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Expansão com ou sem crise

 | 14.06.2007

Com o foco na pequena propriedade rural e na cultura do café, a empresa gaúcha de tratores leves sofreu menos com as oscilações do agronegócio

 

Lia Lubambo

Linha de montagem de tratores na cidade de Indaiatuba, em São Paulo: máquinas feitas para o pequeno agricultor

Por Arlete Lorini

EXAME 

Nos últimos anos, a Agritech Lavrale, fabricante de tratores e implementos agrícolas de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, passou praticamente ilesa pela crise que atingiu o agronegócio brasileiro. Em 2005, quando as vendas internas de tratores sofreram queda de 40%, a empresa foi a única do setor que conseguiu crescer, a uma taxa próxima de 4%. "Foi algo relevante, considerando que, no período, todos os outros fabricantes registraram perdas", diz Hugo Zattera, de 67 anos, presidente da Lavrale. Da mesma forma, em 2006, quando o mercado interno começou a dar sinais de retomada, com aumento de 15% no volume comercializado, a venda de tratores da Lavrale cresceu duas vezes mais do que isso, 33%.

A explicação para o desempenho acima da média do setor é simples: os tratores da Lavrale, comercializados com a marca Yanmar, responsáveis por 75% do faturamento da empresa, são de pequeno porte, com até 50 cavalos de potência, adequados para a pequena propriedade agrícola. Esse segmento não foi tão afetado pela turbulência dos últimos anos graças aos financiamentos assegurados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Nas duas últimas safras, essa linha de assistência destinou um total de 19 bilhões de reais para a compra de máquinas e insumos agrícolas -- uma parte desse dinheiro acabou indo parar no caixa da Lavrale.

Mas a empresa não sobreviveu à custa apenas desse tipo de cliente. "Além de trabalharmos com a pequena propriedade, temos máquinas adequadas para o cultivo de café, setor que teve bom desempenho nos últimos anos", diz Zattera. Foi atendendo a esses mercados que a Lavrale faturou 156 milhões de reais em 2006. Graças aos ótimos indicadores de desempenho financeiro, a companhia conquistou a primeira posição no ranking das melhores empresas do setor de máquinas e equipamentos.

Surgida em 1969, a Lavrale produzia originalmente implementos agrícolas para os tratores da marca Agrale. As duas empresas pertencem ao Grupo Francisco Stedile. Em 2002, a Lavrale incorporou a companhia paulista Yanmar Indaiatuba, dando origem à empresa Agritech Lavrale. Com a fusão, a empresa gaúcha, sem abandonar o mercado de implementos, agregou à sua linha itens como tratores, motocultivadores e motores da marca Yanmar. Mais recentemente, tornou-se forte também no setor de autopeças. A estratégia de diversificação mostrou-se acertada. Em 2006, enquanto o crescimento na área de implementos agrícolas foi inferior a 20%, as vendas de autopeças dobraram.

Um dos grandes desafios da companhia para os próximos anos são os novos concorrentes que começam a surgir no segmento de tratores leves. Nessa área, a Lavrale nunca foi muito incomodada, já que as grandes multinacionais do setor se dedicam à fabricação de máquinas mais potentes. Mas o cenário está mudando. Como em vários outros setores, a concorrência mais recente vem do produto chinês, que entra no mercado brasileiro custando até 60% menos do que o similar nacional. "Não adianta tentar baixar preços, pois a diferença é gigantesca", afirma Zattera. Para enfrentar a concorrência estrangeira num cenário de dólar desvalorizado, a Lavrale vem procurando insumos mais baratos ao redor do mundo. "Vamos nos defender buscando o que for necessário lá fora", diz Zattera.

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