Por que o senhor escolheu o Brasil para investir?
Faz três ou quatro anos que analiso o Brasil. Acho que é preciso primeiro estudar o local e conhecer suas particularidades. No ano passado consideramos que havia uma oportunidade magnífica. A crise foi um complemento que ajudou a reduzir preços, mas eu investiria aqui de qualquer forma. A grande virtude do Brasil é seu mercado, uma população de quase 200 milhões de habitantes predominantemente urbana, um ótimo capital humano e boas companhias. Além disso, há estabilidade econômica e política e não há nenhum tipo de conflito religioso ou nacionalista. Acho que isso tudo faz do Brasil, hoje, o país mais importante do mundo para os negócios, onde existem mais oportunidades.
Quais são seus planos para o mercado brasileiro?
Sempre começo os negócios em um país pelo mercado imobiliário, no qual tenho mais experiência. Pelo setor de imóveis é possível conhecer a economia, seu sistema financeiro, as autoridades e as necessidades da população. Depois disso, partimos para outros negócios, mas sempre com um parceiro local. Os mercados são muito diferentes em cada parte do mundo, por isso é importante encontrar a pessoa certa. Demos sorte de a Agra estar em busca de um parceiro também. Então, pude entregar a eles uma estratégia, aportar capital e fazer alianças internacionais com parceiros estrangeiros que conheço há tempos. No ano que vem queremos estar entre as três primeiras do mercado.
Quais são seus próximos alvos?
A Veremonte Participações, minha empresa de investimentos no Brasil, acaba de assinar um acordo com o grupo francês Accor para o desenvolvimento de 4 880 quartos de hotéis. Serão hotéis urbanos e econômicos que levarão as bandeiras Ibis e Formule 1. Além disso, fechamos uma parceria com o grupo Jumeirah, dos Emirados Árabes, para construir 1 000 quartos de hotel de cinco e seis estrelas no Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos. O Jumeirah é proprietário, entre outros, do Burj al Arab, de Dubai. Com isso, a Veremonte se tornará dona do maior grupo hoteleiro do país.
Em quais outras áreas de negócios o senhor tem interesse?
Vamos investir em shopping centers, alimentação, energia, infraestrutura, meio ambiente e financiamento imobiliário. Já estamos negociando a entrada no setor de saúde, com o aporte de muito dinheiro, mas ainda não posso dar mais detalhes sobre isso. Vamos investir 2 bilhões de reais em 2010 no Brasil.
O senhor não faz parte da diretoria executiva e do conselho de administração da Agre. Por quê?
Tenho investimentos em muitas áreas de negócios em diversos países. Se tivesse de controlar tudo, não controlaria absolutamente nada. Acredito que a gestão tem de ser local. Da minha parte trago, além do capital, o conhecimento e a experiência internacional que adquiri ao longo dos anos. Ajudo a traçar a estratégia, a analisar possíveis alvos de aquisição. Quero ajudar a empresa a consolidar outras companhias do setor e fazer com que ela dure muito tempo. Não me interessa ser apenas um investidor institucional. Colocar dinheiro em um negócio e, depois de 24 meses, recolher os benefícios é muito chato.
Sua incorporadora espanhola, a Astroc, transformou-se na grande responsável pelo estouro da bolha imobiliária da Espanha. Por quê?
Em dez anos transformei minha pequena empresa em uma companhia privada importante de Valência. Em 2005 ela já valia 1 bilhão de dólares e tinha participações no banco Sabadell e na empresa de energia Union Fenosa. Era uma empresa regional importante, 100% privada. Mas eu queria uma companhia nacional. Decidi abrir o capital. Não por dinheiro. O que minha empresa valia era mais do que eu precisava. Queria crescer. O IPO que fiz foi todo secundário, porque não precisava de dinheiro para investir na companhia, e apenas investidores institucionais compraram as ações --- investidores que tinham toda a informação para fazer o que estavam fazendo. Minha desgraça foi o êxito da empresa. As ações subiram 1 000%. Fiquei assustado porque, claramente, o valor delas era irreal. Passei a vender mais ações na tentativa de segurar o preço. Por um acordo com o órgão regulador local, eu poderia vender 49% dos papéis da empresa. Não foi suficiente. As ações tornaram-se alvo de especuladores e passaram a cair muito. Mas é importante dizer que quem comprou as ações a 9 dólares, no IPO, e quis vendê-las quando estavam valendo 90, ganhou muito dinheiro. (Continua)