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Inovação contra crises de mercado

 | 14.06.2007

Mesmo num ano problemático para vários de seus negócios, a Copercampos conseguiu sobressair graças aos investimentos contínuos em pesquisa

 

Eduardo Marques / Tempo Editorial

Laboratório da empresa: pesquisas ajudam a obter resultados acima da média no campo brasileiro

Por Tiago Cordeiro

EXAME 

O ano de 2006 foi dramático para os produtores catarinenses. Uma seca de dois meses colocou 195 prefeituras em estado de emergência e prejudicou seriamente a safra. A produção de milho caiu 25%, a de soja, 15%, e a de feijão, 21% em relação ao ano anterior, causando um prejuízo estimado em 370 milhões de reais. Foram tempos difíceis também para os criadores de suínos. O embargo russo à carne brasileira, motivado pela descoberta de focos de febre aftosa no país, reduziu a demanda pelo produto e derrubou os preços. O estado de Santa Catarina, maior produtor brasileiro desse tipo de carne, deixou de exportar 450 milhões de dólares. Por depender da agricultura e da suinocultura, a Cooperativa Regional Agropecuária Campos Novos (Copercampos), no município de Campos Novos, a 370 quilômetros da capital, Florianópolis, sentiu duplamente a crise. Em 2006, ela faturou 256 milhões de reais, queda de 16% em relação ao ano anterior. Mesmo num ano de resultados ruins por causa da conjuntura extremamente desfavorável, a empresa deu mostras de sua robustez, sendo no levantamento do ANUARIO EXAME DE AGRO- NEGÓCIO a primeira de seu mercado em rentabilidade e em riqueza gerada por empregado e a terceira colocada em liquidez corrente e geral. Graças a isso, foi eleita como o destaque do ano no setor de genética, tecnologia e pesquisa.

Investir em tecnologia é a forma que a Copercampos encontrou para enfrentar crises como a do ano passado. Quando foi criada, em 1970, seu único objetivo era fornecer estrutura adequada de armazenagem para 100 agricultores da região. No final da década de 80, a empresa deu início à produção de sementes. Com o tempo, surgiu a necessidade de investir em laboratórios para melhorar a qualidade dos produtos. Como a cooperativa não tinha recursos para manter uma estrutura própria de pesquisa, a saída foi fazer parcerias com instituições do porte da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec).

Os resultados das pesquisas são divulgados aos cooperados num campo de testes de 30 hectares em Campos Novos, onde foram apresentadas variedades de sementes mais resistentes a pragas que passaram a ser usadas em larga escala. "O produtor tem ali a vitrine de tudo o que já foi desenvolvido", diz Vilibaldo Erich Schmid, presidente da Copercampos. A aposta vem dando resultado. Seus agricultores colhem 3 600 quilos de soja por hectare, ante 2 700 quilos da média nacional.

Atualmente, a produção de grãos como soja, milho, trigo e feijão é a principal atividade da Copercampos. A suinocultura, iniciada em 1993, ocupa hoje um espaço pequeno entre os negócios da cooperativa. Esse quadro pode mudar.

Até 2010, a atividade deverá assumir o segundo lugar na pauta de vendas da empresa, que hoje tem 9 500 animais, criados em duas granjas. A terceira granja, com capacidade para 3 500 animais, vai ser inaugurada em Campos Novos em 2008. O esforço para diversificar os produtos não se dá por acaso. "Para competir no mercado e resistir às crises, temos de diversificar nossa pauta e continuar investindo pesado em tecnologia", afirma Schmid.

Veja quadro

 
Benjamin Steinbruch, da CSN
 

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