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Nos últimos quatro anos, a Bolsa de Valores de São Paulo passou a fazer parte da vida de um contingente crescente de brasileiros. O número de pessoas que começaram a investir diretamente em ações desde 2003 soma quase 200 000. Se forem contabilizados os que chegaram ao mercado de capitais via fundos de ações, esse número ultrapassa a barreira do milhão. Para todos esses estreantes em bolsa, até agora ação era sinônimo de valorização e alegria. O Índice Bovespa, principal indicador de desempenho da bolsa paulista, bateu recorde atrás de recorde até chegar à máxima histórica de 58 124 pontos em 19 de julho deste ano. É verdade que alguns tropeços tinham dado um susto momentâneo. A turbulência de maio de 2006, causada pelo temor de um maior aperto monetário nos Estados Unidos, e a de fevereiro deste ano, iniciada na China, assustaram, não há dúvida. Mas o período de incerteza nesses dois episódios durou pouco -- algumas semanas em 2006, poucos dias no começo do ano.
O grande choque de realidade para os novos aplicadores brasileiros é justamente o momento atual. Pela primeira vez em muito tempo, a palavra crise voltou ao vocabulário de economistas, analistas e investidores em geral. Desde que a inadimplência do mercado de crédito imobiliário americano contagiou grandes bancos nos Estados Unidos, espalhou-se para a Europa e derrubou pregões mundo afora, foram muitos os momentos de tensão. Na quinta-feira 16 de agosto, o Índice Bovespa chegou a cair 8,8% durante o pregão. O Ibovespa foi tragado pela saída de investidores estrangeiros, é certo, mas também pela corrida de brasileiros. Desde então, a bolsa tem alternado momentos de certa tranqüilidade com quedas abruptas, acompanhando a volatilidade internacional. Pela primeira vez em anos, a percepção geral no mercado financeiro mundial é de que há, sim, o risco de uma crise mais séria. Milhares de pequenos aplicadores estão tendo de conviver com essa nova realidade. "Ainda que não tenha chegado ao fim, essa turbulência já deixou várias lições para os brasileiros recém-chegados ao mercado de capitais", diz o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, economista-chefe da Quest Investimentos, gestora de recursos com sede em São Paulo.