1 - Gostaria de saber se devo optar ou não por um plano PGBL para dedução no IR. Tenho 25 anos e não tenho quase nenhuma dedução para fazer. É possível prever se é mais vantajoso optar por PGBL e fazer a declaração de IR completa ou não investir nesse plano e continuar com o IR simplificado? (Márcio - São Paulo / SP)2 - Investir em ações é uma boa alternativa visando a aposentadoria? ( Edson Costa - Belo Horizonte / MG)3 - Tenho um dinheiro para investir por dois anos. Diante do atual cenário financeiro, investir em uma previdencia privada, tipo VGBL, é uma boa alternativa? (Camila Santos - Belo Horizonte/MG)
4 - Investir num fundo de ações da Vale, com aplicações mensais de R$ 200,00, é um bom investimento de longo prazo para quem tem a meta de poupar R$ 2 milhões? Conseguirei atingir esse objetivo após quanto tempo? 5 - Qual a melhor forma de aplicar as reservas financeiras para poder ter uma aposentadoria tranquila? Tenho 34 anos. (Marco Trinchão - Salvador / BA)6 - Tenho um plano de previdência privada e gostaria de saber o seguinte: supondo que o período de acumulação acabasse agora e tivesse acumulado R$100.000,00. No mês seguinte eu começaria a receber a renda mensal vitalícia. De quanto, aproximadamente, seria essa renda? (Osmair dos Santos - Curitiba / PR)7 - Sou autônomo e quero poupar para minha aposentadoria, daqui 30 anos, com pequenos valores regulares. Seria melhor investir em alguns fundos de ações ou colocar num fundo VGBL? Qual é a posição referente ao pagamento de IR comparando as duas alternativas? (John Winder - Campinas / SP)
8 - Tenho 35 anos e sou funcionário público. Considerando que os fundos de previdência normalmente têm taxas de adminstração mais elevadas do que as dos fundos de investimento equivalentes,além de taxa de carregamento, pergunto: compensa fazer um PGBL quem nunca teve dificuldade em poupar mais de 30% do salário, apenas por causa do desconto no IR (considerando que só irei sacá-lo daqui a 25 anos)? Ou é melhor investir em fundos de investimentos? (João Baptista da Silva - São Paulo / SP)9 - Não será a hora de resgatar as aplicações em ações, antes que o prejuízo seja ainda pior? (Cleiton - São Paulo / SP)10 - Tenho aposentadoria proporcional e precisei voltar ao mercado de trabalho, pois o que recebo não dá para suprir minhas necessidades. Ao longo dos anos, comprei quatro apartamentos, tenho aplicações em VGBL, renda fixa e ações da Petrobras, Vale do Rio Doce, Itaúsa, 4 aptos, tenho um dinheirinho no VGBL, outro em renda fixa, e há um mes comprei ações da PETR4,VALE5, Gerdau e Randon. Estou no caminho certo para ter uma aposentadoria mais confortável? Tenho 59 anos. (F.B. - Vitória / ES)11 - Estou próximo de atingir meu primeiro milhão em recursos financeiros e
imóveis, sempre aplicando de uma forma conservadora em fundos de renda
fixa e fundos DI. Só há pouco mais de um ano passei a aplicar em fundos de
ações, de forma que a distribuição no momento é:
Fundo de ações: 5,52%
Imóveis: 24,38%
Renda fixa: 38,12%
Fundos DI: 21,98%
Tenho também previdência privada, cujos saldos de reserva estão embutidos nesta carteira. Tenho 46 anos e minha esposa, 45. Poupamos para nos aposentar aos 60 anos. Hoje nos
consideramos de perfil conservador moderado e gostaríamos de saber se esta carteira é adequada ou se devemos fazer alguma modificação. Temos dois filhos, um com 11 anos e outro com 13 anos.12 - Fiz um VGBL há menos de um ano, com taxa de carregamento de 5%. Se eu estivesse aplicando a mesma quantia (R$500,00) por mês em fundo de renda fixa, com taxa de administração de 1%, teria sido melhor? Se eu sacar este dinheiro agora o que acontece? (Alessandro Lima - Fortaleza / CE)13 - Tenho 37 anos, sou sozinha, e não tenho muitas perspectivas para minha aposentadoria, até porque nunca havia pensado nisto. O que vocês recomendariam fazer para conseguir comprar um imóvel e ter uma aposentadoria tranquila? (Mariluci Seabra - Cotia / SP)14 - Gostaria de saber se comprar ações para aposentadoria é uma boa? (Marcos Cardoso Fernandes - Santo André / SP)
