| Prêmio potencial de crescimento |
| Vasco Oliveira Neto 33 anos, advogado e administrador de empresas |
| Empresa AGV (SP), operador logístico |
| Receitas em 2006 78 milhões de reais |
| Receitas em 2007 98 milhões de reais(1) |
| Por que ganhou Começou o negócio com um investimento de 20 000 reais e está crescendo no promissor mercado de operadores logísticos |
| (1) Previsão |
A AGV nasceu para transportar e armazenar matérias-primas e produtos de outras empresas. Ao longo do tempo, evoluiu. Hoje, ela é capaz de tomar conta de toda a inteligência por trás do entra-e-sai na cadeia de suprimentos de seus clientes --o que faz dela aquilo que o mercado chama de operador logístico. Com funcionários alocados dentro das fábricas dos clientes, a AGV desempenha tarefas vitais. Entre outras atribuições, controla o recebimento de materiais, movimenta estoques na linha de produção e os inspeciona. Atuando num mercado com grandes concorrentes internacionais, como as multinacionais CEVA Logistics (antiga TNT) e DHL Exel, conquistou um bom espaço. Entre seus clientes estão grandes empresas de diferentes setores, como a Kibon, de sorvetes, a Purina Cargill, de rações para animais, e os laboratórios Bayer e Schering.
O setor em que a AGV trabalha está em expansão no mundo todo. Como a competição não se dá mais entre empresas, mas entre cadeias inteiras de suprimentos, contar com uma logística azeitada é estratégico. "No Brasil, com seus empecilhos extras, como portos congestionados e estradas esburacadas, a logística tem importância ainda maior", diz Giovanni Fiorentino, sócio da consultoria Bain & Company, um especialista no assunto. "O potencial de crescimento para empresas capazes de fazer o leva-e-traz da forma mais rápida e ao menor custo é enorme." Por essas razões, Oliveira ficou com o prêmio Endeavor & EXAME PME, na categoria potencial de crescimento.
Oliveira começou sua carreira de empreendedor com a tarefa ingrata de sepultar a empresa do pai. Na faculdade, ele leu, num livro do guru americano Michael Porter, um capítulo que listava as características típicas de empreendimentos em mercados com alta probabilidade de fracasso -- aqueles com índices elevados de informalidade, pouco poder de barganha com os clientes, aumento de custos à medida que a companhia cresce, mercado segmentado, cultura do setor conivente com desvios éticos. "Fiquei assustado", diz Oliveira. "Era o retrato do negócio da minha família." Como trabalho de faculdade, ele fez uma análise dos riscos, desafios e vantagens competitivas do frigorífico. A conclusão foi desoladora. "Era melhor fechar as portas o quanto antes", diz.
Munido dos argumentos obtidos na pesquisa, foi falar com o pai, que, de início, refutou a idéia. "Passei uns bons meses estudando o assunto e juntando mais razões para convencê-lo", diz Oliveira. Quando seu pai, rendido, tomou a decisão de fechar as portas do negócio, Oliveira, então com 20 anos, teve de ajudá-lo. Passou pela experiência de reunir cerca de 500 pessoas num pátio para anunciar demissões em massa. Também se encontrou com pecuaristas e fornecedores para renegociar dívidas. "Em algumas reuniões, as pessoas traziam revólveres na cintura", afirma.
No final de 1997, pouco após a falência do frigorífico, ele foi convidado pelo empresário Ricardo Mansur, conhecido de sua família, para trabalhar na loja de departamentos Mappin. Meses depois, a rede anunciou que também estava falindo. Mais uma vez, Oliveira teve de agir como coveiro, demitindo gente. Depois da falência do Mappin, o empreendedor voltou para casa e foi administrar as ruínas do frigorífico no depósito de Vinhedo, que ficara para sua mãe após a separação do casal. A idéia de montar um operador logístico surgiu, em parte, de suas observações no Mappin. "Quando estava na rede, vi que logística é um problema sério", diz.
Oliveira conta que a logística o ensinou que planejar é essencial -- e não só para os negócios. Às vésperas do Réveillon, ele monta planilhas em Excel com os desejos de fim de ano e os passos para realizá-los. "Adoro planilhas, elas funcionam muito bem para isso", diz. "Vivo pedindo para minha mulher também fazer uma para ela." Em novembro, nasceu a segunda filha do casal, Maria Clara. "Ela também estava no planejamento", diz Oliveira. "E, logo, logo, a nenê terá sua própria planilha."