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Meu salário por uma incubadora

 |  24.04.2009

A trajetória de três engenheiros que trocaram um emprego de vários anos numa empresa de equipamentos hospitalares para se arriscar no mesmo setor

 

Ricardo Correa

Kinjo, Suzuki e Ueda: desafio de traçar um modelo de negócios consistente e com potencial de crescimento

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Por Fabrício Marques

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Um motivo por trás da decisão de muita gente que deixa a carreira executiva para fundar o próprio negócio é acreditar firme numa ideia que não foi levada adiante pelos antigos patrões. O desafio é fazer com que aquela ideia dê origem a um modelo de negócios consistente e que cresça. A trajetória dos engenheiros Tatsuo Suzuki, de 59 anos, Wataru Ueda, de 48, e Toru Miyagi Kinjo, de 38, fundadores da fabricante paulista de equipamentos médicos Magnamed, também começou assim.

Com quatro anos de vida, a Magnamed já atraiu um fundo de investimento e a previsão para 2009 é faturar 4 milhões de reais. As receitas estão vindo com o desenvolvimento de produtos como um calibrador para respiradores artificiais que custa um terço dos similares importados. Além disso, os produtos da Magnamed são formados por módulos - o que não exige a parada completa das máquinas para a manutenção. "É comum os leitos de hospitais não poderem ser utilizados porque parte do equipamento tem de ser consertada", diz Suzuki, que já tinha trabalhado dez anos no Instituto do Coração, em São Paulo. "Numa UTI, esse é um custo fixo enorme."

A necessidade dos hospitais de algo desse tipo já tinha sido detectada pelos sócios no passado, durante os anos em que os três trabalharam na K. Takaoka, uma das maiores empresas do setor. Mas não foi possível realizar a proposta ali - em 2005, a K. Takaoka passou por uma reestruturação e os três se viram desempregados. Em vez de procurar um novo trabalho, eles resolveram se unir para projetar um dispositivo de respiração para equipamentos de anestesia.

Com esse projeto nas mãos, Suzuki, Ueda e Kinjo procuraram a incubadora paulistana Cietec, instalada na Universidade de São Paulo, e fundaram a Magnamed. "Acho que só tomei coragem de ter meu próprio negócio porque meu único filho já se formou e não depende mais de mim", diz Suzuki.

Parte da força da Magnamed está em parcerias com grandes fabricantes. Esses acordos surgiram da necessidade de resolver um entrave burocrático: enquanto a Anvisa, órgão do governo que regula o setor, não autorizar, a Magnamed não pode vender seus produtos diretamente aos hospitais. "O melhor caminho era fazer acordos com empresas do setor que já tivessem essa licença", diz Ueda. Nas parcerias, os módulos da Magnamed são encaixados em equipamentos maiores fabricados e comercializados por terceiros.


Fatores de atração

O primeiro produto - que motivou os sócios a fundar o negócio - foi incorporado a um equipamento produzido pela fornecedora J. G. Moriya. "A parceria com a Magnamed nos ajudou a aprimorar a tecnologia do nosso equipamento com preços competitivos", diz Juan Goro Moriya, dono da J.G. Moriya.

A viabilidade comercial garantida pelas parcerias foi um dos fatores que chamaram a atenção dos gestores do Criatec, fundo para novos negócios vinculado ao BNDES. Em outubro de 2008, o Criatec investiu 1,5 milhão de reais no negócio, tornando-se sócio minoritário. "É provável que, mesmo sem isso, os sócios conseguissem levar a empresa adiante", diz Francisco Jardim, gestor do Criatec em São Paulo. "Mas o aporte fará com que os objetivos sejam alcançados num prazo bem mais curto." A expectativa é que a empresa chegue a receitas de 35 milhões a 40 milhões de reais em 2012.

A chegada do BNDES trouxe também desafios. A liberação do aporte está atrelada ao cumprimento de metas. Em julho, por exemplo, um novo produto deverá ficar pronto. Outra parte do dinheiro está prevista para novembro, quando o certificado da Anvisa que permite a venda aos hospitais deverá ser emitido. Esse momento talvez inaugure o maior desafio que a Magnamed tem pela frente - manter uma boa relação com os atuais parceiros e, ao mesmo tempo, lançar-se no mercado como possível concorrente de alguns deles.
 

 
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