também tem o objetivo principal de reduzir a informalidade no mercado de trabalho. A desoneração da folha de pagamento seria feita com o fim da contribuição patronal ao INSS. Mangabeira Unger também propõe fortalecer a representação sindical e criar leis de proteção para temporários e terceirizados.
 Governo só formará proposta final após debate com empresários e trabalhadores, diz o ministro
Mangabeira Unger afirmou que o documento divulgado nesta terça representa apenas o início de uma longa discussão e contém temas polêmicos que não tiveram apoio do Congresso em outros governos. O ministro da Previdência, Luiz Marinho, também classificou a reforma de ´embrionária`. O objetivo do governo é enviar ao Congresso um conjunto de propostas até o fim do ano.
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 Desvalorização alcança empresas com marcas sólidas entre consumidores de alta renda, como Iguatemi e JHFS.
Mais um IPO resulta em pesadas perdas para os investidores
Ações da Le Lis Blanc despencam 20% em estréia na Bovespa e mantém sina do mercado de luxo
Os problemas da grife de moda feminina Les Lis Blanc para ingressar no mercado de capitais não terminaram com o início da negociação de suas ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Depois de adiar por duas vezes a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) e de ver o preço pago pelos papéis na emissão ficar abaixo do previsto, as ações debutaram na bolsa com forte queda. Na terça-feira (29/4), primeiro dia de negociação, os papéis fecharam cotados a R$ 5,40 - um tombo de 20%. Segundo o Valor, o IPO foi um bom investimento apenas para os controladores da empresa, agrupados na Artesia Gestão de Recursos. Os atuais donos pagaram menos de R$ 100 milhões pela Le Lis Blanc em julho do ano passado, mas agora venderam ações da empresa por uma cotação que eleva seu valor de mercado a R$ 300 milhões.
A Les Lis Blanc é o mais recente exemplo do paradoxo que atinge as empresas focadas no mercado de luxo e listadas na bolsa. Embora as vendas de artigos de luxo cresçam acima da média brasileira há anos, as ações dessas companhias amargam fortes perdas na bolsa. Para os analistas, isso é um sinal de que a cautela dos investidores, nesse momento de crise, pesa mais do que as perspectivas do setor de luxo.
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Fusão Oi-BrT cria a 30ª maior empresa de telefonia do mundo
Após euforia inicial, ações da Oi despencam na Bovespa; lei só deve mudar no segundo semestre
Uma forte queda nos papéis da Oi e da Brasil Telecom foi a resposta do mercado à criação da maior companhia brasileira de telecomunicações. Na segunda-feira (29/4), primeiro dia útil após o anúncio da operação, as ações ordinárias da Oi desabaram quase 11%. Para os analistas, a desvalorização das companhias é um sinal de que os investidores minoritários não terão ganhos com a fusão - um negócio de R$ 5,8 bilhões.
A supertele será a 30ª maior operadora de telefonia do mundo em valor de mercado, avaliada em US$ 22,9 bilhões. Em cinco anos, a nova empresa espera mais do que dobrar sua clientela, alcançando 110 milhões de usuários no Brasil e no exterior. Mas a conclusão do negócio ainda vai demorar. Segundo o Valor, apenas no segundo semestre deverá ser assinado o decreto que muda a lei do setor e libera a fusão.
Onda de fusões agita o mercado americano de aviação comercial
Continental Airlines negocia parceria com a AMR; United Airlines se aproxima da US Airways
Após a fusão da Delta Air Lines e da Northwest, que criou a maior companhia aérea do mundo, uma onda de parcerias sacode o mercado americano. Em nota aos funcionários, a Continental Airlines afirmou que não tem planos de se fundir com outra companhia aérea. A notícia surpreendeu os analistas, que apostavam em uma união com a United Airlines. A Continental, porém, estaria negociando uma parceria com a AMR, controlada pela American Airlines, segundo o site CNN.com.
