BOVESPA-Em dia sem NY, Dubai gera aversão a risco e ações caem

26 de Novembro de 2009 | 18:36

(Texto atualizado com dados oficiais de fechamento, mais informações e comentário de analista)

Por Paula Laier

SÃO PAULO, 26 de novembro (Reuters) - As blue chips Petrobras e Vale e os papéis de bancos derrubaram o principal índice do mercado acionário brasileiro nesta quinta-feira, após problemas envolvendo um importante conglomerado em Dubai estressarem investidores.

A ausência de operações em Wall Street, em razão do feriado pelo Dia de Ação de Graças, reduziu o volume na bolsa local.

No fechamento, o Ibovespa <.BVSP> registrou queda de 2,25 por cento, a 66.391 pontos. O volume financeiro da sessão totalizou 3,87 bilhões de reais.

Na noite de quarta-feira, o governo de Dubai informou que pediria aos credores das empresas Dubai World e Nakheel [NAKHD.UL] que concordassem com o adiamento do pagamento de bilhões de dólares em dívidas das duas companhias, uma vez que estava reestruturando o grupo Dubai World.

A notícia reavivou as preocupações com o setor financeiro, derrubando ações de bancos na Europa --por temor de exposição aos bônus em Dubai--, o que contagiou os papéis de instituições no Brasil. Entre elas, destaque para a preferencial de Itaú Unibanco , que caiu 3,27 por cento, a 37,52 reais.

Na Europa, o índice FTSEurofirst 300 <.FTEU3> fechou em baixa de 3,2 por cento, no menor nível de fechamento em três semanas.

A aversão a risco que se instaurou no ambiente internacional fortaleceu o dólar <.DXY> frente a várias divisas, com o euro chegando a cair abaixo de 1,50 dólar, o que debilitou as commodities negociadas na Europa e afetou negativamente as principais ações do Ibovespa.

Petrobras encerrou em baixa de 2,53 por cento, a 38,45 reais, enquanto Vale cedeu 2,05 por cento, a 42,48 reais.

Vale ponderar, contudo, que o Ibovespa atingira na véspera a máxima em 17 meses, após uma sequência de três altas, com ganho de 2,4 por cento nesse período. Alguns investidores aproveitaram a notícia de Dubai para realizar lucros.

Na visão de Humberto Guidi, operador autônomo e analista gráfico na corretora Magliano, em São Paulo, a reação às notícias de Dubai representa um alerta de curto prazo, mas não chega a afetar a tendência de alta da bolsa brasileira.

"O Ibovespa está bastante valorizado e todo mundo está de sobreaviso constante para não perder rendimento logo no final de ano. Não é algo muito 'vendável' para a indústria de fundos", lembrou o profissional.

No ano, o índice brasileiro já acumula ganho de 77 por cento.

Entre as poucas altas, as ações ordinárias da Eletrobrás subiram 2,44 por cento, a 29,40 reais, em meio a rumores sobre pagamento de dividendos. A preferencial valorizou-se 0,59 por cento, a 25,40 reais.

Fora do índice, Banco Panamericano caiu 6,45 por cento, a 8,70 reais, após confirmar que mantém conversações para venda de cerca de 35 por cento de seu capital para a CaixaPar, braço de participações da Caixa Econômica Federal.

(Edição de Daniela Machado)

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