
As companhias de papel e celulose estão há tempos na mira dos ambientalistas. Dependentes do plantio do eucalipto, elas são acusadas de formar os chamados "desertos verdes". Acostumados às críticas, os profissionais da Suzano Papel e Celulose têm na ponta da língua os argumentos para rebatê-las. "As acusações costumam vir de pessoas que desconhecem nossa operação", afirma Luís Cornacchioni, gerente de visão e planejamento técnico florestal da Suzano. "Na realidade, procuramos minimizar o máximo possível todos os impactos da cultura do eucalipto."
A empresa utiliza exemplos práticos para reforçar seu discurso. Dona de grandes áreas de plantio, algumas estabelecidas com base em projetos de fomento florestal, a Suzano utiliza uma técnica chamada de cultivo mínimo, que combina a atividade produtiva com a preservação do meio ambiente. "Mexemos o mínimo possível no solo e a interferência no ambiente natural também é mínima", diz Cornacchioni. Dos 449 000 hectares da Suzano distribuídos pelos estados da Bahia, do Espírito Santo, de Minas Gerais e de São Paulo, 286 000 são destinados à produção de celulose. A empresa destina 40% da área à preservação de espécies nativas -- índice duas vezes maior que o exigido pela legislação ambiental brasileira, que é de 20%.
Para manter a biodiversidade das florestas, a fauna, a flora e a qualidade da água são monitoradas. Um indicador positivo, segundo a companhia, é o grande volume de reprodução de aves em suas áreas de preservação. Em 2005, foram investidos 2,48% da receita operacional -- o equivalente a cerca de 15 milhões de reais -- em ações educativas e de preservação ambiental. "Uma das nossas metas para os próximos anos é continuar investindo fortemente nesses projetos e processos", diz Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano.
Recentemente, a companhia tornou-se a primeira produtora de celulose obtida do eucalipto a integrar a Chicago Climate Exchange (CCX), com a obtenção de cerca de 3 milhões de toneladas de crédito de carbono -- o que corresponde a 40 000 hectares de áreas florestais localizados na Bahia e no Espírito Santo. A Suzano também atua no Brasil e no exterior em fóruns sobre aquecimento global e preservação ambiental. Em parceria com a ONG The Nature Conservancy, a em presa participa do Diálogo Florestal para a Mata Atlântica, iniciativa voltada para o desenvolvimento de estratégias de conservação entre empresas. Em suas operações, a Suzano monitora todas as atividades com o objetivo de reduzir o consumo de água, de energia, a geração de resíduos sólidos e a emissão de CO2 e outros gases na atmosfera. No entanto, ainda há questões a ser tratadas. A empresa -- que inovou com a criação do Reciclato, o primeiro papel offset brasileiro 100% reciclado produzido em escala industrial -- não mantém programas de gerenciamento dos resíduos pós-consumo ou de reciclagem, que dependem de uma atuação mais direcionada aos clientes.
Outro problema a ser contornado é o estado crítico da BR-101 no trecho de acesso à unidade de Mucuri, na Bahia, responsável pelo alto fluxo de veículos e caminhões na estrada. A Suzano destina, anualmente, uma verba para tapar buracos e recapear a rodovia, além de fazer pressão sobre o poder público, mas com pouco resultado. "Apenas apagamos incêndios", diz Denise Rocha, gerente-geral de recursos humanos da Suzano. "A estrada tem baixa condição de uso." Por enquanto, a região convive com altos índices de ruído e poluição atmosférica.
Para facilitar a comunicação entre a empresa e as comunidades situadas no entorno de suas unidades florestais e industriais, a Suzano criou, em maio de 2006, uma ouvidoria. O objetivo é atender todos os stakeholders, colhendo informações que ajudem a empresa a reduzir os impactos de sua atividade. Atualmente, o canal abrange 40 municípios e procura, em no máximo 48 horas após uma denúncia ou reclamação, propor uma solução ou dar uma resposta a eventuais problemas. A empresa ainda realiza, a cada dois anos, uma pesquisa com as populações locais para identificar seus impactos nas comunidades em que atua.
| Ficha técnica | |
| Notas Desempenho nas duas etapas de avaliação | |
| Etapa 1 - Questionários | |
| Questionário Estratégia de Negócios (até 30 pontos) | 15,4 |
| Questionário Relacionamento com os Públicos (até 70 pontos) | 66,3 |
| Etapa 2 - Avaliação EXAME | |
| Avaliação da estratégia de responsabilidade social e do envolvimento dos funcionários com o tema (até 40 pontos) | 39 |
| Pontos fortes | |
| Preserva 40% de suas áreas de florestas, o dobro da área mínima exigida pela legislação Clientes e fornecedores são monitorados para verificar se adotam os mesmos princípios da empresa Mantém relacionamento próximo de ONGs e do poder público | |
| Pontos fracos | |
| Há poucas mulheres em cargos executivos O número de demitidos acima dos 45 anos de idade aumentou nos últimos meses A empresa vem enfrentando dificuldades para contratar pessoas com deficiência | |