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Um ano repleto de mudanças

 | 14.06.2007

Na briga pela liderança do mercado, a Suzano aumenta sua produção em 16% e aperta o passo para dobrar de tamanho em apenas três anos

 

Lalo de Almeida/Folha Imagem

Linha de produção de papel da Suzano: disputa palmo a palmo com a Klabin no mercado nacional

Por Bia Rodrigues

EXAME 

O ano de 2006 trouxe uma série de mudanças expressivas para a Suzano Papel e Celulose. Surgiram unidades logísticas da companhia nos Estados Unidos e na Europa e novos processos passaram a ser adotados para aumentar a produtividade. A empresa também chegou a um notável índice de 100% de suas áreas florestais certificadas pelo Forest Stewardship Council (FSC) -- a classificação é um atestado de que o total da produção de matéria-prima da companhia se enquadra nos critérios de boas práticas de sustentabilidade. Em junho ocorreu outro fato importante, envolvendo a troca de guarda na presidência da companhia: saiu do comando o executivo de carreira Murilo Passos, para a entrada de Antonio Maciel Neto, que comandava a Ford América Latina. Tudo isso teve impacto no resultado da Suzano, eleita a melhor empresa do setor de madeira, celulose e papel. "Tivemos um forte crescimento das vendas, ao lado de avanços na área ambiental", diz Maciel. A companhia fechou o ano com faturamento de 3,2 bilhões reais e obteve crescimento de 16% na produção de celulose e papéis. Nesse ritmo, a empresa deve dobrar de tamanho no período de apenas três anos, de 2005 a 2008.

Há uma grande expectativa de que a Suzano possa evoluir ainda mais ao longo de 2007. Em outubro, a empresa deve inaugurar a segunda linha de produção de celulose em Mucuri, na Bahia. Ao custo de 1,3 bilhão de reais, a fábrica vai ampliar a produção em cerca de 1 milhão de toneladas por ano, triplicando a atual capacidade. Boa parte do material deve seguir para o exterior, onde a celulose estava cotada no início de junho a 700 dólares a tonelada -- valor 36% superior ao de 2005. "O negócio de celulose é mais global, enquanto a fabricação de papéis tem um foco mais regional, com atuação na América Latina", diz Maciel.

O desafio da Suzano é galgar posições nos mercados em que atua. Na área de papel, ela disputa palmo a palmo com a Klabin a liderança nos diversos segmentos de papelão, papel-cartão e papéis de escrever e imprimir. Nesse sentido, a conclusão da compra da Ripasa, no ano passado, deverá ajudar. Iniciada em 2005, a aquisição de 50% da empresa, em parceria com a Votorantim Celulose e Papel (VCP), estava emperrada na Justiça devido a problemas com acionistas minoritários que se sentiram prejudicados com a operação. Em abril de 2006, as partes finalmente chegaram a um acordo, o que representou para o consórcio Suzano e VCP a incorporação de quatro fábricas da Ripasa em São Paulo. No segmento de celulose a Suzano ainda terá de ampliar muito sua comercialização atual, de 638 000 toneladas por ano, para bater a líder no setor, a Aracruz, que vendeu 3 milhões de toneladas em 2006.

O bom desempenho da Suzano nos últimos anos também se explica pelo avanço do Brasil no mercado de celulose. Boa parte do 1,7 milhão de hectares de florestas plantadas no país é ocupada com eucalipto, que rende uma celulose de fibra curta. Em 2006, pela primeira vez na história, a demanda mundial por fibra curta superou a de fibra longa, extraída de pinheiros no hemisfério norte. "A fibra curta tem características físicas e químicas que geram um papel de maior qualidade e eficiência", diz Marcos Paulo Fernandes Pereira, analista da Fator Corretora. É mais um elemento que pode ajudar a Suzano a sustentar sua elevada taxa de crescimento.

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