4/7/2008
Nesta edição: Inflação, Bovespa, investimentos, agronegócios, SLC, Vale, Paranapanema, Embraer, General Motors, Starbucks, Tupi, Petrobras, Azul, Banco do Brasil, Microsoft, Telefônica, GE, Assai, Pão de Açúcar
Inflação supera todas as aplicações financeiras no primeiro semestre
Empresas também já sentem os efeitos da alta de preços e reduzem nível de produção e estoques
Os investidores encerraram o primeiro semestre no vermelho. O motivo não foi apenas a forte volatilidade do mercado financeiro mundial. As aplicações também sofreram com um vilão bem conhecido dos brasileiros: a inflação. Quando se considera o IGP-M acumulado até junho, de 6,82%, nenhuma aplicação ganhou da alta de preços.

Como ganhar com a inflação
Onde aplicar em tempos de alta de preços
Renda fixa
CDBs prefixados por, pelo menos, 18 meses
Renda fixa ou fundo DI com baixa taxa de administração
Ações
Invista somente se puder permanecer, no mínimo, por dois anos com as ações
Dólar
Nada indica forte valorização no curto prazo; prefira a renda fixa
Poupança
Só para quem aplicar menos de 1.000 reais, ou precisa de dinheiro no curto prazo
Inflação
Títulos públicos corrigidos pelo IPCA, disponíveis no Tesouro Direto
Fundos de inflação
Não são boa opção, por haver poucos papéis atrelados ao IGP-M
Fonte: Blog do Investidor
José Roberto Mendonça de Barros explica por que a inflação vai subir além do teto da meta do BC

Os fundos de renda fixa atrelados ao CDI, uma das opções mais conservadoras, acumularam perda real de 1,33% no período. Para os fundos referenciados no Ibovespa, o prejuízo foi de 4,73%. No caso mais extremo, o dos fundos cambiais, o prejuízo chegou a quase 16%.

As empresas também começam a sentir os efeitos da inflação. Diversos indicadores mostram que a indústria já trabalha com estoques mais baixos e reduziu a produção. Para os economistas, somente uma freada no consumo, que vem crescendo fortemente, poderá conter a inflação neste momento. Mas também é possível lucrar com a alta dos preços. Investir em títulos públicos corrigidos por índices de inflação ou CDBs prefixados são algumas opções.
Petrobras trará bons ganhos na bolsa, mas siderúrgicas devem cair, diz Fausto Gouveia, da Alpes Corretora
Ações do setor agrícola são as mais rentáveis da bolsa no ano
Papéis sobem até 84% até junho, mas maior aversão ao risco leva investidor a migrar para CDBs
Se, por um lado, a inflação dos alimentos pressiona a economia e preocupa os consumidores, por outro, pode ser uma boa fonte de lucros na bolsa de valores. As ações do setor agrícola foram as que mais se valorizaram no primeiro semestre na Bovespa. Os papéis da SLC, por exemplo, que produz algodão, milho e café, saltaram 84% no período. O retorno foi tão positivo que, mesmo diante de um período de instabilidade no mercado acionário, a companhia se animou em lançar uma nova oferta de ações e, no dia 27 de junho, colocou mais 11,7 milhões de papéis no mercado.

O desempenho do agronegócio contrasta com a crescente deterioração do cenário da bolsa. Após uma semana de forte quedas, junho encerrou como o pior mês para a Bovespa nos últimos quatro anos. No mês passado, o Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, acumulou um prejuízo de 10,43% - só inferior à queda de 11,44% de abril de 2004. No início de julho, o cenário não foi diferente. O pregão continua registrando pesadas perdas, o que leva os analistas a tentar prever quanto mais a bolsa cairá. As opiniões convergem para os 58.000 pontos, segundo o Valor. Para os especialistas, este seria o piso do atual ajuste. O jornal também afirma que a instabilidade já leva os investidores a se proteger em opções mais seguras. A captação líquida dos CDBs, por exemplo, já bateu em R$ 120 bilhões.

Captação líquida acumulada em 2008* 
Produto R$ bi
CDB 120,093
Fundos de investimentos 18,789
Poupança 2,591
*Até 24/06/08  
Fonte: Banco Central, Anbid e Valor Data 
 
Vale anuncia a maior oferta de ações da história brasileira
Investidores residentes no país terão prioridade para comprar os papéis, garante mineradora

A Vale do Rio Doce anunciou os detalhes do que pode ser a maior oferta de ações da história do mercado brasileiro de capitais. A partir desta sexta-feira (4/7), a mineradora pretende emitir 421,3 milhões de papéis, entre ações ordinárias e preferenciais. Sem considerar o lote suplementar, o mercado estima que a operação possa render R$ 20,6 bilhões à Vale. Segundo o Globo.com, se confirmada, será a maior oferta já feita no país.