15 - Com a agitação dos últimos dias no mercado acionário torna-se arriscado investir em planos VGBL com renda variavel para um prazo de cinco a seis meses? (Paulo Cesar Famin Freitas - Cruzeiro / SP)16 - Com a intenção de longo prazo, ao investir em ações devo me preocupar com o momento (dia / hora) de investir ou posso fazer depósitos periódicos sem me preocupar com o day trade? ( Wellinton - Niterói / RJ)17 - As ações de empresas áreas não seriam uma boa opção de longo prazo? Qual a expectativa para fundos e empresas de setor de energia? (Ricardo A. do Valle - Curitiba / PR)1 - Gostaria de saber se devo optar ou não por um plano PGBL para dedução no IR. Tenho 25 anos e não tenho quase nenhuma dedução para fazer. É possível prever se é mais vantajoso optar por PGBL e fazer a declaração de IR completa ou não investir nesse plano e continuar com o IR simplificado? (Márcio - São Paulo / SP)Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos: antes de mais nada, parabéns por estar pensando no seu futuro. Não deveria ser assim, mas a grande maioria dos jovens não tem essa visão de longo prazo. Por ser um produto de previdência, um dos atrativos do PGBL é o fato de contribuinte poder abater até 12% na sua declaração de Imposto de Renda. Se hoje você utiliza o formato simplificado, sugiro que você pense no futuro investindo nesse tipo de produto e faça seu Imposto de Renda pelo formato completo, pois será mais vantajoso.
2 - Investir em ações é uma boa alternativa visando a aposentadoria? ( Edson Costa - Belo Horizonte / MG)Carlos Eduardo de Mello Paiva Ferreira, consultor de Investimentos do Santander: sim. Históricamente, o rendimento médio de um índice de ações tem apresentado resultados significativamente superiores à renda fixa no longo prazo, independentemente de possíveis oscilações negativas em horizontes de tempo mais curtos. Por isso a aplicação em ações é largamente recomendada para prazos mais longos, no qual se encaixa perfeitamente o capital a ser utilizado na aposentadoria. Naturalmente, no período da aposentadoria, é interessante que gradativamente ocorra a migração dos recursos alocados em ações para a renda fixa.
3 - Tenho um dinheiro para investir por dois anos. Diante do atual cenário financeiro, investir em uma previdencia privada, tipo VGBL, é uma boa alternativa? (Camila Santos - Belo Horizonte/MG)
Carlos Eduardo de Mello Paiva Ferreira, consultor de Investimentos do Santander: não. O investimento em previdência privada não é recomendado para períodos curtos, como o citado. Esta alternativa é adequada para horizontes de tempo mais longos, onde haverá um benefício fiscal em relação a outros produtos. Por ser um investimento de longo prazo, independentemente de cenário financeiro, e deve estar alinhado ao perfil de tolerância a risco do cliente.
4 - Investir num fundo de ações da Vale, com aplicações mensais de R$ 200,00, é um bom investimento de longo prazo para quem tem a meta de poupar R$ 2 milhões? Conseguirei atingir esse objetivo após quanto tempo? Aquiles Mosca, estrategista de Investimentos Pessoais do ABN Amro Asset Management: por definição o investimento em ações deve ser feito com uma perspectiva de retorno de longo prazo, idealmente superior a 12 meses. Quanto maior o horizonte de investimentos, maior é o diferencial de retornos da bolsa frente a aplicações conservadoras com fundos DI. Além disso, a disciplina na aplicação, com aportes periódicos é um elemento essencial do processo de formação de patrimônio e, paralelamente, a carteira de investimentos que recebe aportes freqüentes tem maior capacidade de fazer frente às flutuações inerentes ao mercado acionário. Dito isso, vale também lembrar que um dos maiores benefícios existentes no mercado financeiro é oriundo da diversificação das aplicações, isto é, a distribuição de recursos em diferentes ativos, idealmente com baixa correlação, com o objetivo de reduzir o risco total da carteira de investimentos. Assim, ainda que a empresa mencionada na questão tenha fundamentos setoriais e microeconômicos bastante positivos atualmente, o investidor não deve fazer todas as suas posições em um único papel. Agir dessa maneira implicaria em colocar todos os ovos em uma única cesta. Caso um fator de risco desfavorável ao papel se materialize, como uma desaceleração das economias asiáticas, principalmente da China, ou uma recessão nos EUA, o patrimônio investido sofreria muito mais do que se comparado aquele investido em uma carteira bem diversificada de aplicações, como por exemplo uma que compreenda além de ações também parte do patrimônio em fundos multimercados, fundos DI e de renda fixa. Uma carteira com tal perfil também é mais adequada para fazer frente a eventuais necessidades de saque e emergências financeiras que o investidor possa vir a ter. Nesses cenários, ter que vender somente ações a qualquer custo para obter liquidez pode implicar em vendas em momentos da baixa. Recomenda-se sempre manter um colchão de reserva em ativos mais líquidos e de retornos previsíveis para fazer frente a tais eventualidades.
