![]() |
EXAME
Em fevereiro de 1804, após anos de estudos e testes fracassados, a locomotiva a vapor fez sua viagem inaugural no País de Gales. Puxou cinco vagões carregados com mais de 10 toneladas de ferro por uma ferrovia inglesa e colocou seu inventor, Richard Trevithick, nos livros de história como um dos heróis da Revolução Industrial. Mas foram necessários mais de 20 anos para que outro inglês, Julius Griffiths, concebesse outra utilidade para as nascentes estradas de ferro. Foi ele quem idealizou o primeiro vagão de transporte de passageiros. Trevithick pode ter inventado a locomotiva, mas foi a inovação de Griffiths -- devidamente patenteada -- que deu origem à era moderna do transporte de massas. É claro que esse é apenas um resumo de uma história que contou com inúmeras outras contribuições. Mas essa pequena anedota ilustra muito bem o tema deste Estudo EXAME: a relação simbiótica entre a inovação e os negócios. Há muito mais de dois séculos as novas idéias são fundamentais para o sucesso de qualquer empreendimento, mas nunca antes como hoje. Isso é verdade em todo o mundo e especialmente no Brasil, como mostram as reportagens das páginas seguintes. Um estudo exclusivo do Banco Mundial aponta o baixo grau de inovação das companhias daqui como um dos principais obstáculos para o crescimento da produtividade e, por conseqüência, da economia do país.
Talvez um primeiro passo para essa transformação seja entender que inovação se faz de grandes descobertas, mas também de melhorias incrementais. A história do biólogo empreendedor Fernando Reinach tem boas doses de ambas. Como cientista, Reinach foi um dos pioneiros mundiais a decifrar um genoma inteiro. Depois, usou o conhecimento adquirido para fundar três empresas de biotecnologia que se dedicam à melhoria das principais culturas do país, em especial a cana-de-açúcar, um dos maiores ativos agrícolas na era da energia limpa. Outra experiência bem-sucedida descrita nas páginas seguintes é a da agência Inova, criada pela Unicamp para gerenciar a propriedade intelectual da universidade. Em entrevista, um dos maiores especialistas do mundo em inovação, William Baumol, professor da Universidade de Nova York, explica por que o capitalismo americano consegue inovar num ritmo tão veloz e com tamanha eficiência. Por fim, contamos histórias de empresas que se destacaram por suas inovações, mas perderam o ímpeto desbravador. Uma prova de que não basta criar. Manter o espírito e a capacidade de inovação talvez seja um desafio ainda maior para as empresas.

Brasil está diante de um de seus maiores desafios tecnológicos: tirar o petróleo do pré-sal.
FINANÇAS O analista que mais acertou indicações de ações
BOLSA BM&FBovespa e Redecard entram no Ibovespa
NEWSLETTER A hora da verdade para as construtoras