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Na hora do brinde

 | 29.11.2007

As comemorações de fim de ano nas pequenas e médias empresas podem ficar muito caras, muito chatas -- ou ambas. Veja como alguns empreendedores criativos evitam isso

 

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Por Arlete Lorini e Hugo Vidotto

EXAME 

Durante oito anos, quase nada mudou nas comemorações de Natal para os filhos dos funcionários da fabricante de acessórios para picapes e veículos utilitários Keko, que fatura 53 milhões de reais por ano. Num domingo de dezembro, a empresa reunia todos em sua sede, na cidade serrana de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, para uma festa com atrações infantis, como Papai Noel e palhaços, além de doces e refrigerantes. Aos poucos, o pessoal foi enjoando e, em 2006, ficou evidente que era hora de mudar -- menos da metade dos 308 funcionários da Keko compareceu. "Aquela fórmula não funcionava mais", diz Leandro Mantovani, sócio da empresa. "Era preciso repensar tudo."

Neste ano, nos dias que antecederem a véspera de Natal, motoristas uniformizados de Papai Noel vão percorrer as ruas da cidade -- em carros equipados com acessórios da Keko -- para levar bolas, carrinhos e bonecas de presente para os filhos dos funcionários. As crianças da vizinhança vão ganhar doces. "Visitaremos as casas para demonstrar o quanto a equipe e a comunidade são importantes para a empresa", diz Mantovani. Na sede haverá apenas um almoço especial e uma confraternização simples no fim do expediente. As comemorações vão custar bem menos do que as de anos anteriores, e a diferença será usada para triplicar o valor da cesta de Natal distribuída anualmente à equipe.

Assim como a maioria dos pequenos e médios empresários, Mantovani não sabia exatamente o que programar para os festejos de encerramento. Não fazer nada pode deixar no ar a impressão de que as empresas não estão nem aí para os funcionários. Por outro lado, festas de firma dificilmente agradam a todos. E, como pequenas e médias empresas não têm condições de despender altas somas nesse tipo de coisa, é grande o risco de desperdiçar dinheiro com eventos em que as pessoas comparecem por obrigação e depois vão embora falando mal da comida.

Por isso tantos empreendedores têm se esforçado para inovar nessa hora. Entre eles há uma tendência de promover eventos que tenham algum significado relacionado com o momento pelo qual a empresa esteja passando. No caso da Keko, por exemplo, a preocupação com as crianças que não são filhos dos funcionários é um reflexo da necessidade crescente de incluir, na lista de fatores que merecem atenção, as comunidades em que as pequenas e médias empresas estão inseridas. Em outros casos, a idéia é pôr em evidência um assunto que mereça reflexão ou simplesmente fortalecer o espírito de equipe.

É o caso da Imaginarium, rede catarinense de objetos de decoração que deve faturar 60 milhões de reais em 2007. Para este ano, a empresa elaborou uma gincana diferente. Os funcionários vão formar duplas que receberão 10 reais. Com o dinheiro, cada dupla terá um prazo para ir às ruas e comprar um produto que, na visão de seus integrantes, represente o negócio da empresa. Os parceiros vão defender suas escolhas diante dos demais colegas. Ao final, todo mundo vai votar na melhor proposta. Quem vencer, ganhará uma viagem com tudo pago a Buenos Aires. "A idéia é provocar uma discussão descontraída sobre os conceitos da Imaginarium", diz Carlos Zilli, diretor da empresa. Será também uma oportunidade para Zilli saber que imagem o pessoal tem da marca. Depois das provas, todos participarão de uma balada movida a música eletrônica, comandada pelo proprietário da Imaginarium, Luiz Sebastião Rosa, que vai encarnar um DJ. Para ele, vai ser um evento marcante. Desde que delegou o dia-a-dia para Zilli, Rosa tem evitado se expor demais em público. A festa será uma oportunidade para quem quiser vê-lo de perto.

Para pequenos e médios empresários como Rosa, a comemoração de fim do ano pode ser uma boa chance de conviver um pouco com os empregados fora do ambiente de trabalho. No ano passado, a Pavan Digital, rede gaúcha de serviços e equipamentos para fotografia que fatura anualmente cerca de 10 milhões de reais, levou 30 funcionários entre 16 e 25 anos para comemorar o encerramento do ano no mato. Liderada pelo empresário Marcos Pavan, a expedição partiu para os cânions da região de Aparados da Serra, na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O grupo percorreu 6 quilômetros mata adentro, subindo e descendo morros. Foi também uma experiência em que os funcionários puderam se sentir como os clientes comuns do outro lado do balcão -- a aventura foi toda documentada em fotos. "Comparada com os custos de uma festa tradicional, a expedição custou mais que o dobro", diz Pavan. "Mas valeu a pena porque todos nós nos divertimos."

Contra o fiasco
Algumas iniciativas que quase sempre tornam as comemorações de fim de ano um tormento para os funcionários
Prestar contas
Apresentações em PowerPoint com o desempenho da empresa no ano cansam os convidados — sobretudo se não tiver sido bom
Fazer networking
Trazer clientes e fornecedores pode deixar os funcionários constrangidos justamente numa ocasião que deveria ser informal
Premiar por desempenho
Quem não ganhar nada provavelmente passará o resto da festa fingindo estar se divertindo, quando, de fato, estará decepcionado
Passar o chapéu
Se a iniciativa for da empresa, então não faz sentido pedir aos funcionários colaboração em dinheiro para realizar a festa
Fontes: empresa de eventos e empresários
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