5 - Qual a melhor forma de aplicar as reservas financeiras para poder ter uma aposentadoria tranquila? Tenho 34 anos. (Marco Trinchão - Salvador / BA)Marcelo Teixeira, diretor-superintendente da HSBC Seguros: a sua pergunta reflete uma preocupação muito comum de quem está se
planejando para o longo prazo, quando se tenta enxergar o que há no
horizonte longínquo. Parece um contra senso, mas o melhor é aumentar a
sua exposição a risco e a sua segurança ao mesmo tempo. Como você tem muito tempo pela frente, pode procurar por investimentos mais agressivos, com uma parcela considerável de renda variável, por exemplo. Por outro lado, para que você não tenha uma exposição a riscos setoriais, pode dividir sua reserva em dois ou três diferentes fornecedores ou diferentes operações, de forma a não colocar todos os ovos em uma só cesta, que pode cair. Assim pode, por exemplo, procurar dois planos de previdência que ofereçam fundos diferentes. Pode ser um fundo que tenha mais exposição a risco e outro mais conservador, ou um fundo que invista em um setor específico da economia e outro menos específico. Lembro que, na previdência privada, você encontra uma ampla faixa de fundos de investimentos, quase tão ampla quanto os fundos de investimento tradicionais. As opções por investimentos em imóveis dão a sensação de garantia maior pela existência do bem físico. Mas faça os cálculos na ponta do lápis avaliando o quanto se obtém nos aluguéis, considerando os períodos de vacância - em que você tem de pagar os condomínios - os impostos e as regulares necessidades de reforma versus o que renderia o valor do imóvel se aplicado em um plano de previdência, mesmo em um fundo conservador. Mas o mais importante é não deixar de começar o quanto antes. Ponha o tempo para trabalhar para você. Quanto antes você começar, mais a rentabilidade vai te ajudar.
6 - Tenho um plano de previdência privada e gostaria de saber o seguinte: supondo que o período de acumulação acabasse agora e tivesse acumulado R$100.000,00. No mês seguinte eu começaria a receber a renda mensal vitalícia. De quanto, aproximadamente, seria essa renda? (Osmair dos Santos - Curitiba / PR)Leonardo Zavatini, gerente geral de Previdência do Santander:
utilizamos as premissas abaixo para uma simulação, que leva a um valor estimado. É importante salientar que trata-se de mera simulação, sendo que o você deverá procurar sua entidade de Previdência para a simulação do valor correto. Utilizamos:
Valor de saldo R$ 100.000
Idade na aposentadoria: 60 anos (data com maior conversão de renda)
Tipo de renda: mensal vitalícia sem continuidade aos beneficiários
Valor da renda estimada: R$ 373,00
Produto utilizado: PREV - 13 RENDAS (13 pagamentos por ano a partir da aposentadoria - renda em dobro todo mês de dezembro)
7 - Sou autônomo e quero poupar para minha aposentadoria, daqui 30 anos, com pequenos valores regulares. Seria melhor investir em alguns fundos de ações ou colocar num fundo VGBL? Qual é a posição referente ao pagamento de IR comparando as duas alternativas? (John Winder - Campinas / SP)
Carlos Eduardo de Mello Paiva Ferreira, consultor de Investimentos do Santander: não existe uma resposta definitiva. É necessário fazer uma diferenciação entre as alternativas mencionadas. Alguns VGBLs têm a opção do benefício de uma renda vitalícia, na qual não será necessária a administração do capital no período de aposentadoria, porém o investimento em ações é limitado a 49% dos ativos do fundo. A tributação chegaria a uma alíquota próxima a 10% nas condições citadas (aposentadoria para daqui a 30 anos). No caso do fundo de ações, a aplicação estará com alocação de no mínimo 70% em renda variável, dessa forma é necessário saber se seu perfil de risco está adequado a esta exposição. Além disso será necessária a administração do capital no período da aposentadoria. Com relação à tributação, a alíquota será de 15% sobre os rendimentos acumulados, podendo ser 0%, no caso de a retirada mensal após a aposentadoria ser inferior a R$ 20.000,00, e oriunda da venda de ações (não se aplica a fundos de ações).
