Ganhar fôlego é um desafio para muitas pequenas e médias empresas que precisam crescer em setores pouco desbravados. Os cinco sócios da Fazenda Marinha Atlântico Sul, de Florianópolis, uma das principais produtoras de ostras do país, estão conseguindo ultrapassar essa barreira. Para isso, foi preciso que eles superassem as rivalidades do tempo em que estavam organizados em três empresas distintas para juntar forças. A aliança permitiu iniciar um período de crescimento. Neste ano, a Atlântico Sul deve faturar 2,8 milhões de reais -- 40% mais do que no ano passado.
| Frutos da união |
| Os ganhos dos concorrentes ao atuar em conjunto |
| Logística A falta de escala inviabilizava o transporte das ostras. Foi possível fechar um contrato com a TAM, que as entrega em até 18 horas |
| Diversificação O aumento na produção permite que a empresa desenvolva novas linhas de produtos, como mariscos defumados |
| Pessoas A empresa atraiu funcionários especializados. Estagiários de países como a França são contratados para se aprofundar em maricultura |
Um grande empecilho era garantir um fornecimento seguro ao Rio de Janeiro e a São Paulo das ostras e dos mexilhões cultivados ao redor da ilha de Santa Catarina. Os moluscos precisavam ser transportados de avião para chegar frescos a mesas de bares e restaurantes a mais de 1 000 quilômetros de distância. "Éramos pequenos demais para fechar contratos de transporte a um custo que permitisse ter preços competitivos", diz o geógrafo Ruy Avila Wolf, sócio da Atlântico Sul. Da fusão veio a escala necessária para fechar uma parceria com a TAM para a entrega de ostras em até 18 horas. "Agora podemos atender pedidos no mesmo dia", diz o sócio Mauro Campos de Almeida, de 49 anos. O próximo passo é conquistar os supermercados. Uma linha de ostras congeladas e mexilhões defumados em embalagens foi desenvolvida para uma ou duas pessoas, visando consumidores de alto poder aquisitivo. "Conquistar o varejo é estratégico para empresas com o perfil da Atlântico Sul", diz o engenheiro Eduardo Schulter, consultor da Associação Catarinense de Aqüicultura. "Elas precisam se posicionar para enfrentar grandes companhias de alimentos que também estão de olho nesse mercado."