Para o mercado, ao captar os recursos, a Vale sanearia parte de suas dívidas e ficaria em condições de efetuar uma grande aquisição, como a Xstrata ou a Freeport, de cerca de US$ 50 bilhões. Por ora, porém, os planos são mais modestos. A empresa estuda a compra da Caraíba Metais e da Cibrafértil, duas controladas da Paranapanema. Os analistas, porém, vêem pouco sentido no negócio, por fugir ao core business da Vale.
 
General Motors pode ir à falência, afirma o banco Merrill Lynch
Venda de veículos cai nos Estados Unidos e contrasta com o recorde de negócios no Brasil

O banco americano de investimentos Merrill Lynch arfimou, em relatório, que a falência da GM, maior montadora dos Estados Unidos, “não é impossível”, caso as vendas continuem em queda - algo que afeta o mercado americano em geral. Vários analistas já trataram do delicado momento da GM, mas o alerta do Merrill Lynch é o mais contundente até agora. O banco estima que, para manter as operações, a montadora necessita obter mais de US$ 15 bilhões – também a estimativa mais alta entre as formuladas pelo mercado.

A difícil situação da GM e das demais montadoras que atuam nos Estados Unidos contrasta com o bom momento vivido pelas empresas no Brasil. Em junho, as vendas de veículos bateram mais um recorde. No primeiro semestre, ela cresceram 31% sobre igual período de 2007. O volume já supera tudo o que foi vendido em 2003.
Embraer é a melhor do mundo no segmento de jatos executivos
Avaliação é da Robb Report, publicação americana tida como a ´bíblia` global dos artigos de luxo
A Embraer comemorou nesta semana um feito estratégico para conquistar o mercado internacional de jatos executivos. A Robb Report, publicação americana que é considerada a bíblia dos produtos de luxo, apontou o Phenom 100, jato produzido pela brasileira, como a melhor aeronave da categoria executiva. Lançado em 2005, o preço de tabela do aparelho é de US$ 3 milhões. Terceira maior fabricante mundial de jatos comerciais, atrás apenas da Boeing e da Airbus, a Embraer tinha, como principal desafio para explorar este novo mercado, a construção de uma aura de glamour em torno de sua marca. A indicação da Robb Report, neste sentido, serve como uma importante chancela.

Alguns pontos do Phenom 100 cativaram a revista. O primeiro é seu amplo espaço interno, com bagageiro duas vezes maior que o do Eclipse 500, por exemplo. Outros fatores são a facilidade de operação, a boa autonomia de vôo e a velocidade de até 704 quilômetros por hora. O primeiro vôo do Phenom 100 ocorreu em junho do ano passado.
 
Tupi é viável, mesmo com petróleo barato, diz Petrobras
Megacampo poderia ser explorado, ainda que o preço do óleo caísse para um quarto do atual

A viabilidade econômica de explorar o megacampo de petróleo de Tupi não é um problema. A área poderia ser desenvolvida mesmo que o barril do petróleo caísse para US$ 35, cerca de 25% do atual patamar. A avaliação é do gerente-executivo de Exploração e Produção da Petrobras, José Miranda Formigli Filho. A afirmação é uma resposta aos analistas que ressaltam que o óleo de Tupi só seria viável com o preço do barril nas alturas, já que sua extração é difícil por estar no pré-sal.

À Bloomberg, o presidente da estatal, José Gabrielli, afirmou que foi descoberto um novo campo, próximo ao de Tupi. A Petrobras aguarda testes para avaliar se o pré-sal, na verdade, contém uma única grande jazida de óleo. O potencial da área levou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a propor a criação de uma nova estatal apenas para explorá-la.
 