Enfim, a decisão depende um pouco de seu interesse em relação aos seguros ou renda vitalícia que podem fazer parte de um produto de previdência; e de seu apetite por alocação em ações. Nesse caso, a opção de investir diretamente em uma carteira de ações conta com a isenção fiscal para vendas até R$ 20.000 mensais, sujeita à mudança de legislação ao longo desse 30 anos.
8 - Tenho 35 anos e sou funcionário público. Considerando que os fundos de previdência normalmente têm taxas de adminstração mais elevadas do que as dos fundos de investimento equivalentes,além de taxa de carregamento, pergunto: compensa fazer um PGBL quem nunca teve dificuldade em poupar mais de 30% do salário, apenas por causa do desconto no IR (considerando que só irei sacá-lo daqui a 25 anos)? Ou é melhor investir em fundos de investimentos? (João Baptista da Silva - São Paulo / SP)Marlene Rainer, superintendente de Previdência do Santander: as taxas de administração, tanto dos produtos de Previdência, quanto de produtos financeiros, são variáveis de banco para banco, portanto a pegunta traz um ponto de subjetividade muito grande. Quanto ao percentual de alocação, o PGBL é indicado para quem faz a declaração pelo formulário completo de Imposto de Renda, sendo que a aplicação não deve ultrapassar 12% da renda bruta anual (percentual máximo para abatimento no IR). A vantagem deste produto é o benefício fiscal trazido com este abatimento. Caso o cliente tenha recursos superiores a 12% de sua renda bruta anual, o direcionamento deve ser a aplicação desta diferença no produto VGBL. Os produtos Previdência possuem vantagens fiscais para o investimento de médio e longo prazo, como a isenção do "come-cotas" semestral, comum em fundos de investimento, e a tributação decrescente em função do tempo de permanência das contribuições.
9 - Não será a hora de resgatar as aplicações em ações, antes que o prejuízo seja ainda pior? (Cleiton - São Paulo / SP)Marcelo Teixeira, diretor-superintendente da HSBC Seguros: sua pergunta é muito pertinente e a maior parte dos investidores a está
fazendo agora. E a resposta é simples, pois tudo depende do tempo que
você tem pela frente. Tirar o dinheiro no momento de baixa significa
realizar o prejuízo, ou seja, reconhecer a perda. O tempo que você tem para esperar que o mercado reaja e se recupere é que vai dizer se você deve ou não tirar o dinheiro. Independentemente de quando você entrou - se na alta com a Bolsa a 58 mil pontos ou se na baixa - e tem mais de três ou quatro anos deixar este dinheiro, fique tranqüilo. O tempo vai recuperar seus
investimentos. Se você não tem tempo e precisa dos recursos, resgate e
jogue para prejuízo. Para Planos de Previdência, a dica é ficar com a
exposição máxima ao risco até cerca de cinco anos antes de se aposentar,
pois os recursos para a sua aposentadoria serão aqueles que ficarão mais
tempo aplicados e, portanto, terão fôlego para recuperar qualquer
volatilidade como a que estamos vivendo. Só perto de começar a receber a
renda é que o investidor precisará "trocar o pé" de aplicações variáveis
para renda fixa, de forma a não ter uma perda na época do uso dos
recursos. De novo, é a definição de quando você vai precisar do dinheiro
que vai permitir tomar a decisão.
