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 | 06.12.2007

Depois de participar de um processo de falência da empresa da família, Vasco Oliveira Neto criou a AGV e cresce no promissor mercado de operadores logísticos

 

Oliveira Neto, da AGV: prêmio de potencial de crescimento

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Por Luciana Barreto

EXAME 

Prêmio potencial de crescimento
Vasco Oliveira Neto
33 anos, advogado e administrador de empresas
Empresa AGV (SP),
operador logístico
Receitas em 2006
78 milhões de reais
Receitas em 2007
98 milhões de reais(1)
Por que ganhou
Começou o negócio com um investimento de 20 000 reais e está crescendo no promissor mercado de operadores logísticos
(1) Previsão

O prédio de um velho armazém em Vinhedo, no interior de São Paulo, evoca dois sentimentos contraditórios no empreendedor paulista Vasco Oliveira Neto, de 33 anos. "O lugar me faz recordar uma fase difícil para toda a minha família", diz. "Mas também é um símbolo de vitórias e alegrias." Em 1997, o depósito era o último resquício do frigorífico falido de seu pai. Mas foi ali, naquele armazém, que em 1999 Oliveira criou a AGV Logística, empresa que deve obter receitas de 98 milhões de reais em 2007 -- cerca de 25% mais que no ano passado.

A AGV nasceu para transportar e armazenar matérias-primas e produtos de outras empresas. Ao longo do tempo, evoluiu. Hoje, ela é capaz de tomar conta de toda a inteligência por trás do entra-e-sai na cadeia de suprimentos de seus clientes --o que faz dela aquilo que o mercado chama de operador logístico. Com funcionários alocados dentro das fábricas dos clientes, a AGV desempenha tarefas vitais. Entre outras atribuições, controla o recebimento de materiais, movimenta estoques na linha de produção e os inspeciona. Atuando num mercado com grandes concorrentes internacionais, como as multinacionais CEVA Logistics (antiga TNT) e DHL Exel, conquistou um bom espaço. Entre seus clientes estão grandes empresas de diferentes setores, como a Kibon, de sorvetes, a Purina Cargill, de rações para animais, e os laboratórios Bayer e Schering.

O setor em que a AGV trabalha está em expansão no mundo todo. Como a competição não se dá mais entre empresas, mas entre cadeias inteiras de suprimentos, contar com uma logística azeitada é estratégico. "No Brasil, com seus empecilhos extras, como portos congestionados e estradas esburacadas, a logística tem importância ainda maior", diz Giovanni Fiorentino, sócio da consultoria Bain & Company, um especialista no assunto. "O potencial de crescimento para empresas capazes de fazer o leva-e-traz da forma mais rápida e ao menor custo é enorme." Por essas razões, Oliveira ficou com o prêmio Endeavor & EXAME PME, na categoria potencial de crescimento.

Oliveira começou sua carreira de empreendedor com a tarefa ingrata de sepultar a empresa do pai. Na faculdade, ele leu, num livro do guru americano Michael Porter, um capítulo que listava as características típicas de empreendimentos em mercados com alta probabilidade de fracasso -- aqueles com índices elevados de informalidade, pouco poder de barganha com os clientes, aumento de custos à medida que a companhia cresce, mercado segmentado, cultura do setor conivente com desvios éticos. "Fiquei assustado", diz Oliveira. "Era o retrato do negócio da minha família." Como trabalho de faculdade, ele fez uma análise dos riscos, desafios e vantagens competitivas do frigorífico. A conclusão foi desoladora. "Era melhor fechar as portas o quanto antes", diz.

Munido dos argumentos obtidos na pesquisa, foi falar com o pai, que, de início, refutou a idéia. "Passei uns bons meses estudando o assunto e juntando mais razões para convencê-lo", diz Oliveira. Quando seu pai, rendido, tomou a decisão de fechar as portas do negócio, Oliveira, então com 20 anos, teve de ajudá-lo. Passou pela experiência de reunir cerca de 500 pessoas num pátio para anunciar demissões em massa. Também se encontrou com pecuaristas e fornecedores para renegociar dívidas. "Em algumas reuniões, as pessoas traziam revólveres na cintura", afirma.

No final de 1997, pouco após a falência do frigorífico, ele foi convidado pelo empresário Ricardo Mansur, conhecido de sua família, para trabalhar na loja de departamentos Mappin. Meses depois, a rede anunciou que também estava falindo. Mais uma vez, Oliveira teve de agir como coveiro, demitindo gente. Depois da falência do Mappin, o empreendedor voltou para casa e foi administrar as ruínas do frigorífico no depósito de Vinhedo, que ficara para sua mãe após a separação do casal. A idéia de montar um operador logístico surgiu, em parte, de suas observações no Mappin. "Quando estava na rede, vi que logística é um problema sério", diz.

Oliveira conta que a logística o ensinou que planejar é essencial -- e não só para os negócios. Às vésperas do Réveillon, ele monta planilhas em Excel com os desejos de fim de ano e os passos para realizá-los. "Adoro planilhas, elas funcionam muito bem para isso", diz. "Vivo pedindo para minha mulher também fazer uma para ela." Em novembro, nasceu a segunda filha do casal, Maria Clara. "Ela também estava no planejamento", diz Oliveira. "E, logo, logo, a nenê terá sua própria planilha."

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