No início de novembro, a União Europeia anunciou oficialmente sua saída da recessão. Após mergulhar na crise e ouvir vaticínios tenebrosos dos analistas, os europeus puderam apresentar um crescimento econômico de 0,2% no terceiro trimestre. Essa sensação de certo alívio, porém, ainda não chegou -- e talvez não chegue tão cedo -- à emergente região do mar Báltico, berço de três países que, até pouco tempo atrás, eram chamados de "tigres", numa referência ao crescimento brutal de nações asiáticas durante a década de 90. Os cidadãos de Lituânia, Estônia e Letônia comprovam hoje na vida real o que pensadores como Keynes já diziam no passado -- há muito de imponderável na economia. E o que era uma maravilha ontem pode se tornar um pesadelo amanhã.
O pesadelo já chegou para Estônia, Letônia e Lituânia. Essas economias devem chegar ao final do ano com as maiores taxas de retração de PIB da Europa: -18,1%, -13,7% e -18%, respectivamente. Neste momento, um em cada cinco letões está desempregado. Lojas e restaurantes estão às moscas nas capitais desses países, onde se tornou comum também esbarrar com esqueletos de construções interrompidas. São obras iniciadas no início desta década, quando esses países cresciam acima da média europeia. Em 2007, a maior dessas economias, a Estônia, com 1,4 milhão de habitantes, cresceu mais de 7%.
A senha para o progresso foi dada nos anos 90, quando essas ex-repúblicas soviéticas atingiram certa estabilidade política e conseguiram realizar reformas fundamentais -- da privatização das velhas estatais à abertura para o capital externo. O novo cenário atraiu várias empresas da Europa Ocidental, assustadas com o avanço da Ásia e com os altos custos de produção em seus países de origem. Os turistas, barrados no passado pela Cortina de Ferro, descobriram atrações como o esplendor barroco de Vilnius, capital da Lituânia. A adesão do trio à União Europeia, em 2004, só fez aumentar a euforia em torno dos "Tigres do Báltico".