
Há 15 anos, quando descobriu que era HIV positivo, Antônio*, hoje com 40 anos, teve uma preocupação além da própria doença: perder o emprego na Volkswagen. Ele temia ser vítima de preconceito dos colegas e de seus chefes. Já Ângela*, mulher de um funcionário da Volks, ao receber seu diagnóstico pensava no desconforto de ser atendida num hospital público. Antônio, Ângela, seu marido de 42 anos e a filha de 15 fazem parte do grupo de 134 pessoas que já foram atendidas pelo Programa Aids Care, criado há dez anos pela subsidiária brasileira da Volkswagen para tratar empregados e seus familiares portadores do vírus HIV. Atualmente, há 71 pacientes em acompanhamento.
Em 1995, um ano antes do lançamento do programa, existiam nas fábricas da Volks 12 funcionários portadores de HIV. Um problema era o preconceito. Outro, os altos custos das internações repetidas e prolongadas -- o que poderia comprometer a viabilidade do plano de saúde da empresa. "Notamos que faria mais sentido oferecer um bom atendimento aos funcionários", diz Reynaldo Bomfim, médico do trabalho da Volkswagen. "Com a implantação do programa, conseguimos reduzir 90% as internações." Os afastamentos também diminuíram.
Além de oferecer acompanhamento total a funcionários e dependentes -- o que inclui medicamentos, tratamento ambulatorial e consultas com infectologistas, psicólogo e nutricionista --, o programa investe na prevenção. Há ações específicas em datas como Carnaval e Dia Mundial de Luta contra a Aids (1o de dezembro). O programa inclui as crianças. Para elas, são criados jogos e palavras cruzadas. É a forma que a empresa encontrou de levar informação para a família e conscientizar dos riscos da doença desde a infância.
A Volkswagen também conseguiu diminuir o aporte financeiro ao programa, sobretudo nos últimos cinco anos, quando foram intensificados os esforços do governo federal e da sociedade na divulgação da doença. De 2000 a 2001, eram investidos 2% do orçamento do plano médico no Aids Care. Em 2005 esse percentual caiu para 0,5%. Os funcionários da empresa afirmam que o preconceito vem diminuindo ao longo dos anos. "O resultado das ações e o sigilo que mantemos de todos os pacientes tratados mostram que o programa deu certo", afirma Bomfim. Na última avaliação anual, 95% dos usuários afirmaram estar satisfeitos com o atendimento.
| A prática | |
| Dados técnicos | |
| Início | 1996 |
| Investimento em 2006 (em reais) | 108000 |
| Pontos de destaque | |
| Não atua apenas na assistência ao funcionário ou seu dependente, mas também na prevenção Promove a integração dos funcionários, diminuindo o preconceito contra a doença | |