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Lucros em meio à turbulência

 | 14.06.2007

Mesmo em pleno processo de mudança no controle acionário, a indústria paranaense cresce e agora mira a sinergia de operações com a nova sócia Perdigão

 

Marcelo Almeida

Linha de produção da Batávia na cidade de Carambeí, no Paraná: novo sócio pretende ampliar a distribuição

Por Douglas Portari

EXAME 

Com quase um século de história -- sua origem remonta a 1911, quando um grupo de imigrantes holandeses começou a produzir leite no município de Carambeí, região centro-sul do Paraná --, a Batávia viveu nos últimos anos um de seus períodos mais conturbados. A crise explodiu em 2004, quando sua principal acionista, a Parmalat, atingida pelo rombo financeiro na matriz italiana, entrou com pedido de concordata no Brasil. O colapso da Parmalat colocou em risco o futuro da Batávia, que passou a enfrentar restrições de crédito por parte de alguns bancos e fornecedores. Para evitar danos maiores, seus acionistas minoritários, a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná e a cooperativa catarinense Agromilk, que, juntas, detêm 49% das ações, entraram na Justiça e afastaram a Parmalat da gestão. A disputa só se encerrou em maio do ano passado, quando a Perdigão comprou os 51% que os italianos ainda detinham na Batávia por 101 milhões de reais.

O surpreendente é que, apesar de toda essa turbulência, a Batávia conseguiu manter seus negócios na rota do crescimento. Em 2006, a empresa faturou 761 milhões de reais, aumento real de 14,5% em relação ao resultado de 2005, quando já tinha conseguido fechar com lucro. A Batávia apresentou também o melhor índice de reposição da capacidade produtiva no setor -- o que indica seu fôlego na renovação da unidade industrial -- e teve a terceira melhor rentabilidade (11,8%). Por seu conjunto de indicadores, ela leva o título de melhor empresa de leite e derivados de 2006. Foi uma conquista apertada. Apenas 5 pontos separaram a Batávia da segunda colocada, a Laticínios Jussara -- as duas acabaram protagonizando a disputa mais acirrada entre todos os setores analisados por este anuário. A vitória foi definida nos detalhes. Por exemplo, a Batávia levou vantagem graças aos 25 pontos extras que recebeu por fazer parte da lista das 150 melhores empresas para trabalhar no Brasil, de EXAME e Você S/A.

A Batávia conta atualmente com quase 200 produtos, entre iogurtes, achocolatados, leites e sobremesas. Isso representa uma produção de 250 000 toneladas por ano. De acordo com dados da empresa de informações de mercado ACNielsen, a Batávia é líder nacional no segmento de leite fermentado (32%), vice-líder em queijo do tipo petit suisse (20%) e terceira colocada em refrigerados de leite e derivados (14%). "Para crescer nesse mercado, decidimos diversificar nossa linha de produtos. Além de leite e derivados, lançamos produtos à base de soja, como creme e suco", diz Wlademir Paravisi, diretor-geral da Batávia. No cargo desde fevereiro, Paravisi foi anteriormente diretor de logística e suprimentos da Perdigão. "Temos de somar à cultura vencedora da Batávia a experiência em tecnologia e marketing da Perdigão", diz ele.

Existem muitas sinergias entre as duas empresas e, agora, sob o mesmo guarda-chuva da Perdigão, elas deverão ser aprofundadas. Uma das possibilidades é o compartilhamento da rede de distribuição. A Perdigão tem presença em 70 000 pontos-de-venda no país, enquanto a Batávia, que é mais conhecida na Região Sul, está presente em apenas 10 000. "Tudo está em fase de implementação ainda, mas temos produtos similares do ponto de vista de cadeia e de canal de distribuição. Nossa carteira de clientes é altamente complementar", diz Paravisi.

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