BOLSA
Tensão nos bastidores. Euforia no pregão
Fritura do presidente Roger Agnelli pelo governo à parte, a mineradora Vale vive sua melhor fase do ano na bolsa. As ações da companhia subiram 31% desde o início de setembro, quase o dobro da alta do Índice Bovespa, e passaram a ser as mais negociadas do mercado -- acima dos papéis da Petrobras, tradicionalmente a primeira do ranking. A Vale já ultrapassou a Petrobras em volume de papéis negociados outras poucas vezes na história, mas nunca a diferença entre as duas foi tão significativa -- nas primeiras duas semanas de novembro, os negócios com as ações da mineradora foram 42% maiores. "A Vale se tornou a queridinha do mercado", diz Felipe Reis, analista da corretora do Santander. Os investidores estão otimistas com uma série de notícias positivas sobre a empresa: o lucro líquido dobrou entre o segundo e o terceiro trimestre deste ano, os custos operacionais caíram e a Vale anunciou que vai diversificar seu portfólio, ampliando a produção de cobre, carvão e fertilizantes. Fora isso, há a expectativa de que a Vale consiga reajustar o preço do minério de ferro, seu principal produto. "Até quatro meses atrás, só se falava em queda ou, no máximo, em manutenção de preços", diz Cristiane Viana, analista da corretora Ágora. "Agora, com o início da recuperação da demanda na Europa e nos Estados Unidos e com os recordes de importação da China, um aumento de 15% é o mínimo que esperamos para 2010."
