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Ele deixou para trás a Cargill e a Bunge

 | 14.06.2007

O moinho do grupo Jereissati obteve no ano passado rentabilidade acima da média num setor em que atuam grandes multinacionais do agronegócio

 

Drawlio Joca

Fábrica do Moinho Cearense em Fortaleza: cuidados em todas as etapas de produção

Por Clara Iha

EXAME 

O empresário Carlos Francisco Jereissati é o comandante de um grupo que fatura mais de 2,8 bilhões de reais por ano com vários empreendimentos. Eles incluem uma participação na Telemar e o controle da maior cadeia de shopping centers da América Latina, com dez estabelecimentos, entre eles o Iguatemi, em São Paulo. Esse império começou a ser construído na década de 60, com três pequenas empresas em Fortaleza: uma fábrica de fechaduras, uma pedreira e um moinho. Do trio de negócios que deu origem à fortuna de Jereissati, apenas um deles existe até hoje -- o Moinho Cearense. Mais do que mera sobrevivente, a empresa é um destaque no competitivo mercado brasileiro de farinha de trigo. Sua fábrica, localizada na capital cearense, produz e vende farinhas para padarias e fábricas de alimentos das regiões Norte e Nordeste. Segundo dados deste anuário, a empresa faturou 135 milhões de reais no ano passado e apresentou uma das melhores taxas de rentabilidade do setor (26%). Por tudo isso, foi eleita a melhor empresa de óleos, farinhas e conservas, mercado que abriga gigantes como Cargill, Bunge Alimentos e Kraft Foods.

Um dos segredos do sucesso do Moinho Cearense é o cuidado na compra do trigo, matéria-prima que representa 80% do custo de produção da farinha. "Para se manter no mercado, as empresas analisam muito bem as perspectivas de preços. Quando possível, fazem compras antecipadas", diz Eliane Kay, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima). No Moinho Cearense, uma equipe de analistas passa o ano inteiro acompanhando o mercado para saber o melhor momento de fechar as encomendas de trigo. Os pagamentos são sempre realizados à vista. "Temos acertado em nossas decisões", diz o executivo Roberto Schneider, vice-presidente do Moinho Cearense. No final do ano passado, por exemplo, a empresa fechou a compra de uma quantidade de trigo argentino suficiente para suas necessidades ao longo de 2007. Nos meses seguintes ao acordo, a cotação internacional do produto teve um aumento de mais de 40% devido à quebra de produção em várias regiões por problemas climáticos.

Além de escolher o momento ideal para a compra do trigo, o Moinho Cearense vem melhorando seus processos. No último ano, investiu mais de 3 milhões de reais na reforma de seus 16 tanques de armazenagem de trigo. O objetivo é reduzir ao mínimo a retenção de pó e a proliferação de bactérias e fungos, diminuindo a necessidade de limpeza dos silos. Os investimentos prosseguem. Até o final do ano, a empresa deve destinar 5 milhões de reais à construção de novos silos, ampliando sua capacidade de armazenagem em mais de 30%.

Os investimentos têm como objetivo a manutenção da liderança dos mercados do Norte e do Nordeste. A companhia não possui planos de expansão para outras regiões e congelou a idéia de também atuar na produção de macarrão, que chegou a ser analisada na década de 90. O estilo conservador na condução dos negócios tem uma explicação. "O consumo de produtos derivados de trigo tem permanecido estável nos últimos anos no Brasil", diz Samuel Hosken, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). "As vendas cresceram 2,2% em 2006, graças à melhora de renda da população mais pobre. Mas não há perspectiva de que ocorra evolução muito maior do que essa num futuro próximo."

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