O site de notícias americano também informa que, preterida pela Continental, a United estaria próxima de um acordo com a US Airways. As parcerias seriam o modo de as aéreas ganharem escala e enfrentarem a escalada do petróleo, que já quebrou nove aéreas neste ano. O presidente da Opep, Chakib Khelil, afirma que o barril, hoje perto de US$ 120, pode atingir US$ 200.
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Ford investe para dobrar produção de motores avançados no Brasil
Com gargalos, empresa não consegue aproveitar o boom da indústria automobilística brasileira
A Ford vai investir R$ 600 milhões para produzir uma nova família de motores de última geração na fábrica de Taubaté, no interior paulista. O investimento vai resultar em uma ampliação de quase 100% da capacidade da planta, passando das atuais 280 mil unidades por ano para 500 mil. A nova geração, chamada de ´Sigma`, elevará a oferta de motores produzidos no país, ao lado da linha Zetec RoCam. Os motores equiparão os modelos da Ford no Brasil e no exterior.
A planta pode ajudar a reduzir os gargalos de produção da Ford no Brasil. As vendas da empresa cresceram apenas 1% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado – Fiat, Volkswagen e GM conseguiram expansão média de 30%. A Ford é uma das poucas montadoras que não estão conseguindo surfar no boom da indústria automobilística nacional porque a fábrica de Camaçari (BA), uma das mais modernas do mundo, já opera no limite da capacidade e não há espaço físico para elevar a produção. |
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BM&F e Bovespa disparam
As ações da BM&F e da Bovespa dispararam nesta semana, com a notícia de que o reajuste da CSLL não deve atingi-las. Em maio, a alíquota da contribuição subirá de 9% para 15% para o setor financeiro. A novidade levou a corretora Itaú a aumentar as projeções de alta das ações de ambas para este ano.
Sadia e Kraft juntas
A Sadia e a Kraft Foods criaram uma empresa para atuar no mercado brasileiro de queijos. Com R$ 30 milhões de investimento inicial, a joint-venture vai fabricar produtos com as marcas Sadia e Philadelphia, da Kraft Foods. Até o acordo, a distribuição dos queijos da Kraft estava a cargo da Batavo, controlada pela Perdigão.
Bradesco bate recorde
O Bradesco fechou o primeiro trimestre com lucro de R$ 2,1 bilhões - o maior de um banco privado brasileiro em 20 anos, segundo a Economática. O Santander também animou o mercado, ao elevar o lucro trimestral em 22%, para 2,21 bilhões de euros. A compra do ABN Amro e a habilidade de driblar a crise do subprime puxaram os resultados. Advogado se afasta do BNDES
O advogado Ricardo Tosto pediu ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afastamento temporário do conselho de administração do banco. Tosto é acusado de tráfico de influência e de se beneficiar de desvio de recursos públicos. O advogado, que chegou a ser preso pela Polícia Federal, diz que vai colaborar com a investigação.
O vilão é o feijão
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a inflação está ´perfeitamente controlada`. Segundo a Agência Estado, Mantega atribuiu o aumento do indicador à alta do ´feijãozinho que todo mundo come`. Não fosse esse item, diz, a previsão do IPCA de 2008 ficaria em 4,4%, e não em 4,79%, como o mercado espera.
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Daslu na mira da Justiça
O Ministério Público Federal pediu a condenação da dona da Daslu, a empresária Eliana Tranchesi, e de mais seis pessoas pelo suposto esquema de importação fraudulenta de produtos para a butique de luxo. Os envolvidos teriam sonegado cerca de R$ 1 bilhão. Segundo os procuradores, as fraudes foram praticadas em, pelo menos, nove ocasiões. Ameaça externa
O Brasil encerrou o primeiro trimestre com um déficit em conta corrente de US$ 10,8 bilhões - o maior já apurado pelo Banco Central, e perto dos US$ 12 bilhões previstos para 2008. O BC atribuiu a piora ao aumento da remessa de lucros ao exterior e ao salto das importações. Com o déficit, o mercado já espera uma alta do dólar.
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