EXAME
A baixa taxa de câmbio é o motivo principal de queixa dos empresários de agronegócio ouvidos em uma pesquisa realizada pelo Anuário Exame de Agronegócio. De acordo com o levantamento, que contou com a participação de representantes de 150 empresas de todo o Brasil, a forte desvalorização do dólar é considerada mais prejudicial aos negócios do que a precariedade da infra-estrutura ou as condições desfavoráveis de crédito.
Ante o enunciado "A taxa de câmbio baixa prejudica muito os meus negócios", os entrevistados deram em média nota 8,3, numa escala de 0 a 10 – quanto mais próxima de 10, mais os entrevistados estão de acordo com a afirmação. Quando confrontados com a afirmação "As más condições da infra-estrutura do país prejudicam bastante a expansão de minhas atividades produtivas", os entrevistados deram em média nota 8,2. E ante o enunciado "As condições desfavoráveis de crédito prejudicam bastante a expansão de minhas atividades produtivas", a nota cai para 7,9.
A pesquisa revela que os vários setores do agronegócio têm percepções diferentes do atual ambiente de negócios. O setor de Defensivos e Produtos Veterinários é o que mais se sente prejudicado com a valorização do dólar (nota 9,5). Já o setor de Óleos e Farinhas é que mais reclama das deficiências de infra-estrutura (nota 10,0) e dos problemas de crédito (10,0).
O levantamento procurou saber também quais são as perspectivas neste ano para as diferentes atividades da cadeia do agronegócio. Os setores mais otimistas (aqueles que acham que o faturamento de sua empresa crescerá bastante em 2006) são os de Frigorífico e Couro (nota 8,9) e de Açúcar e Álcool (8,7). Na outra ponta, os setores mais pessimistas são os de Produção Agropecuária em geral (3,9) e de Fertilizantes e Corretivos (4,0). Não por acaso, os setores mais pessimistas são aqueles que registraram maior queda no faturamento entre 2004 e 2005.
A eleição deste ano não causa muita ansiedade nos empresários do agronegócio. Ante o enunciado "O processo eleitoral em 2006 trará bastante instabilidade à economia", a nota média atribuída foi de 5,3. Se não estão muito preocupados com a corrida eleitoral, também não estão muito otimistas com os rumos da economia. Ante o enunciado "O crescimento econômico do país será elevado em 2006", a nota média ficou em 4,9. O mais otimista é o setor de Bebidas e Fumo (6,4), enquanto o setor de Pesca, Pescados e Aqüicultura é o que menos acredita num aquecimento da economia (2,5).
O levantamento do Anuário Exame de Agronegócio foi realizado com o apoio técnico da FGV Projetos, braço de pesquisas da Fundação Getulio Vargas. Para saber sobre a metodologia da pesquisa, clique aqui.