9 de maio de 2008
Nesta edição: Bovespa, grau de investimento, IPOs, inflação, Mantega, CSN, Petrobras, Tupi, Azul, iPhone, Alstom, Metrô, CCR, leilão de rodovias, Pão de Açúcar, Microsoft, Yahoo!, Melhoramentos, Itaú, gurus
Para corretoras, Ibovespa pode chegar a até 86 mil pontos no ano
Analistas acreditam que papéis de bancos e varejo podem subir mais que o setor de commodities
A promoção antecipada do Brasil ao grau de investimento levou as corretoras a refazerem suas projeções para a Bovespa. Antes da nova nota, na média, os analistas esperavam que o Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, chegasse a 75.000 pontos. Diante das turbulências mundiais, o Deutsch Bank chegou, em meados de abril, a baixar sua estimativa para 70.000 pontos - uma alta de 11% sobre o fechamento da época. Agora, o Credti Suisse já projeta até 86.000 pontos para a bolsa paulista neste ano - um ganho potencial de 35%.

Ao contrário dos meses anteriores, a forte alta da bolsa deve beneficiar menos a Vale e a Petrobras do que papéis de bancos, fabricantes de bens de consumo e varejistas. A reclassificação brasileira deve destravar as ofertas públicas iniciais de ação (IPOs, na sigla em inglês), com o retorno dos investidores estrangeiros à bolsa. A abertura do mercado mundial ao país foi sinalizada, também, pela primeira emissão de títulos brasileiros em um ano - US$ 500 milhões a uma taxa de 5,299% ao ano. Trata-se da menor taxa já paga pelo Brasil. O único temor vem dos exportadores, que temem uma desvalorização do dólar ainda maior com a decisão da Standard & Poor´s.
Empresas como a Gafisa e a Positivo Informática já sentem os efeitos do novo status do Brasil

Corretora Ibovespa Corretora Ibovespa
Ágora 82.000 Elite 80.000
Alpes 85.000 Fator 75.000
Ativa 81.200 Itaú 80.000
Banco Real 81.071 Link 78.000
Banif 82.000 Máxima 80.000
Credit Suisse 86.000 Planner 82.000
O Brasil já aprendeu que não dá para tolerar a inflação, diz o redator-chefe de EXAME, André Lahóz
Mantega sugere usar a margem
de erro da meta de inflação
Declarações causam alta dos juros futuros e do dólar; ministro recua e nega ser tolerante à inflação
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sacudiu o mercado nesta semana, após ter uma entrevista publicada pelo jornal Valor Econômico. No texto, Mantega afirma que o Brasil enfrenta um choque ´relevante` de preços, cuja origem é a alta dos alimentos e o recorde do petróleo. Segundo o ministro, a margem de tolerência do sistema de metas serve, justamente, para absorver esses choques. O centro de inflação, para 2008, é 4,5%, com margem de 2 pontos para cima ou para baixo. Para Mantega, nesse cenário, o governo deveria considerar uma inflação de até 6,5%. As declarações tiveram forte repercussão no mercado, e elevaram os juros futuros e o dólar.

Em nota, Mantega negou que tenha sugerido maior tolerância com a inflação, e afirmou que o governo está comprometido com o controle dos preços. As pressões inflacionárias preocupam cada vez mais autoridades e investidores. Apurado pela Fundação Getúlio Vargas, o IGP-DI, por exemplo, ficou em 1,12% em abril, acima da estimativa de 0,55%. Em março, foi de 0,70%. O último relatório Focus do Banco Central mostra que o mercado já espera uma inflação de 4,86% neste ano. Na semana passada, a previsão era de 4,79%. Para 2009, a projeção, 4,49%, já encostou no centro da meta.
 
CSN quer virar a segunda maior siderúrgica do mundo em valor
Objetivo é elevar o preço de mercado da empresa em US$ 10 bilhões em apenas dois meses

Benjamin Steinbruch, dono e presidente da CSN, quer elevá-la da quinta para a segunda posição no ranking mundial das siderúrgicas com maior valor de mercado em apenas dois meses. Isso significa valorizá-la em US$ 10 bilhões, a partir dos US$ 45,5 bilhões que valia no começo da semana, segundo o Valor. Para ele, a meta é factível, pois as ações da CSN ainda estariam subvalorizadas. Além disso, a siderúrgica deve se beneficiar de vários fatores no curto prazo, como o reajuste do aço.

