Nos últimos seis anos, o empresário Fernando Gabas, de 30 anos, contou com o apoio de uma marca poderosa para criar uma rede de franquias que vende equipamentos de ginástica. Batizada de Reebok Fitness, a empresa começou com quatro lojas, em 2002, distribuindo no Brasil esteiras e bicicletas ergométricas produzidas no exterior com a assinatura de uma das principais grifes de material esportivo do planeta. No ano passado, a rede já contava com 25 lojas no Brasil -- quatro próprias e 21 franqueadas -- que juntas faturaram 50 milhões de reais. Mas, enquanto muitos empreendedores levam anos para tornar a marca conhecida, Gabas agora está declarando independência do nome famoso. As lojas da rede mudaram o nome Reebok Fitness, a marca da empresa para equipamentos de ginástica, para Fit4 Fitness Store. A troca acontece justamente no momento em que a empresa começa a se internacionalizar. No final de abril, a rede estava prestes a abrir em Buenos Aires sua primeira loja no exterior. A segunda está prevista para os próximos meses, em Santiago, no Chile. "Acredito que haja um grande potencial para crescer no mercado sul-americano", diz Fernando Gabas. "E penso que seja saudável fortalecer um nome só nosso, ao mesmo tempo que continuaremos dando destaque à Reebok nas fachadas de nossas lojas."
O empresário -- principal acionista da rede, com mais três sócios, ex-colegas de Fundação Getulio Vargas que Gabas conheceu quando cursava administração de empresas -- garantiu a licença para usar a marca Reebok na América do Sul logo depois de deixar um emprego como diretor em uma importadora de equipamentos de ginástica, onde começou a trabalhar aos 19 anos, em 1999. Pelo menos até agora, a marca foi um dos itens fundamentais para que a rede de franquias atingisse um dos pedaços mais rentáveis do mercado brasileiro de equipamentos de ginástica, que no ano passado teria movimentado no país algo em torno de 500 milhões de reais, nas estimativas da Reebok. "Conseguimos chegar a clientes de classe média alta que querem uma esteira para pôr no apartamento e a condomínios de alto padrão que montam suas próprias academias para os moradores", diz Gabas. A esteira mais barata vendida nas lojas de Gabas não sai por menos de 2 500 reais -- pelo menos três vezes mais que um equipamento similar vendido no varejo tradicional. A empresa vinha sendo bem-sucedida em atender esse público -- tanto que, em 2006, os designers da companhia americana passaram a produzir linhas específicas para o mercado brasileiro. "Aqui as pessoas querem equipamentos mais robustos, diferentemente dos japoneses e americanos, que preferem esteiras e bicicletas menores e mais fáceis de guardar", diz Gabas. "O consumidor brasileiro também dá valor a dispositivos eletrônicos, como sensores ópticos para alterar a velocidade da esteira. Em outros países, isso não é tão valorizado."
| Passo a passo | |
| Evolução das receitas da Reebok Fitness no Brasil (em reais) | |
| 2002 | 9 milhões |
| O início Depois de largar o emprego em uma importadora, Gabas viu espaço para crescer vendendo equipamentos de ginástica a consumidores de alto poder aquisitivo. Obteve a licença da Reebok Fitness e deu início à rede | |
| 2007 | 50 milhões |
| A consolidação As boas vendas fizeram com que a Reebok passasse a desenhar produtos especiais para o mercado brasileiro. A rede chegou a 25 lojas em dez estados e acaba de abrir em Buenos Aires a primeira unidade fora do Brasil | |
| 2013 | 280(1) milhões |
| O futuro No segundo semestre, Gabas pretende abrir uma loja em Santiago, no Chile. A meta é chegar a 188 unidades na América do Sul em cinco anos. Agora, ele quer deixar de lado o nome Reebok e fortalecer sua marca, a Fit4 | |
| (1) Previsão Fonte: empresa | |
Por que, então, mudar a marca das lojas? Um dos motivos é que a rede, hoje, vende produtos de outras marcas em linhas nas quais a Reebok, especializada em equipamentos residenciais e semiprofissionais, não atua. No caso de aparelhos de ginástica profissionais para academias, a empresa de Gabas é distribuidora exclusiva da marca americana Cybex, um dos principais fabricantes desse mercado. "O nome Reebok ainda terá lugar de destaque nas lojas, mas já não é nosso único negócio", diz o empresário. Para o consultor Marcus Rizzo, especialista em franquia que vem auxiliando a estruturação da Fit4, a estratégia faz sentido. Ela evitaria, por exemplo, conflitos futuros pelo uso da marca -- algo que pode ocorrer, uma vez que os contratos com os franqueados de Gabas podem chegar a prazos de dez anos, e a licença para uso do nome Reebok, renovada recentemente, vale por quatro anos. "A empresa tem relacionamentos diferentes com a Reebok e com os franqueados", afirma Rizzo.
A meta para os próximos cinco anos é chegar a 100 lojas no Brasil e a 88 nos demais países sul-americanos. Quais são os riscos que a empresa vai enfrentar agora, enquanto internacionaliza a rede e, aos poucos, deixa de lado o nome Reebok? Para Gabas, um dos desafios a superar será manter o controle sobre a operação à medida que ela for crescendo. "Precisaremos ter cuidado para não perder nossa identidade e nossos padrões ao atuar em mercados fora do país", afirma ele.

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