
Em outubro de 2006, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de Canoas, na Grande Porto Alegre, concluiu a última etapa das obras que ampliaram em 50% sua capacidade de produção. Controlada pela Petrobras e pela espanhola Repsol, a Refap está pronta para produzir mensalmente até 900 milhões de litros de derivados de petróleo, principalmente diesel e gasolina. As obras, que custaram 1,2 bilhão de dólares e duraram quase cinco anos, foram uma grande oportunidade para o engenheiro gaúcho Hildo Francisco Henz, presidente da Refap, exercitar o que chama de política de portas abertas. "Procuramos causar o mínimo de impacto e contamos tudo para a comunidade", diz Henz. Para reduzir o ruído, por exemplo, a Refap instalou silenciadores.
Durante as obras, foram gerados quase 30 000 empregos, muitos ocupados por trabalhadores recrutados nos arredores. Por meio de uma parceria com o Senai, a Refap treinou mais de 1 000 profissionais da região, a maioria desempregados ou subempregados. À medida que as obras chegavam ao fim, a empresa criou uma estrutura de desmobilização para auxiliar na recolocação dessa mão-de-obra, fornecendo certificados de qualificação e montando um banco de currículos com os melhores profissionais.
O processo de ampliação também evi denciou a preocupação da Refap com o meio ambiente. A empresa implantou um sistema de tratamento biológico para os seus efluentes líquidos. "A água que estamos devolvendo ao rio é melhor do que a que pegamos", diz Henz. O próximo passo é a reutilização dessa água pela própria empresa. Na área de emissões atmosféricas, o processo também procura ser transparente. A Refap mantém duas estações de monitoramento da qualidade do ar em seu entorno, com informações que podem ser conferidas online na página da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler, o órgão ambiental do estado.
A companhia está trabalhando cada vez mais para produzir combustíveis limpos. Desde 2005, fabrica o S500, diesel ecológico metropolitano. O combustível diminui em 75% a emissão de enxofre, melhorando a qualidade do ar nas grandes cidades. Na mesma linha estão os projetos para biocombustíveis, como o H-Bio, que permite incorporar óleos vegetais ao processo produtivo do diesel, reduzindo os poluentes e utilizando energia renovável. Outra importante atuação da Refap é no programa de combate à adulteração e à sonegação de combustíveis. Desde 2003, a empresa oferece sua infra-estrutura para analisar os produtos suspeitos. De lá para cá, o índice de adulteração dos combustíveis no Rio Grande do Sul caiu de 10% para menos de 1%. "É bom para nós e também para a sociedade", diz Henz.
Desde 2001, quando se tornou uma empresa independente da Petrobras, a Refap possui autonomia para definir sua política de responsabilidade social. Da controladora, adotou práticas como o sistema de recursos humanos. "Pegamos o que o acionista tem de bom e aperfeiçoamos, já que nossa estrutura é bem menor que a da Petrobras", diz Amara Martins Ramos, gerente corporativa da Refap. A refinaria também serve de referência para a controladora. Em 2000, mudou a política de segurança dos funcionários. De lá para cá, reduziu o índice de acidentes com afastamento de 14 para quatro por ano. Mais tarde a Petrobras adotou o mesmo modelo.
A Refap também fez escola para a Petrobras com o programa de desenvolvimento de fornecedores, lançado em 2003 em parceria com o Sebrae do Rio Grande do Sul. A proposta é qualificar pequenas empresas locais, em cursos com duração de 30 meses, para que se tornem fornecedoras da refinaria. A cada rodada, o programa capacita cerca de 90 empresas. "Quem se qualifica nesse mercado pode atender qualquer outro cliente", diz o empresário Luciano Weber, da Device Engenharia de Automação, de Canoas, que participou da primeira turma. "A idéia é montar uma fórmula de crescimento sustentável com geração de emprego e novas oportunidades, além de ter fornecedores com o padrão de desempenho de que a empresa precisa", diz Henz.
| Ficha técnica | |
| Notas Desempenho nas duas etapas de avaliação | |
| Etapa 1 - Questionários | |
| Questionário Estratégia de Negócios (até 30 pontos) | 19,7 |
| Questionário Relacionamento com os Públicos (até 70 pontos) | 65 |
| Etapa 2 - Avaliação EXAME | |
| Avaliação da estratégia de responsabilidade social e do envolvimento dos funcionários com o tema (até 40 pontos) | 40 |
| Pontos fortes | |
| Treinou 1 000 profissionais da região para trabalhar nas obras de ampliação da refinaria A comunidade do entorno pode monitorar pela internet a qualidade do ar nos arredores da Refap Os trabalhadores terceirizados são integrados aos programas de treinamento e desenvolvimento profissional | |
| Pontos fracos | |
| As mulheres representam pouco mais de 15% da força de trabalho Faltam indicadores objetivos para avaliar algumas práticas sociais A empresa não mantém programas específicos para portadores de HIV | |