A CSN também planeja investir US$ 2,2 bilhões no Porto de Sepetiba até 2013 para construir um terminal de exportação. Ao anunciar o balanço do primeiro trimestre, Steinbruch informou ainda que pretende zerar as dívidas com a venda da Namisa, mineradora controlada pela CSN. Já a Usiminas importará até 70.000 toneladas de aço neste ano para atender a forte demanda interna.
 
Nova companhia brasileira vai
se chamar Azul Linhas Aéreas
Mais de 100.000 internautas participaram da votação; marca escolhida não foi a mais votada

A nova companhia aérea brasileira, cujos vôos devem começar em janeiro de 2009, vai se chamar Azul. Criada pelo empresário David Neeleman, a marca foi escolhida em uma votação pela internet, da qual participaram 110.000 pessoas. A votação virtual foi uma das estratégias para envolver os potenciais clientes desde o início. O primeiro internauta a sugerir o nome será premiado com um passe vitalício para viajar.

Azul, porém, não foi o nome mais citado pelos internautas. Pela votação, a empresa se chamaria Brasil. A sugestão, porém, não foi adotada, porque todas as variações de Brasil, como AirBrasil, estão registradas por outras companhias. Enquanto isso, a Gol, uma seguidora do modelo de baixo custo criado por Neeleman, sofreu um revés na compra da Varig. O STJ determinou à Gol que assuma as dívidas trabalhistas da antiga Varig.
Petrobras vai contratar 14.000 para explorar áreas recém-descobertas
Para sócia da Petrobras em Tupi, produção comercial do campo é viável com as atuais tecnologias
Os novos campos de petróleo descobertos na costa brasileira, como Tupi e Carioca, levarão a Petrobras a contratar 14.000 funcionários nos próximos três anos, como engenheiros e geólogos. Segundo a agência Bloomberg, isso equivale a um aumento de 23% sobre os atuais 74.000 empregados. A Petrobras comprou duas sondas que serão usadas em testes no campo de Tupi. A produção piloto do campo deve começar em dois anos.

O otimismo com Tupi é compartilhado pela portuguesa Galp, sócia Petrobras em campos da Bacia de Santos. Para a Galp, a exploração comercial de Tupi é viável, mesmo com a tecnologia atual. A afirmação é do presidente da companhia, Manuel Ferreira de Oliveira. Alguns analistas, porém, dizem que a produção só será viável se o preço do petróleo continuar nas nuvens. Isto porque o óleo de Tupi está em águas profundas, abaixo de uma camada de sal. ´Não tenho dúvidas de que seremos capazes de produzir recursos a custos viáveis`, afirmou Oliveira ao português Jornal de Negócios.
 
iPhone será vendido no Brasil pela controladora da Claro
A América Móvil deve iniciar as vendas neste ano, mas não se sabe se terá exclusividade

O iPhone, o smartphone da Apple que virou febre entre os consumidores, finalmente será lançado no Brasil. A mexicana América Móvil fechou um acordo para vender o produto nos 16 países latino-americanos em que opera. No Brasil, ela controla a Embratel e a Claro. Segundo a Folha de S.Paulo, o país receberá o celular até o final deste ano. Ainda não se sabe que modelos chegarão, nem os preços.

O acordo é uma vitória dos mexicanos sobre a rival espanhola Telefónica, que também deseja trazer o iPhone para o Brasil. Mas os espanhóis ainda estariam no páreo, porque o acordo da Apple com a América Móvil concede exclusividade de vendas somente no México. Embora não seja vendido oficialmente, estima-se que haja 300.000 aparelhos no país, trazidos por turistas do exterior. Desbloqueados, passam a operar com chips de empresas locais.
 
Privatização de rodovias baixará pedágio pela primeira vez
Fundação Dom Cabral estima queda de até 20% nas tarifas das estradas paulistas que serão leiloadas

O leilão das rodovias Dom Pedro, Ayrton Senna/Carvalho Pinto, Raposo Tavares, Marechal Rondon Oeste e Marechal Rondon Leste deve gerar um fato inédito: a queda das tarifas de pedágio. A Fundação Dom Cabral estima uma redução de 10% a 20% nas tarifas dos cinco lotes de estradas que serão licitados nos próximos meses em relação aos preços atuais. Se a previsão for confirmada, será a primeira vez, em São Paulo, que a transferência de rodovias a operadores privados trará, como benefício aos usuários, tarifas menores.

