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Um ditado bastante difundido no mercado financeiro diz que a bol- sa costuma subir mais no boato do que no fato. Boas notícias sobre uma empresa, por exemplo, fazem suas ações se valorizar nos meses que antecedem a divulgação dos números. Quando o anúncio oficial é feito, normalmente a cotação dos papéis passa a andar de lado -- e pode até cair, à espera de novas promessas. Nos últimos meses, um recorrente boato tem feito a alegria dos aplicadores na Bolsa de Valores de São Paulo -- o de que o Brasil receberá, já em 2008, a nota de grau de investimento de agências internacionais de classificação de risco, uma espécie de selo de qualidade que atesta a baixíssima probabilidade de um calote da dívida. É o que explica, em grande parte, os 380% de valorização do Índice Bovespa, principal indicador do desempenho da bolsa, desde 2003. "É um grande evento, que deixa os investidores estrangeiros mais confiantes e valoriza as ações das empresas brasileiras mesmo antes de ser consumado", diz Roberto Padovani, estrategista sênior de investimentos para a América Latina do banco WestLB.
A grande pergunta hoje é se o período de valorização alimentado pelo boato já está perto do fim ou se há espaço para novas altas. A maioria dos especialistas ouvidos pelo Guia EXAME diz que ainda dá para ganhar dinheiro nesse mercado. "As ações brasileiras continuam baratas quando comparadas às de outros países", diz Nick Timberlake, diretor de renda variável para mercados emergentes do HSBC. O executivo dá a medida de sua confiança dizendo que o banco aumentou neste ano a participação do Brasil na carteira de seu fundo Bric, que aplica em ações de companhias brasileiras, indianas, russas e chinesas. Nem mesmo a turbulência que atinge as bolsas mundiais desde o final de julho conseguiu aplacar a confiança dos especialistas. No mês passado, em meio à volatilidade dos pregões provocada por problemas no mercado de crédito imobiliário dos Estados Unidos, a agência de avaliação de risco Moody's elevou a nota do Brasil, deixando o país a um passo do grau de investimento. "Com a crise, poderá haver alguma desaceleração do crescimento mundial e de países como o Brasil, mas nada tão grave que justifique, ao menos até agora, uma reversão do caminho para o investment grade", diz Mark Mobius, diretor da americana Franklin Templeton, uma das maiores gestoras de recursos do mundo. Para Mobius e para todos os especialistas consultados pelo Guia EXAME, a tendência para a bolsa nos próximos meses é positiva -- ainda que não estejam descartados novos solavancos, como os das últimas semanas.

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