Um desafio crescente para as empresas preocupadas com a gestão responsável é definir prioridades. Pela abrangência do assunto -- é necessário cuidar de ações voltadas para o meio ambiente, funcionários e públicos externos --, corre-se o risco de desperdiçar tempo e dinheiro com o que não é o mais importante, ou de não tratar uma boa prática com a atenção e o rigor necessários. Para evitar que isso aconteça, a Elektro, que pertence ao grupo britânico Ashmore Investment Management, procura definir suas ações baseada no contato com os consumidores e a sociedade.
O principal exemplo é o Censo de Pessoas com Deficiência, no qual a concessionária, que leva energia elétrica para 223 municípios do estado de São Paulo e para cinco de Mato Grosso do Sul, iniciou o cadastramento de pessoas com necessidades especiais entre a população por meio de formulários anexados às contas de luz. O objetivo é criar um banco de dados sobre as pessoas com deficiência nessas regiões para, com informações consistentes e a ajuda de entidades parceiras, desenvolver atividades para melhorar sua qualidade de vida.
No município de Limeira, o envio de 95 000 formulários mostrou que 87% dos deficientes com idade superior a 16 anos não exerciam nenhuma atividade profissional. Com o apoio de entidades parceiras da Elektro, esse público está sendo encaminhado ao mercado de trabalho, o que contribui para que as empresas da região possam preencher as cotas estabelecidas por lei. "É importante saber onde estão as pessoas com deficiência para conseguir empregá-las", diz Carlos Ferreira, diretor executivo da Elektro. Outra decorrência do projeto foi a criação do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência na cidade. "A análise do perfil das pessoas cadastradas está facilitando a ação integrada entre poder público e empresas para promover a inclusão social", diz Caetano Santis Júnior, diretor do Senai de Limeira.
Cuidar da população situada em suas áreas de concessão é uma das prioridades na estratégia de responsabilidade corporativa da Elektro. "Procuramos analisar as esferas econômica, social e também ambiental em nossos processos", diz Ferreira. Pelo fato de sua atuação se estender por importantes áreas de proteção, como a mata Atlântica, a empresa procura provocar o menor impacto possível ao realizar qualquer obra de expansão da rede elétrica. "A todo momento estamos negociando com o departamento de engenharia as melhores opções", diz Antomar Viegas de Oliveira Júnior, gerente de meio ambiente da Elektro. Em 2003, durante a construção da subestação de Igaratá, no interior paulista, verificou-se que o projeto inicial exigia a supressão de vegetação nativa de mata Atlântica. Depois de realizar alguns estudos, a empresa deci diu alterar seu traçado, que ficou quase o dobro maior que o previsto. Além de preservar a vegetação original, a obra acabou ficando mais econômica, já que não houve necessidade de fazer a compensação ambiental exigida para o caso -- o replantio de uma área dez vezes superior à de vegetação desmatada.
Por meio de um projeto de destinação, quase todos os resíduos sólidos viram subprodutos reutilizados internamente ou reciclados por outras indústrias. As lâmpadas de vapor têm seus componentes reaproveitados na fabricação de novas lâmpadas. As baterias usadas nas subestações são recicladas e reutilizadas por parceiros. Nos dois casos, evita-se que os metais poluidores que compõem esses produtos sejam descartados de forma inadequada no meio ambiente. Também postes, fios, borrachas e condutores elétricos são vendidos como sucata e reaproveitados. O óleo usado nos transformadores como isolante é reciclado e reutilizado pela Elektro ou vira combustível para fornos de cimento de outras empresas.
A empresa também mantém iniciativas voltadas para a comunidade. Entre elas, destacam-se os programas de educação ambiental em suas áreas de concessão, que fornecem gratuitamente mudas de árvores às prefeituras, com o objetivo de elevar a densidade das áreas verdes nas cidades. Outra ação importante é o Projeto Reluz Elektro, finalizado em agosto de 2005, que contou com investimento de 21 milhões de reais. Por meio dele, mais de 270 000 lâmpadas de vapor de mercúrio da rede pública de iluminação foram trocadas por outras de vapor de sódio, mais econômicas e que propiciam melhor iluminação. A ação gera uma redução de custo de até 40% ao ano.
| Ficha técnica | |
| Notas Desempenho nas duas etapas de avaliação |
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| Etapa 1 - Questionários | |
| Questionário Estratégia de Negócios (até 30 pontos) | 17 |
| Questionário Relacionamento com os Públicos (até 70 pontos) | 65,4 |
| Etapa 2 - Avaliação EXAME | |
| Avaliação da estratégia de responsabilidade social e do envolvimento dos funcionários com o tema (até 40 pontos) | 40 |
| Pontos fortes | |
| A empresa tem a menor taxa de acidentes fatais entre todas as empresas do setor no Brasil Prevê a participação de representantes dos empregados nas decisões estratégicas O programa de gestão de resíduos garantiu que os transformadores operem sem vazamentos nem contaminação de solo |
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| Pontos fracos | |
| Possui certificação ISO 14001 em apenas quatro das 120 subestações O percentual de demitidos com mais de 45 anos vem aumentando nos últimos anos Somente 40% dos fornecedores são auditados atualmente |
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