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Os fundos de small caps estão entre as grandes promessas da bolsa brasileira. Especializados no investimento em empresas que têm baixo valor de mercado (menos de 5 bilhões de reais) e cujas ações são pouquíssimo negociadas (menos de 4 milhões de reais por pregão), os small caps são os que mais têm a ganhar quando o país receber das agências internacionais de risco a nota de grau de investimento, que atesta a baixa probabilidade de calote. Essa mudança, esperada para 2008, dará novo status a ações como as do desconhecido banco Banestes, do Espírito Santo, da construtora carioca João Fortes e da fabricante de ônibus gaúcha Marcopolo. O motivo? Esses papéis devem se beneficiar com a chegada de fundos de investidores estrangeiros, hoje impedidos de aplicar no Brasil porque seus estatutos proíbem países que ainda não são grau de investimento. Companhias como Petrobras, Vale do Rio Doce e Ambev têm a nota máxima das agências de risco e, por isso, já recebem aplicações desses grandes fundos na bolsa de Nova York. "A elevação da nota do país traz poucos benefícios adicionais aos fundos de ações que aplicam nessas empresas", diz Márcio Appel, diretor executivo de gestão de recursos do banco Santander.
Além de ter suas ações no radar dos investidores internacionais, os small caps também devem se beneficiar de um ciclo virtuoso esperado para a economia brasileira. A conquista do grau de investimento, quando se concretizar, será resultado de um conjunto de fatores positivos, como maior estabilidade monetária, queda dos juros e crescimento do PIB. Trata-se de um cenário que favorece os negócios de todas as companhias -- grandes ou pequenas -- que são voltadas para o mercado interno. Outra conseqüência é o fato de o crescimento da economia, aliado à estabilidade, incentivar a consolidação de vários setores -- e os alvos prioritários são as pequenas e médias empresas. "Um ambiente favorável dá condições para que companhias de menor porte se tornem mais eficientes e lucrativas, o que aumenta as chances de ser vendidas", diz Eduardo Favrin, diretor de renda variável do HSBC Investments.
Essas expectativas positivas já estão atraindo fundos e investidores individuais para os papéis de small caps, o que contribui para valorizar suas ações. O patrimônio do fundo de small caps do HSBC, por exemplo, aumentou de apenas 6,5 milhões de reais, em dezembro, para 250 milhões de reais hoje -- crescimento de mais de 3 500%. O fundo do Unibanco, o mais rentável da categoria, entregou aos cotistas um rendimento de 68% nos 12 meses terminados em agosto, segundo levantamento feito pelo Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas. No mesmo período, o Índice Bovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, subiu 51%.

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