10 - Tenho aposentadoria proporcional e precisei voltar ao mercado de trabalho, pois o que recebo não dá para suprir minhas necessidades. Ao longo dos anos, comprei quatro apartamentos, tenho aplicações em VGBL, renda fixa e ações da Petrobras, Vale do Rio Doce, Itaúsa, 4 aptos, tenho um dinheirinho no VGBL, outro em renda fixa, e há um mes comprei ações da PETR4,VALE5, Gerdau e Randon. Estou no caminho certo para ter uma aposentadoria mais confortável? Tenho 59 anos. (F.B. - Vitória / ES)Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos: sem dúvida nenhuma você está no caminho certo. Tendo em vista um cenário de queda de taxa de juros, aumento de renda dos trabalhares e expanção do crédito, o mercado imobiário tende a ficar aquecido nos próximos anos. Assim, seus imóveis tendem a valorizar-se. Para a carteira de ações mencionada também vejo espaço para valorização no médio e longo prazos. Só aconselho que vá reduzindo sua exposição em bolsa com a proximidade efetiva do seu merecido descanço (aposentadoria). Nessa ocasião, sugiro que aumente sua posição em investimentos de baixo risco, como os Fundos de DIs e Fundos de Renda Fixa.
11 - Estou próximo de atingir meu primeiro milhão em recursos financeiros e
imóveis, sempre aplicando de uma forma conservadora em fundos de renda
fixa e fundos DI. Só há pouco mais de um ano passei a aplicar em fundos de
ações, de forma que a distribuição no momento é:
Fundo de ações: 5,52%
Imóveis: 24,38%
Renda fixa: 38,12%
Fundos DI: 21,98%
Tenho também previdência privada, cujos saldos de reserva estão embutidos nesta carteira. Tenho 46 anos e minha esposa, 45. Poupamos para nos aposentar aos 60 anos. Hoje nos
consideramos de perfil conservador moderado e gostaríamos de saber se esta carteira é adequada ou se devemos fazer alguma modificação. Temos dois filhos, um com 11 anos e outro com 13 anos.Marcelo Teixeira, diretor-superintendente da HSBC Seguros: você tem cerca de 15 anos para se aposentar e uma carteira de
investimentos - incluindo imóveis - extremamente conservadora. É fato que
o mercado variável tem oscilações, mas você tem bastante tempo para
buscar recuperações de algum solavanco. Ficando como está, você garante a
estabilidade, mas pode estar perdendo a oportunidade de ampliar seus
ganhos. Por outro lado, nos 15% de exposição a riscos que você foi
buscar, partiu logo para uma carteira de ações, que é uma forma boa,
porém mais dependente de suas análises e decisões. Uma alternativa
interessante seria aplicar cerca de 15% de seu patrimônio em renda
variável, através de um fundo, que conta com gestores e analistas que
buscam fazer as melhores alocações para reduzir a volatilidade do
mercado. Nestes casos, busque um fundo que não seja indexado nem ao
Ibovespa, nem ao IBX ou outro índice, pois estes fundos apenas refletem o
que ocorre no mercado. Desta forma, você ficaria com 30% de sua carteira
em renda vVariável e aproveitaria melhor o tempo que tem para
potencializar seus ganhos. Quando estiver mais próximo da sua real data
de aposentadoria - digamos três ou quatro anos antes - reduza a exposição
de risco ao mínimo, para ter certeza de que não irá tomar nenhum susto no
final.
Aproveito para fazer dois comentários em relação a sua aposentadoria.
1. Apesar de ser o plano mais comum das pessoas na sua idade, uma
pesquisa recente chamada Futuro da Aposentadoria, mostrou que as pessoas que chegam aos 60 anos preferem não se aposentar. Claro que isto não tem a ver com a possibilidade de se aposentar. Melhor poder e não querer do que o contrário. Mas não se agarre muito a este plano para não ser pego
de surpresa na época.
2. Seria interessante, na sua idade, ter um percentual maior de suas
reservas em planos de aposentadoria que, além de atenderem toda a sua
demanda por diversificação de investimentos através dos fundos
previdenciários, ainda garantem benefícios que você não encontra em
nenhum outro tipo de investimento, tais como os benefícios fiscais (que
fazem com que sua rentabilidade cresça muito) e a renda vitalícia.
12 - Fiz um VGBL há menos de um ano, com taxa de carregamento de 5%. Se eu estivesse aplicando a mesma quantia (R$500,00) por mês em fundo de renda fixa, com taxa de administração de 1%, teria sido melhor? Se eu sacar este dinheiro agora o que acontece? (Alessandro Lima - Fortaleza / CE)Sinara Polycarpo Figueiredo, superintendente do Santander: levando em consideração apenas os custos (taxa de administração e taxa de carregamento), e considerando que os fundos em questão (VGBL e renda fixa) tenham carteiras de ativos semelhantes, a aplicação em um fundo de renda fixa com taxa de 1% certamente seria melhor, pois não há taxa de carregamento em fundos de investimento. A aplicação em VGBL é recomendável para prazos mais longos, nos quais a taxa de carregamento poderá ser compensada por benefícios fiscais que a previdência proporciona, como a ausência de "come-cotas" e a redução da alíquota de IR até 10%, após 10 anos, no caso do regime regressivo. No caso de resgate, temos duas situações, dependendo de qual regime de tributação foi escolhido:
No regime regressivo, a aplicação será tributada na fonte à alíquota de 35%.
