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Uma tradição de eficiência

 | 14.06.2007

A empresa fundada no Paraná por imigrantes alemães que fugiram das ruínas da Segunda Guerra cresce sem abrir mão de sua crença no cooperativismo

 

Joel Rocha

Fábrica da Agrária: responsável por 20% da matéria-prima utilizada pelas cervejarias do país

Por Vladimir Brandão

EXAME 

Ao final da Segunda Guerra Mundial, cerca de 500 famílias de suábios do Danúbio -- povo de origem alemã que ocupava uma área na então Iugoslávia -- tiveram de abandonar suas terras e refugiar-se na Áustria. Graças à ajuda de uma organização humanitária, que viabilizou um projeto de colonização no Brasil, os suábios foram parar no município paranaense de Guarapuava, a 250 quilômetros de Curitiba. Foi ali, no distrito de Entre Rios, que os imigrantes começaram a plantar grãos e fundaram uma cooperativa, a Agrária, em 1951. Mais de meio século depois, a comunidade de suábios mantém-se coesa em torno da Agrária, hoje uma gigante com faturamento anual próximo de 750 milhões de reais.

Detentora de tecnologia de ponta na produção de grãos, com mais de 1 000 funcionários e dona de quatro fábricas, a Agrária fornece insumos, oferece suporte técnico, compra, industrializa, vende e distribui a produção agrícola dos 500 associados. Além disso, a cooperativa mantém um colégio, um hospital, um museu histórico e patrocina diversas atividades culturais, como grupos de teatro, dança e música que revivem as tradições dos suábios.

"Nosso desafio é atuar como qualquer empresa que busca resultados, mas sem perder de vista nossas raízes", diz o agrônomo Jorge Karl, de 44 anos, presidente da Agrária, eleita a melhor empresa do setor de algodão e grãos em 2006 por seu conjunto de indicadores financeiros, com destaque para a taxa de rentabilidade (12,1%) e a riqueza gerada por empregado (125 814 reais). Graças, em grande parte, ao alto índice de industrialização, a Agrária é uma organização com expressiva rentabilidade -- no ano passado, obteve lucro líquido de 27 milhões de reais. Como toda empresa do setor, ela repassa parte do resultado aos sócios. Na Agrária, isso ocorre no momento em que os agricultores entregam seu produto à cooperativa. Em geral, eles recebem de 5% a 12% mais do que o preço de mercado.

A companhia vem ganhando espaço em mercados importantes graças a um esquema azeitado de produção. O melhor exemplo é o controle que a cooperativa possui sobre a cadeia de produção da cevada. Da pesquisa genética à industrialização do malte -- passando por produção de sementes, lavoura, armazenagem e beneficiamento --, a Agrária domina todas as etapas da produção da matéria-prima da cerveja. Com capacidade instalada de 140 000 toneladas por ano, sua maltaria, a Agromalte, é a maior do país e supre 20% do total dessa matéria-prima consumido pelas cervejarias do país.

A Agrária situa-se a 1 100 metros de altitude nos campos do centro-sul paranaense, onde a temperatura média não passa dos 17 graus centígrados. Destacam-se, portanto, as culturas que se desenvolvem melhor no frio, como a ceva da e o trigo. No caso da soja, a Agrária utiliza cerca de 50% da produção para fazer óleo e ração para animais. O restante é comercializado in natura. Mesmo com a estrutura da cooperativa dando-lhes suporte, os associados da Agrária não estiveram imunes à crise do setor de grãos nos últimos anos, e muitos ficaram com a capacidade de pagamento afetada. Para a safra deste ano, as perspectivas são de margens positivas, porém apertadas. O problema, segundo Karl, é o câmbio. "Os grãos vivem um momento satisfatório graças à alta das cotações internacionais. Se não tivesse havido esse aumento, com o câmbio do jeito que está, a situação seria mortal", afirma Karl.

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