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Os vermelhos serão verdes?

Mesmo sem assumir compromissos internacionais para reduzir suas emissões, a China se prepara como nenhum outro país para a economia de baixo carbono
 
Por Ana Luiza Herzog | 26.11.2009 | 00h01

Na Conferência de Copenhague, na Dinamarca, encontro que deve definir como o planeta brigará contra o aquecimento global, os holofotes estarão voltados sobretudo para dois países. O primeiro deles são os Estados Unidos, que até 2006 ocupavam o posto de maior emissor mundial de gases causadores do efeito estufa em termos absolutos. O outro é a China, nação que conquistou o pouco honroso título de maior emissor do mundo. Quando se faz a conta por cabeça, os chineses ainda estão distantes dos americanos. Cada um dos 1,3 bilhão de habitantes da China emite, em média, 6 toneladas anuais de CO2, ante 25 toneladas de um americano. Mas, com a manutenção do ritmo de crescimento do país, as perspectivas para o futuro são sombrias.

Ou não tanto assim. Apesar da pouca disposição dos governantes comunistas em assumir compromissos internacionais em prol do combate ao aquecimento global, dentro de casa o país mostra-se empenhado. Não houve ainda o anúncio de uma meta formal de redução para as emissões ou do ano em que elas deverão atingir seu pico. Mas as mudanças estão por toda parte. A formidável aceleração da economia chinesa nos últimos 30 anos aconteceu graças a muito carvão queimado. Nas próximas três décadas, porém, tudo indica que a história será bastante diferente.

Só nos últimos quatro anos o parque eólico da China dobrou de tamanho e já soma cerca de 12 000 megawatts de capacidade instalada -- o que representa quase uma usina de Itaipu. Com isso, responde por 10% da energia gerada pelos ventos hoje no mundo -- atrás apenas de Estados Unidos, Alemanha e Espanha. A China também já é o maior exportador mundial de painéis fotovoltaicos, usados na conversão da energia solar em eletricidade. Nos últimos dois anos, o governo decidiu aproveitar a liderança na manufatura para impulsionar o uso da energia solar também internamente. Cerca de 10% das residências já têm pequenos painéis para aquecimento de água. Até o início de novembro, cerca de 300 projetos de instalação de sistemas fotovoltaicos haviam sido selecionados para ter até 70% do seu custo bancado pelo governo. "A decisão da China de se tornar verde é o equivalente para o século 21 ao lançamento russo do Sputnik em 1957, o primeiro satélite a orbitar em torno da Terra", escreveu recentemente o jornalista americano Thomas Friedman, colunista do The New York Times.

Apesar da admiração (ou terá sido inveja?) do neoverde Friedman, a verdade é que tais iniciativas são proporcionais ao tamanho do desafio que a China precisa enfrentar para reduzir suas emissões. O problema é grande. Considere o caso do Brasil. O país tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e pode reduzir sua contribuição para o aquecimento global simplesmente evitando o desmatamento de florestas -- ação que responde por cerca de 60% de nossas emissões. Para atingir um objetivo comparável, a China tem de solucionar uma equação mais complexa. Isso porque o país é movido a carvão mineral, a fonte energética que mais contribuiu para aumentar a concentração de CO2 na atmosfera.




 
 
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