Ex-diretor do Pão de Açúcar vai presidir a nova aérea Azul
Enquanto a nova empresa se estrutura, a rival Gol divulga projeções que desagradam o mercado

O empresário David Neeleman, fundador da companhia aérea JetBlue e que recentemente anunciou a criação da Azul Linhas Aéreas, já escolheu o presidente de sua empresa no Brasil. Será Pedro Janot, ex-diretor da área de não-alimentos do Pão de Açúcar. O anúncio oficial deverá ser feito nesta sexta-feira (4/7). Janot vai tocar uma empresa que chega para brigar contra o duopólio de TAM e Gol, e que começa a voar em janeiro de 2009 com três jatos da Embraer.

Já a Gol, que trouxe o modelo da JetBlue para o país, luta para poupar combustível. Uma medida, segundo o Valor, foi reduzir a velocidade dos vôos. Pressionada pelo petróleo, que bateu novo recorde, a Gol divulgou projeções para o segundo trimestre piores que as dos analistas. O prejuízo operacional, R$ 300 milhões, é dez vezes maior que o projetado pelo Goldman Sachs, diz a Bloomberg.
Starbucks vai fechar lojas e cortar pessoal nos Estados Unidos
Maior rede de cafeterias do mundo é atingida pela crise americana e se reestrutura
A Starbucks, maior rede de cafeterias do mundo, não conseguiu escapar dos efeitos da crise que sacode os Estados Unidos desde meados do ano passado. A companhia vai fechar 600 lojas no país, ou 8,5% dos 7.100 pontos que mantém por lá. O anúncio significa o fechamento de 100 lojas além das 500 previamente anunciadas. Segundo o site de notícias CNN.com, os analistas esperam que o fechamento das lojas custe à Starbucks US$ 200 milhões.

A Starbucks também deve demitir 12.000 funcionários, o correspondente a 7% de sua força de trabalho mundial. Os cortes atingirão tanto empregados de meio-período, quanto de período integral. Em fevereiro, a companhia já havia cortado 600 funcionários e implantado um programa de treinamento cujo objetivo era resgatar o modelo de gestão deixado por Schultz durante sua primeira gestão. Em abril, a empresa já havia alertado o mercado de que seu lucro, no primeiro trimestre, seria cerca de 6% inferior às expectativas dos investidores de Wall Street.
 


Banco do Brasil for all
O CMN aprovou o aumento do limite de participação dos estrangeiros no Banco do Brasil de 12,5% para 25% do capital. O banco é listado no Novo Mercado da Bovespa, que exige pelo menos 25% de ações em circulação - papéis que podem ser comprados por estrangeiros.
Choque no bolso
A Aneel aprovou um reajuste médio de 8,12% nas tarifas da distribuidora paulista Eletropaulo. Para os consumidores residenciais, a alta será de 8,63%. Já as indústrias receberão aumentos de até 8,06%. As novas tarifas entrarão em vigor nesta sexta-feira (4/7).
Pane da Telefônica
Nesta quinta-feira (3/7), uma pane da Telefônica derrubou o acesso à internet de milhares de empresas, usuários domésticos e órgãos públicos no Estado de São Paulo. Delegacias não conseguiam emitir boletins de ocorrência. A Telefônica afirmou tratar-se de ´um evento complexo e raro`, mas não explicou a falha.
A força do atacarejo
O Pão de Açúcar vai dobrar o número de lojas com a bandeira Assai neste ano, atingindo 29 unidades. Em novembro, quando seu fundador, Rodolfo Nagai, vendeu 60% do grupo para Abílio Diniz por R$ 208 milhões, o Assai contava com 14 lojas. Desde então, outras três foram inauguradas.
Parmalat e Dufry despencam
O escândalo da Agrenco afetou outras estrangeiras com BDRs (recibos de ações) na Bovespa, segundo o Valor. Desde o episódio, os papéis da Dufry, maior gestora de lojas duty-free do país, já caíram quase 23%. Os da Laep (antiga Parmalat do Brasil) despencaram 54%.
Microsoft prepara nova oferta
Nos últimos dias, a Microsoft procurou empresas de mídia para, juntas, apresentarem uma nova proposta de compra do Yahoo! Segundo o Wall Street Journal, foram consultadas, entre outras, a Time Warner e a News Corp. Em junho, o Yahoo! fechou uma parceria de publicidade com o Google.
GE á acusada de sonegação
O Tax Notes International, principal jornal de assuntos tributários internacionais, afirma que a GE do Brasil sonegou quase US$ 100 milhões em ICMS e encargos trabalhistas. Ao Estado de S.Paulo, um porta-voz da GE afirmou que a reportagem do Tax Notes é ´inexata` e que ela ´distorce as questões`.
 
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