No regime progressivo, a aplicação será tributada na fonte a alíquota de 15%, porém deverá ser levada à declaração anual de ajuste como rendimento adicional, onde será pago ou devolvido valor, dependendo do rendimento total auferido no ano.
13 - Tenho 37 anos, sou sozinha, e não tenho muitas perspectivas para minha aposentadoria, até porque nunca havia pensado nisto. O que vocês recomendariam fazer para conseguir comprar um imóvel e ter uma aposentadoria tranquila? (Mariluci Seabra - Cotia / SP)Aquiles Mosca, estrategista de Investimentos Pessoais do ABN Amro Asset Management: todo investidor pode e deve ter objetivos múltiplos para suas aplicações. No seu caso, a compra de um imóvel e a formação de uma reserva para a aposentadoria. Objetivos diferentes, com horizontes diferentes, exigem um conjunto de instrumentos financeiros distintos para aumentar as chances do investidor em atingi-los. No caso da aposentadoria, um fundo de previdência aberto, como um PGBL ou VGBL, é a melhor alternativa dado não só o potencial de retorno desses produtos mas também em virtude do benefício fiscal na forma de uma alíquota cadente de Imposto de Renda para o investidor que mantém suas aplicações em previdência por períodos superiores a dez anos . Idealmente, como se trata de um recurso que será utilizado apenas dentro de 20 ou 25 anos, faz todo o sentido para o investidor selecionar um fundo de previdência cuja carteira de aplicações tenha ao menos uma parcela de seu patrimônio investido em ações. Sabemos que no curto prazo isso trará oscilações para a carteira, porém em horizontes longos (quanto maior, melhor), mais significativa é a contribuição dos altos retorno apresentado pelas ações para seus investimentos previdenciários. Com relação à compra do imóvel, precisamos de mais alguns dados para sugerir uma carteira de investimento apropriada a esse objetivo. Via de regra, sugiro seguir os seguintes passos para temos uma idéia mais clara das necessidades e limitações do investidor:
1) Há necessidade de saques periódicos sobre a rentabilidade das aplicações? Caso afirmativo, aplicar tudo em DI ou Renda Fixa, pois nesse caso precisamos privilegiar a previsibilidade.
2) Caso a resposta para a pergunta 1 seja negativa, precisamos saber por quanto tempo os recursos ficarão aplicados sem saques sobre o principal e a rentabilidade. Se for menos de 12 meses, aplicar tudo em DI e renda fixa, pois esse horizonte é curto para acomodar as flutuações dos mercados de risco como ações e fundos multimercados.
3) Caso a resposta para a pergunta 2 seja mais de 12 meses, precisamos avaliar a propensão ao risco, que é subjetiva e particular a cada investidor (desconfie de conselheiros financeiros que tem regras prontas para definir perfil de risco. Isso é mais uma arte que uma ciência).
4) Se a propensão ao risco for baixa, podemos sugerir uma diversificação que inclua fundos multimercados (50%), DI (25%) e renda fixa (25%). Se a propensão ao risco for moderada, podemos sugerir 10% em fundos de ações, 50% em multimercados e 40 % em renda fixa. Se a propensão ao risco for alta, podemos sugerir 20% a 30% em fundos de ações, 40% a 50% em multimercados e o restante em renda fixa.
Todos os pontos mencionados acima (necessidade de saques, horizonte, objetivos dos recursos poupados e propensão ao risco) são dinâmicos e podem mudar ao longo do tempo. Daí a necessidade de repassar as perguntas acima, idealmente uma vez ao ano, para verificar se a alocação inicialmente definida continua em linha com as necessidades, limitações e anseios do investidor.
14 - Gostaria de saber se comprar ações para aposentadoria é uma boa? (Marcos Cardoso Fernandes - Santo André / SP)
Orlando Zainaghi Junior, superintendente da Corretora Santander: investir em ações é uma boa opção de longo prazo, pois esse mercado é uma excelente oportunidade de capitalizar seus recursos ao longo do tempo. É importante a escolha de boas empresas, com situação financeira tranqüila e que apresentem boa oportunidade de crescimento ao longo dos anos. Isso significa que seus recursos estarão crescendo com os resultados das empresas escolhidas.
