Num mercado dominado por grandes redes, como Wal-Mart, Carrefour e Pão de Açúcar, uma pequena rede com administração familiar conquistou a posição de destaque do setor de comércio varejista, segundo a análise dos especialistas do ANUARIO EXAME DE AGRONEGOCIO. A empresa em questão é o supermercado Zona Sul, com 30 lojas espalhadas pelo Rio de Janeiro. Na maioria, os pontos-de-venda se localizam nos bairros nobres da cidade, como Leblon, Copacabana e Ipanema. A companhia faturou 706 milhões de reais e obteve crescimento de vendas de 2,4% no ano passado. Não foi nenhum desempenho do outro mundo, mas a taxa ficou acima da evolução média de 0,2% do setor no mesmo período, de acordo com levantamento do anuário entre as empresas listadas entre as 500 maiores do agronegócio brasileiro. Nos demais indicadores, o surpreendente Zona Sul também aparece bem colocado, como no critério Rentabilidade do Patrimônio. Com um índice de 10,3%, a rede carioca conquistou o segundo melhor desempenho no setor. "O Zona Sul vem obtendo sucesso por ser uma das redes mais inovadoras do Brasil", afirma Alberto Serrentino, da consultoria Gouvêa de Souza, especializada em varejo.
Há vários exemplos de iniciativas importantes em que a rede carioca aparece entre as pioneiras. No início dos anos 90, quando ainda pouco se falava em produtos orgânicos, o Zona Sul foi um dos primeiros a reservar gôndolas exclusivas para esses itens. Os alimentos sem agrotóxicos respondem hoje por 10% do faturamento da rede. São 250 variedades de orgânicos, incluindo frutas, legumes, verduras, sucos, doces e até vinho. "É motivo de orgulho para a empresa ter ajudado a introduzir os produtos orgânicos no mercado brasileiro", diz Jaime Xavier, diretor de vendas e marketing do supermercado. O Zona Sul apareceu na frente também dos concorrentes no campo de entregas domiciliares, oferecendo aos clientes sistemas de vendas pela internet e por telefone. Mais recentemente, investiu de forma pioneira na incorporação de serviços como restaurantes dentro das lojas, inaugurando pizzarias em 18 dos 30 pontos-de-venda da rede. "Hoje, várias companhias do setor seguem a tendência de fazer do supermercado também um ponto de food service", afirma Serrentino.
Surgido na década de 50 por iniciativa do imigrante italiano Francesco Leta, a rede continua sendo controlada pela família fundadora e, até agora, escapou à tendência de consolidação do setor. Um dos fatores que contribuem para mantê-lo afastado do apetite das grandes redes é seu bom posicionamento no mercado. O Zona Sul faz o papel hoje, no Rio de Janeiro, dos antigos armazéns de bairro. Suas lojas estão próximas da clientela e em áreas de ótima densidade populacional. Diante dos bons resultados que a estratégia tem rendido, a direção da rede não prevê grandes mudanças no rumo dos negócios para os próximos anos. A política é continuar abrindo lojas pequenas (700 metros quadrados, em média), ao ritmo de dois novos supermercados por ano, até 2010. Pessoas de bom poder aquisitivo nos bairros nobres da zona sul do Rio de Janeiro vão continuar sendo o público-alvo da empresa. "Uma das razões de nosso sucesso é jamais perdermos o foco de quem são os principais clientes de nossas lojas", afirma Xavier.