PANORAMA3-Problemas com dívida de Dubai inquietam mercado

26 de Novembro de 2009 | 18:23

SÃO PAULO, 26 de novembro (Reuters) - O radar dos investidores voltou-se para Dubai nesta quinta-feira de feriado norte-americano. O anúncio de não pagamento da dívida de duas grandes empresas do emirado, a Dubai World e a Nakhell, levantou temores sobre a possível exposição de bancos ao problema e derrubou os mercados.

"As preocupações sobre Dubai tiveram um papel maior em tumultuar o humor dos mercados num momento em que os Estados Unidos estão fechados (pelo Dia de Ação de Graças) e não há mais nada vindo de qualquer outro lugar", afirmou Peter Dixon, economista do Commerzbank.

Na Europa, a notícia derrubou ações de bancos. O índice FTSEurofirst 300 <.FTEU3> fechou em baixa de 3,2 por cento, maior queda percentual diária em sete meses.

A aversão a risco no ambiente internacional fortaleceu o dólar <.DXY> frente a várias divisas, com o euro chegando a cair abaixo de 1,50 dólar, o que afetou as commodities negociadas na Europa.

O declínio de ações de bancos europeus e dos preços das matérias-primas reverberou no mercado acionário brasileiro, dando argumento para investidores embolsarem lucros, após o Ibovespa atingir na véspera a máxima em 17 meses. O segmento cambial também foi afetado pelo quadro externo, com o dólar valorizando-se ante o real.

O mercado de juros futuros conseguiu desviar da influência externa, em uma sessão repleta de indicadores econômicos domésticos, com destaque para o IPCA-15 e a taxa de desemprego, que favoreceram a alta nas taxas dos contratos de DI.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 subiu 0,44 por cento em novembro, ante avanço de 0,18 por cento em outubro. As projeções apuradas pela Reuters variavam de 0,30 a 0,38 por cento, com mediana em 0,35 por cento.

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país caiu para 7,5 por cento em outubro, menor nível desde dezembro passado e abaixo das previsões.

A Fiesp anunciou que a indústria paulista cresceu pelo segundo mês consecutivo em outubro, em 1,6 por cento, com a capacidade instalada chegando a 82 por cento.

Ainda nesta sessão, o Banco Central informou que o setor público teve superávit primário de 13,818 bilhões de reais em outubro, ante 18,731 bilhões de reais em igual período do ano passado. A medidana das projeções apuradas pela Reuters indicava resultado positivo de 13,75 bilhões de reais.

Em 12 meses encerrados em outubro, o superávit primário foi equivalente a 1,0 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,17 por cento do PIB em 12 meses até setembro.

Veja como fecharam os principais mercados desta quinta-feira:

CÂMBIO

O dólar terminou negociado a 1,750 real, em alta de 1,39 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA <.BVSP>

O Ibovespa caiu caiu 2,25 por cento, a 66.391 pontos. O volume financeiro na bolsa totalizou 3,87 bilhões de reais.

JUROS <0#2DIJ:>

O DI janeiro de 2011 projetava 10,28 por cento ao ano no call das 16h, ante 10,19 por cento no ajuste anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código )

(Por Paula Laier; Edição de Daniela Machado)

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