Revista EXAME -
O ano de 2009 não está sendo nada fácil para as empresas do setor siderúrgico. Em abril, a Associação Mundial do Aço divulgou uma estimativa de que a demanda global por aço deverá recuar para 1 bilhão de toneladas, queda de 15% em relação ao ano passado. Se a previsão se confirmar, será a mais drástica retração desde a Segunda Guerra. Esse cenário preocupa, mas não faz a CSN congelar sua estratégia de crescimento. A empresa vai manter o plano de investimentos, um total de 4,5 bilhões de dólares nos próximos três anos. "Estamos capitalizados, com boa capacidade de geração de caixa e não nos endividaremos muito", diz Benjamin Steinbruch, presidente e dono da CSN. "Não conheço nenhum empresário do setor que irá desengavetar projetos novos neste momento de crise. Não faz sentido", diz Steinbruch. "Vamos postergar o que ainda nem saiu do papel, mas todos os projetos em andamento serão concluídos."
Mesmo com a queda do consumo do aço a partir do último trimestre de 2008, a CSN fechou o ano com um resultado financeiro acima da média. O faturamento atingiu o recorde de 6,1 bilhões de dólares, 12% mais do que no ano anterior. O lucro líquido, de 1,6 bilhão de dólares, proporcionou uma rentabilidade sobre patrimônio de 40%. A empresa é a líder de mercado e alcançou a melhor média de riqueza gerada por empregado. Por tudo isso, foi escolhida a melhor empresa de siderurgia e metalurgia de 2008. "A CSN tem a seu favor a maior diversificação de seus negócios e o fato de possuir sua principal matéria-prima, o minério de ferro. Isso lhe confere boa capacidade de geração de caixa", diz o analista Rodney Otero Melhados, da Planner Corretora.
A empresa sofreu com os efeitos da turbulência global mais fortemente a partir de novembro do ano passado, dois meses após o início da crise americana. Em meados de dezembro, teve de conceder férias coletivas a 2 000 funcionários e paralisou algumas fábricas por 20 dias, para ajustar a produção à queda na demanda por laminados e outros produtos de aço. Suas concorrentes diretas também foram atingidas pela crise. A Usiminas paralisou três de seus cinco altos-fornos (local onde é fundido o minério de ferro). A Gerdau diminuiu em 20% a produção da Gerdau Ameristeel, sua controlada nos Estados Unidos. De todas as siderúrgicas brasileiras, a que está em melhores condições de enfrentar períodos de crise e de escassez de crédito é exatamente a CSN, de acordo com o analista de investimentos Jayme Alves, especialista da Spinelli Corretora. "A CSN apresenta a melhor configuração financeira e de mercado nos momentos difíceis", afirma Alves.
Isso porque a empresa atua nas diversas pontas da cadeia siderúrgica, o que ajuda a reduzir os custos de produção. Além da siderurgia, os negócios da CSN envolvem os ramos de mineração (possui uma das maiores e mais puras minas de minério de ferro a ser explorada, a Casa de Pedra, em Congonhas, Minas Gerais), cimento (onde aproveita os resíduos gerados pelos altos-fornos na fabricação do aço), energia (produz 70% do que consome) e logística (tem dois terminais portuários em Sepetiba, no Rio, e participação acionária de 32% na empresa ferroviária MRS). O plano de investimentos visa exatamente acentuar essa diversificação. "Tudo isso vai nos ajudar a enfrentar um ano duro", diz Steinbruch. "Trilhões de dólares sumiram da economia mundial. A crise é duríssima, mas estamos preparados. Queremos sair mais fortes dela."