Depois de enfrentar a grave crise de 2005, motivada pela seca na Região Sul e pela forte oscilação do real diante do dólar, entre outros problemas, os produtores rurais dedicaram-se em 2006 a arrumar a casa e a regularizar suas dívidas. No pacote agrícola anunciado em maio, autorizou-se um grande volume de prorrogações de crédito rural, que tirou 10 bilhões de reais das costas dos agricultores. A medida levou ao aumento do saldo devedor dos produtores. "Eles tomaram menos crédito e rolaram os empréstimos antigos", diz José Carlos Vaz, diretor de agronegócios do Banco do Brasil. O pacote também aumentou em 25% o volume de recursos para custeio e comercialização da safra, que chegou a 41,4 bilhões de reais, sendo 31,5 bilhões subsidiados pelo Tesouro Nacional.
A ajuda oficial é um dos motivos que explicam o predomínio dos bancos esta tais no saldo de crédito rural do ano passado -- Banco do Brasil e Banco do Nordeste lideram o ranking, com 70% dos cerca de 83 bilhões de reais do saldo devedor registrado no final de 2006 (veja quadro). Os fundos constitucionais de desenvolvimento do Centro-Oeste (FCO), do Nordeste (FNE) e do Norte (FNO) são repassados com exclusividade pelos bancos federais. O Banco do Brasil foi responsável pelo repasse de 5 bilhões de reais do FCO e o Banco do Nordeste por 10,5 bilhões do FNE.