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A retomada de uma gigante

 | 14.06.2007

A Sadia coloca em prática um grande projeto de reestruturação e multiplica seus investimentos para continuar na frente da concorrência

 

Roberto Chacur

Fábrica da empresa: bônus mais agressivos aos vendedores e expansão no exterior para voltar a crescer

Por Adriana Pereira

EXAME 

A Sadia faturou no ano passado 7,8 bilhões de reais -- cerca de 30% a mais do que o concorrente mais próximo, a Perdigão. Também se destacou no setor de aves e suínos pelo conjunto de seus indicadores. Entre outras coisas, obteve a melhor média de riqueza gerada por empregado, o melhor índice de reposição da capacidade produtiva e a segunda melhor rentabilidade. Em razão disso, a Sadia tem motivos de sobra para comemorar os resultados de 2006, correto? Não. Apesar da manutenção da liderança do mercado, a luz amarela foi acesa nos corredores da empresa. O volume de vendas no período foi 5,5% inferior ao de 2005, contribuindo para acelerar a redução da distância entre a Sadia e a Perdigão, um movimento que já vem ocorrendo há algum tempo. Para piorar a situação, resultou em fiasco a tentativa de compra da concorrente por meio de uma oferta hostil, em julho do ano passado. Além de o movimento ter sido rechaçado pela Perdigão, um ex-executivo e um acionista da Sadia que participaram da operação frustrada de aquisição foram multados pela Securities and Exchange Commission (SEC), nos Estados Unidos, por uso de informação privilegiada -- a dupla comprou papéis da Perdigão antes da oferta e vendeu depois as ações, embolsando os lucros.

Por causa da série recente de tropeços, a Sadia está realizando um grande trabalho de reestruturação para melhorar seus resultados e escapar da ameaça de ser desbancada da liderança pela Perdigão. "Essas turbulências são ótimas oportunidades para reforçar nossos propósitos de crescimento e mostrar ao mercado que sabemos superar contingências", afirma Gilberto Tomazoni, presidente da Sadia desde o início de 2005 e o responsável pelo atual processo de mudanças na empresa. Além de oferecer um pacote maior de benefícios financeiros aos vendedores que superam suas metas, como forma de estimular um comportamento mais agressivo do departamento comercial, a Sadia vem investindo para capacitar a companhia a dar novos saltos no mercado. No ano passado, o investimento foi de 1,1 bilhão de reais -- 54% mais do que o valor de 2005.

Boa parte desse total foi destinada às obras nos abatedouros de aves e suínos em Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. O complexo industrial deve ficar pronto em 2009 e vai aumentar a capacidade de produção da Sadia em 40% nos frangos e em 20% nos suínos. Outra obra estratégica é a construção de uma unidade de processamento de frangos e suínos em Kaliningrado, na Rússia. A fábrica -- primeira da Sadia no exterior -- deve iniciar as operações em dezembro e terá capacidade para processar 50 000 toneladas de carne por ano.

Com o reaquecimento das vendas, tanto no mercado interno como no externo, a empresa fechou o primeiro trimestre deste ano com um lucro de 96 milhões de reais, 43,6% superior ao do mesmo período de 2006. A meta estipulada ao longo de 2007 é crescer 10%, mesmo com o dólar abaixo de 2 reais e o aumento dos preços de matérias-primas como a soja e o milho. Como? Segundo Tomazoni, é hora de focar na melhoria dos processos operacionais, para reduzir desperdícios, e de investir na eficiência do pessoal. "Não vamos tirar nenhum coelho da cartola", diz o presidente da Sadia. "A solução é simples: aumentar a produtividade e cortar custos."

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