A maior concorrência para arrematar os lotes e os custos menores para captar recursos - sobretudo após o país ser promovido a grau de investimento - permitirão às concessionárias ofertar tarifas mais baixas. Já a CCR será prejudicada se perder a briga pelas rodovias Ayrton Senna/Carvalho Pinto, paralelas à Dutra - via operada pela empresa.
Alstom é suspeita de pagar proprinas por contratos do Metrô
Polícia suíça desconfia de contratos das linhas 4 e 5 do metrô paulista, assinados entre 2000 e 2003
Investigadores da Suíça e do Brasil apuram um susposto esquema de pagamento de propinas envolvendo as obras do Metrô de São Paulo. Para fechar contratos para fornecer equipamentos, a gigante francesa Alstom teria pago quase US$ 7 milhões a intermediários. A notícia foi publicada pelo americano The Wall Street Journal nesta terça-feira (6/5). Em nota, a Alstom negou as acusações e afirmou que ´nenhuma investigação judiciária envolve a empresa por corrupção`.

Dois contratos são investigados. O primeiro é para equipar a linha 5 (Lilás), que liga os bairros paulistanos de Santo Amaro a Capão Redondo. Assinado em 2000, durante a gestão de Mario Covas, o valor era de US$ 280 milhões. O outro, de R$ 1,8 bilhão, foi fechado em 2003, durante a gestão de Geraldo Alckmin. O negócio envolve a linha 4 (Amarela). O atual governador paulista, José Serra, disse que o Metrô vai cooperar com a investigação. Já Alckmin declarou não ver ´nenhum problema` em apurar as suspeitas.
 


Palavra do oráculo
Como outras moedas que estão se apreciando, o real pode, no longo prazo, valer mais que o dólar. A opinião é do megainvestidor americano Warren Buffett, apontado como o homem mais rico do mundo pela Forbes. Segundo a Folha de S. Paulo, Buffett avalia que, em dez anos, o real poderá superar o dólar.
Microsoft desiste do Yahoo!
A Microsoft retirou sua oferta para comprar o Yahoo! por discordar do preço pedido pela rival - US$ 37 por ação. Lançada em fevereiro, a proposta da Microsoft era de US$ 31, totalizando US$ 44 bilhões. Nesta semana, o valor foi elevado a US$ 33. Com o fim das negociações, os papéis do Yahoo! despencaram em Nova York.
Melhoramentos à venda
A tradicional fabricante de papel Melhoramentos está prestes a mudar de dono, segundo apurou EXAME. As famílias controladoras - Weiszflog, Plöger e Velloso - decidiram pô-la à venda, após sucessivos prejuízos, e o processo está bem adiantado. Avalia-se que o negócio seja fechado por cerca de US$ 400 milhões.
Os mais ouvidos em Wall Street
O consultor americano Gary Hamel é o pensador mais respeitado atualmente pelos homens de negócios. Hamel encabeça a lista dos 20 maiores gurus do mundo, elaborada pelo jornal Wall Street Journal. A lista mostra que os executivos estão diversificando suas fontes de informação, e passaram a valorizar de jornalistas a psicólogos.
Mais atraente
Em 2007, o Brasil liderou o ranking de atração de investimentos na América Latina. O país captou US$ 36 bilhões dos US$ 106 bilhões aplicados em toda a região. O México ficou em segundo, com US$ 23 bilhões. Segundo a Folha de S.Paulo, é a primeira vez que os investimentos na região superam US$ 100 bilhões. O ranking foi elaborado pela Cepal.
Reestruturação termina
O Pão de Açúcar concluiu a reestruturação iniciada há três meses com a nomeação de Claudio Galeazzi para a presidência. Foram cortados 310 postos - sendo 20 diretores. No trimestre, o grupo lucrou
R$ 53,4 milhões, 43% mais que em 2007, mas abaixo das expectativas do mercado. Segundo a empresa, o que pesou foram os custos da reestruturação.
Cresce o lucro do Itaú
O Itaú fechou o primeiro trimestre com lucro de R$ 2,043 bilhões, 7,4% maior que o de igual período de 2007. Embora bilionário, o resultado ficou aquém dos R$ 2,102 bilhões do Bradesco - recorde entre os bancos privados, segundo a consultoria Economática. O Unibanco lucrou R$ 741 milhões de janeiro a março, cifra 27,5% maior.
 
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