
Desde que criou o Programa Itaú Social, em 1993, o banco Itaú convivia com uma contradição: apesar do crescente número de projetos sociais em busca de apoio, não havia uma cultura de avaliação por parte do poder público e do Terceiro Setor. "Projetos consistentes tinham avaliação qualitativa, mas não quantitativa", diz Antônio Matias, vice-presidente do banco Itaú e da Fundação Itaú Social. Em 2004, essa necessidade motivou a criação do Programa de Avaliação Econômica de Projetos Sociais, parceria da Fundação Itaú Social com a área econômica do banco. O programa mede o impacto de projetos próprios, governamentais e de parceiros. Além disso, divulga suas técnicas por meio de um curso semestral gratuito para gestores -- que já formou 90 pessoas -- e de um seminário anual baseado em experiências nacionais e internacionais. "A avaliação econômica permite saber se vale realmente a pena investir em um projeto social", diz Sérgio Werlang, diretor executivo do banco Itaú. A idéia é estimar o efeito da iniciativa nos beneficiários e traduzi-lo em termos monetários. Ou seja: medir quantos reais cada projeto gera para a sociedade.
O programa conta com a assessoria do professor Naércio Menezes Filho, da Universidade de São Paulo. "Medimos o impacto de um projeto nos participantes e depois comparamos com o grupo de controle, formado por pessoas que não receberam o benefício", diz Menezes. É o mesmo método usado para testar medicamentos: divide-se uma população entre o grupo que toma o remédio e o que ingere placebo e, no final do tratamento, comparam-se os efeitos nos dois grupos. Nos projetos sociais, os impactos são medidos em variáveis como gastos em saúde e desempenho escolar. Para uma avaliação mais certeira, o ideal é que ela seja planejada antes do início do projeto.
A avaliação foi usada, por exemplo, pela Associação Vinhedense de Educação do Homem de Amanhã, que treina adolescentes para o primeiro emprego em Vinhedo, no interior de São Paulo. Mas foi testada pela primeira vez no programa de capacitação de educadores Raízes & Asas, parceria da Fundação Itaú Social com o Unicef e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária. O programa diminuiu em 4% a taxa de evasão nas escolas públicas onde foi implantado. Comparando o custo do investimento nas escolas pesquisadas com o retorno adicional de salários que as pessoas teriam pela maior escolaridade, a avaliação concluiu que o programa tem uma taxa interna de retorno de 14% ao ano por aluno.
| A prática | |
| Dados técnicos | |
| Início | 2004 |
| Investimento em 2006 (em reais) | 450000 |
| Pontos de destaque | |
| A metodologia pode ser aplicada em diversas áreas, como educação, saúde ou combate à criminalidade A avaliação econômica ajuda as ONGs no contato com possíveis financiadores de projetos | |