A DCNDB Overseas é uma empresa com foco bem definido: seu negócio é o transporte marítimo de cargas acondicionadas em contêineres. Para isso, a companhia fluminense conta hoje com cinco navios fretados, que fazem escala nos principais portos brasileiros e vão até a Argentina. As embarcações operam com taxa de ocupação próxima a 100%, numa área em que o índice de 70% já é considerado excelente, e garantiram faturamento de 184 milhões de reais no ano passado. Embora tenha havido uma queda real de 2,7% na receita em relação a 2005, a DCNDB exibe um conjunto de bons indicadores, como rentabilidade de 30% e liquidez acima da média do setor, o que ajudou em sua escolha como a melhor empresa de transporte e armazenamento.
Criada em 2003, a DCNDB é uma subsidiária da Log-In, empresa de logística que até o início do ano se chamava Navegação Vale do Rio Doce (Docenave). A Log-In pertence à Companhia Vale do Rio Doce, com participação minoritária da japonesa Mitsui. Em maio, ela entrou com um pedido de abertura de capital. A expectativa é que suas ações sejam lançadas na bolsa até o final deste mês. Por se encontrar ainda no "período de silêncio" imposto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nenhum dirigente da empresa pôde dar declarações sobre a Log-In e sua subsidiária a este anuário. A Log-In é comandada pelo engenheiro Mauro Oliveira Dias, ex-diretor comercial da Vale Logística. Há dois anos, em reportagem publicada na Folha de S.Paulo, Dias destacou o potencial do mercado. "Num país de dimensões continentais como o Brasil, os meios mais racionais de transportar cargas são a navegação e a ferrovia, já que o valor de seus fretes é inferior ao do transporte rodoviário", afirmou na época.
No caso da DCNDB, a especialização é no transporte de contêineres, compartimentos de aço nos quais é acondicionada a carga a ser transportada. O uso de contêineres facilita o escoamento de mercadorias por permitir sua transferência entre diferentes meios de transporte sem a necessidade de manuseio direto da carga. De 2001 a 2006, a movimentação de contêineres nos portos brasileiros aumentou à taxa de 16,5% ao ano. Os navios da DCNDB com contêineres fazem escalas semanais em sete portos ao longo da costa brasileira, de Fortaleza (CE) ao Rio Grande (RS), e seguem até os portos argentinos de Buenos Aires e Zárate, no sudeste do país. A empresa é responsável por 20% do transporte marítimo de contêineres entre o Brasil e a Argentina. Com a abertura de um escritório em Buenos Aires, no ano passado, a idéia é intensificar esse fluxo.
A base de clientes da DCNDB é formada por cerca de 700 empresas, prin cipalmente dos setores de alimentos, petroquímicos, eletroeletrônicos, têxteis e papel e celulose. No ano passado, o setor de alimentos foi responsável pela maior fatia (36%) da receita líquida da DCNDB. Para atender à crescente demanda do setor agrícola, a empresa pretende investir 340 milhões de dólares na compra de cinco novos navios. "A navegação costeira é uma alternativa de escoamento rápido e eficiente de commodities agrícolas em larga escala", diz o consultor Leonardo Sanches, gerente da área de logística da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). "Por isso, uma empresa como a DCNDB tem grandes chances de crescimento nos próximos anos."