15 - Com a agitação dos últimos dias no mercado acionário torna-se arriscado investir em planos VGBL com renda variavel para um prazo de cinco a seis meses? (Paulo Cesar Famin Freitas - Cruzeiro / SP)Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos: ao analisar a alocação no mercado acionário, o importante é acreditar nos fundamentos da economia e ter uma visão de longo prazo. Apesar de toda turbulência que os mercados estão sofrendo, iniciada por problemas nos títulos lastreados em hipotecas subprime (devedores de alto risco) dos Estados Unidos, os fundamentos continuam muito sólidos no mundo e na economia local. Embora o crescimento dos Estados Unidos seja menor do que no passado, Europa, Ásia e Japão devem crescer mais do que os últimos anos, fazendo com que a economia mundial cresça algo em torno de 5% em 2007. Estes fundamentos deverão favorecer o Brasil, não só do ponto de vista comercial, como também financeiro, uma vez que o País deve apresentar um superávit da balança comercial acima de US$ 40 bilhões, superávit primário próximo de 4% do PIB e reservas internacionais acima de R$ 160 bilhões. Portanto, os bons fundamentos fazem com que nossas previsões sejam relativamente otimistas, tanto para o ano corrente, quanto para 2008. Porém, aplicar no mercado de ações diretamente, ou por meio de um VGBL ,com um horizonte muito curto como o sugerido por você, não é adequado, uma vez que períodos de volatilidades no curto prazo são naturais (como o que vivemos). Além disso, se você aplicar e resgatar o recurso nesse prazo, o VGBL não é o melhor instrumento financeiro pela sua tributação. Vale a pena levar em consideração os fundos de renda fixa.
16 - Com a intenção de longo prazo, ao investir em ações devo me preocupar com o momento (dia / hora) de investir ou posso fazer depósitos periódicos sem me preocupar com o day trade? ( Wellinton - Niterói / RJ)Orlando Zainaghi Junior, superintendente da Corretora Santander: para o investidor de longo prazo, a grande preocupação deve ser a escolha da empresa. Deve ser escolhida uma empresa com grande potencial de crescimento e boa situação financeira. Você deve reavaliar sua carteira pelo menos uma vez por semestre, verificando a performance das empresas que a compõem, tanto econômica como financeiramente, e se o setor de atuação continua tendo boas perspectivas. Não deve ter preocupação com a volatilidade do curto prazo.
17 - As ações de empresas áreas não seriam uma boa opção de longo prazo? Qual a expectativa para fundos e empresas de setor de energia? (Ricardo A. do Valle - Curitiba / PR) Aquiles Mosca, estrategista de Investimentos Pessoais do ABN Amro Asset Management: a pergunta cobre dois setores bastante distintos. A scompanhias aéreas fazem parte do que chamamos de setor de consumo, com uma alta sensibilidade à evolução da renda e emprego na economia doméstica e, secundariamente, da disponibilidade de crédito. Nesses três aspectos vemos razões para recomendar que uma parte da carteira de investimentos seja de fato alocada em ações desse setor. Aliás, a boa performance das ações de companhias aéreas nos dois últimos anos foi fortemente influenciada por essa dinâmica, reforçada pelo momento de concentração do setor aéreo. No entanto, certa cautela é recomendada atualmente, dados os problemas oriundos do baixo investimento em infra-estrutura que o Brasil mostrou nos últimos anos. A crise aérea e em grande parte resultado disso e tem limitado a expansão do setor aéreo brasileiro, que deve continuar crescendo, porém a taxas menores até que uma solução definitiva para o setor aéreo seja encontrada. No tocante às empresas do setor de energia, mais uma vez esbarramos na questão do investimento em infra-estrutura. Nesse setor também observamos hoje um déficit de investimentos, ao ponto de que o maior dinamismo da economia brasileira atualmente ocasione um risco de racionamento de energia no futuro caso novos investimentos em geração. A perspectiva favorável a tal setor surge exatamente desse problema. Como trata-se de um setor que precisa receber investimentos e que tem tudo para lucrar com a expansão da atividade econômica que observamos hoje, temos aqui dois importante ingredientes para dar base a uma alta desses papéis nos próximos anos.