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"Emergente? Não. O Brasil já emergiu"

À frente do JPMorgan Chase, o maior banco americano, Jamie Dimon saboreia o sucesso alcançado graças a seu conservadorismo antes da crise -- e esbanja confiança na economia brasileira
Michael O' Neill/Corbis Outline
Jamie Dimon, principal executivo e presidente do conselho do JPMorgan Chase
 
Por Eduardo Salgado | 26.11.2009 | 00h01

Na manhã do dia 18 de setembro do ano passado, três dias após a quebra do banco Lehman Brothers, o telefone tocou no escritório do americano Jamie Dimon, principal executivo e presidente do conselho do JPMorgan Chase. Era o então secretário do Tesouro americano, Hank Paulson, com uma oferta: que tal incorporar o rival Morgan Stanley sem nenhum custo? