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Uma nova mentalidade

 | 30.11.2006

A Basf quer fazer com que funcionários em todas as áreas conheçam o impacto ambiental e social de seu trabalho

 

Divulgação

Fábrica de tintas Suvinil: PET usado como matéria-prima

Por Beatriz Marques Dias

EXAME 

A subsidiária brasileira da Basf, uma das maiores empresas químicas do mundo, tem um grande desafio para os próximos anos: implementar um sistema batizado de matriz de sustentabilidade que irá permitir a cada funcionário identificar os impactos ambientais, econômicos e sociais de seu trabalho. O pontapé inicial foi dado em maio de 2006, quando 74% dos executivos passaram por um treinamento sobre a matriz. "O Brasil é piloto na adoção do sistema e, se tivermos sucesso aqui, ele poderá ser implementado mundialmente", diz Ana Lucia Suzuki, coordenadora de responsabilidade social da Basf. A iniciativa pretende transformar os funcionários em catalisadores da estratégia da empresa, capazes de sugerir novos projetos e propor indicadores para que os processos sejam gerenciados com a visão da sustentabilidade.

Ainda há um longo caminho até que as ações sociais e ambientais da Basf estejam completamente integradas ao negócio. Mas o processo está evoluindo rapidamente. O Projeto PET é um exemplo. Por meio dele, a Basf usa embalagens PET descartadas no lixo para produzir esmaltes e vernizes da marca Suvinil. O uso de PETs minimiza o emprego de matérias-primas derivadas do petróleo e garante uma diminuição de 40% na quantidade de água utilizada no processo convencional de produção de resinas. Em 2005, isso gerou uma economia de 3 milhões de reais para a empresa. Desde o início do projeto, a Basf já retirou mais de 180 milhões de garrafas PET do meio ambiente -- material que leva centenas de anos para se decompor na natureza. Em 2006, aproximadamente 60 milhões de unidades de PET deixaram de ser enviadas a aterros sanitários, rios e esgotos. A iniciativa também gerou cerca de 600 empregos indiretos para pessoas de baixa renda que coletam as garrafas. "Além de produzir resultados sociais e ambientais, o processo ainda melhora a qualidade do produto", diz Rolf-Dieter Acker, presidente da  Basf América do Sul.

A companhia também desenvolveu uma metodologia e indicadores próprios para a análise da ecoeficiência. Uma planilha chamada ECO-T faz a comparação entre os processos e o ciclo de vida dos produtos, com a finalidade de avaliar o grau de atendimento a quesitos econômicos, sociais e ambientais -- desde a extração de matérias-primas até a destinação pós-uso. "Caso as aná  lises revelem um desequilíbrio entre esses aspectos, pesquisamos alternativas até que a idéia se mostre viável em todos os sentidos", afirma Rui Goerck, vice-presidente da Basf. Para avançar na disseminação do conceito, a multinacional também precisou ajudar outras empresas a se profissionalizar. Com o projeto Elo do Futuro, por exemplo, a Basf levou conhecimentos sobre sucessão e negócios para aproximadamente 100 grandes lojistas do setor de materiais de construção -- muitos dos quais são empresas familiares. "Tivemos a oportunidade de conhecer casos de sucesso e tratar de desafios comuns a todos", diz Osmar Oliveira de Araújo, gerente administrativo e financeiro da Dismel, revendedora da Tintas Suvinil em Salvador.

A atuação responsável da Basf também se dá por meio da Fundação Espaço Eco, organização que realiza análises e dissemina conhecimentos sobre ecoeficiência para outras empresas, como Braskem e Alcoa. Em 2005, a Basf investiu cerca de 1,7 milhão de reais na fundação, que tem agora o desafio de desenvolver um selo de ecoeficiência. O programa de destinação final de embalagens vazias de defensivos agrícolas -- executado em parceria com o Inpev, organização não-governamental mantida por fabricantes do setor -- é outra iniciativa voltada para a preservação do meio ambiente. A expectativa é que, até o final de 2006, sejam recolhidas quase 20 000 toneladas de embalagens vazias no campo, em locais muitas vezes de acesso difícil. "Já recolhemos 84% do total de embalagens de agrotóxicos fabricadas no Brasil, um recorde mundial", afirma João Cesar Rando, presidente do Inpev.

Com essas práticas, a Basf espera gerenciar melhor seus processos, avaliar seus riscos e aumentar a eficiência do negócio. "Com o tempo, nenhum funcionário precisará de ferramentas para medir o impacto de suas ações do ponto de vista da sustentabilidade", diz Ana Lucia Suzuki. "A compreensão será automática." A Basf estima que até 2008 todos os funcionários estejam aptos a medir o impacto das atividades que desenvolvem. O plano é transformar o conhecimento sobre desenvolvimento sustentável num pré-requisito para trabalhar na empresa.

Ficha técnica
Notas
Desempenho nas duas etapas de avaliação
Etapa 1 - Questionários
Questionário Estratégia de Negócios (até 30 pontos)13,8
Questionário Relacionamento com os Públicos (até 70 pontos)59,5
Etapa 2 - Avaliação EXAME
Avaliação da estratégia de responsabilidade social e do envolvimento dos funcionários com o tema (até 40 pontos)40
Pontos fortes
Desenvolve produtos ambientalmente responsáveis
Usa as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) em seu relatório de sustentabilidade
O investimento social na comunidade é tratado de maneira estratégica
Pontos fracos
A empresa não tem um ouvidor do consumidor nem função similar
Ainda precisa aumentar o envolvimento com fornecedores para reduzir riscos na cadeia produtiva
As ações de responsabilidade social não estão integradas às diversas áreas de negócio
 
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