O ano de 2006 foi marcado por muitos desafios e conquistas históricas para a indústria de carne bovina. Mesmo com a valorização cambial e os problemas sanitários, o Brasil assumiu, pela primeira vez, a liderança mundial na exportação de carne bovina tanto em volume (2,6 milhões de toneladas) como em valor da receita (3,9 bilhões de dólares). Nesse cenário, o frigorífico paulista Marfrig conseguiu destacar-se por registrar a maior taxa de crescimento do setor. Suas vendas em 2006 atingiram 2,3 bilhões de reais, 49,5% mais do que em 2005. Entre os frigoríficos avaliados por este anuário, o Marfrig obteve também o melhor índice de liquidez corrente, a melhor média de riqueza gerada por empregado e a melhor taxa de reposição da capacidade produtiva.
Segundo maior frigorífico do país, o Marfrig pretende seguir os passos da líder do setor, a JBS/Friboi, e negociar suas ações na bolsa de valores. A solicitação de abertura do capital foi protocolada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2 de abril. A expectativa é que o pedido seja aprovado em junho, mas a oferta de ações deve ocorrer somente no segundo semestre. Os recursos captados com a emissão de ações devem ser destinados para aquisições (30%), investimentos em ativo fixo (30%), capital de giro (30%) e liquidação de dívidas de curto prazo (10%). Não poderia haver melhor momento para uma empresa desse setor entrar na bolsa. Nos últimos cinco anos, o Brasil consolidou-se como o grande fornecedor mundial de carne bovina. Apesar das barreiras comerciais e sanitárias impostas por países como Estados Unidos, Canadá, México e Japão, os frigoríficos nacionais conseguiram abrir importantes frentes no exterior graças, sobretudo, a baixos custos de produção, em torno de 1,50 dólar o quilo -- ante 2,41 dólares na Austrália e 3,14 dólares nos Estados Unidos.
Para enfrentar os solavancos decorrentes da oscilação cambial e de problemas sanitários, uma das estratégias do Marfrig é diversificar os clientes e os canais de distribuição. Com isso, a empresa amplia as oportunidades de crescimento e, ao mesmo tempo, atenua os riscos. No Brasil, o Marfrig fornece produtos para mais de 15 000 clientes, incluindo restaurantes, butiques de carnes e alguns dos grandes grupos varejistas -- seu maior cliente foi responsável por 1,3% do faturamento líquido de 2006. As exportações foram destinadas a 59 países, e nenhum deles representou individualmente mais de 2,5% da receita líquida da empresa.
O Marfrig conta com nove centros de abate e processamento no Brasil, dois no Uruguai, um no Chile e um na Argentina. As mais recentes aquisições foram feitas em setembro do ano passado, com a compra de três abatedouros nos estados de Goiás, Rio Grande do Sul e Rondônia. "Estamos bem posicionados para competir aqui e lá fora", declarou na época Marco Antonio Molina, presidente do Marfrig (devido ao "período de silêncio" exigido pela CVM desde o pedido de autorização para lançar ações até o encerramento formal dos negócios, os executivos do frigorífico não puderam conceder entrevistas para esta reportagem). No total, desde o início de 2006, os investimentos na aquisição e na modernização de unidades foram de 464 milhões de reais. O volume de abates cresceu 36% entre 2002 e 2006, atingindo a média de 10 300 cabeças por dia.

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