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Sempre que vai a uma festa, seja a trabalho, seja a lazer, o venezuelano naturalizado mexicano Reinaldo Santana, de 36 anos, tem um comportamento meio estranho. Não tira os olhos dos copos dos outros convidados -- quer saber o que todos estão bebendo. Quando vai a um supermercado, presta atenção em todos os produtos que estão em promoção nas prateleiras. Nos corredores de um shopping center, não deixa nenhuma tendência da moda passar despercebida. Obcecado por consumo, Santana está sempre com o radar ligado. Esse é seu padrão, esteja em São Paulo, Santiago, Nova York ou na Cidade do México, onde trabalha na corretora do Deutsche Bank. Quando produz relatórios de análises de ações de 25 companhias de consumo de México, Brasil e Chile, estimando o potencial de alta ou de baixa desses papéis, Santana aproveita muitas dessas informações coletadas nas ruas, além, claro, dos balanços das empresas e de dados sobre o setor.
Foi esse profissional obcecado pelo trabalho que venceu o prêmio analista de ações de 2007 do Guia EXAME de Investimentos Pessoais -- que destaca quem previu com mais precisão a oscilação de papéis da Bolsa de Valores de São Paulo nos últimos dois anos. Com informações da consultoria Thomson Financial, o Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas analisou relatórios elaborados por 47 analistas de 16 corretoras entre julho de 2005 e junho de 2007 -- o prazo considerado mínimo para formar a base de dados necessária para a avaliação.
null A Fundação Getulio Vargas comparou a recomendação feita por esses profissionais com o desempenho real da ação em cada semana, quinzena e mês e atribuiu notas a erros e acertos. Com essas informações, criou o ranking no qual Santana foi o primeiro colocado, com um índice de acerto de 49%. "É uma probabilidade de acerto muito boa à luz das condições do mercado", afirma Ricardo Rochman, professor do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas e responsável pelo estudo. O fato de Santana, formado em administração pela Eastern Michigan University, nos Estados Unidos, ter feito poucas recomendações em dois anos revela bastante de seu perfil. Isso significa, segundo Rochman, que o analista é conservador e seletivo. "É melhor, para o investidor, um analista que se aprofunda em suas análises do que aquele que arrisca e dispara para todos os lados", diz Rochman.