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Digital, mas com alma

Como a Leica, empresa mais influente da história da fotografia, se adapta aos tempos modernos mantendo a tradição de sua marca
Divulgação
 
Por Luiza Dalmazo | 26.11.2009 | 00h01

Mesmo quem não se interessa por fotografia tem a memória recheada de fotos feitas com câmeras Leica, uma das mais tradicionais fabricantes de equipamentos fotográficos do mundo. A imagem de um rapaz saltando uma poça d’água numa estação de trem, de Henri Cartier-Bresson, e o retrato de Che Guevara olhando para o infinito, de Korda, são apenas duas imagens icônicas do século passado capturadas com a câmera alemã. Entre 1925, quando lançou a primeira compacta equipada com filme 35 mm, e o fim dos anos 60, Leica foi sinônimo de fotografia. As inovações da empresa criaram o fotojornalismo que conhecemos hoje e ajudaram a tornar a fotografia um hobby universal. Mas poucos são os jovens que conhecem a marca alemã. Há muitas décadas a empresa vive das glórias do passado. Ainda na época dos filmes, a Leica foi superada pelas competidoras japonesas, mais rápidas na inovação e mais eficientes nos custos. Depois veio a revolução digital. A troca das películas pelos megapixels estava mais que desenhada, mas a Leica demorou demais para aceitar a mudança. Tudo indicava um triste fim para uma das empresas mais influentes da história da fotografia. Numa reviravolta surpreendente, porém, o inverso aconteceu: justamente por manter-se fiel à tradição, a Leica atravessa um dos momentos mais promissores de sua história.

A volta por cima começou quando a empresa decidiu tomar um caminho peculiar no mundo digital. Em vez de tentar acompanhar a corrida da tecnologia, adicionando megapixels e funções em cada novo lançamento, a Leica optou por fazer o que sabe melhor: câmeras extremamente bem construídas, com lentes de excelente qualidade. O novo carro-chefe da empresa, o modelo M9, tem um sensor digital no lugar do rolo de filme -- mas a alma da Leica permanece a mesma. O desenho da câmera segue o padrão da linha M, lançada em 1954 e que vem sendo atualizada continuamente. Nas mãos, o equipamento proporciona uma sensação de solidez que não é igualada por nenhuma outra câmera atual. O corpo é de liga de magnésio e pesa 580 gramas sem a lente.

Todas as unidades são montadas manualmente na cidade de Solms, na Alemanha, e submetidas a uma bateria de testes antes de seguir para as lojas. São verificadas a precisão do obturador, do mecanismo de foco e a qualidade do sensor, que é fabricado sob encomenda pela Kodak. Os técnicos são todos amantes do assunto e fotógrafos por hobby. "A fotografia está no sangue de quem trabalha na Leica", disse numa entrevista recente Christian Erhardt, vice-presidente de marketing. Tamanho cuidado tem preço. Lançada no começo de setembro, a M9 custa 7 000 dólares na tabela, mas tem sido vendida por mais que isso, pois as primeiras unidades já sumiram das lojas. E esse é o preço do corpo, apenas. Uma lente nova não sai por menos de 1 300 dólares (e a mais cara custa 10 000 dólares).



 
 
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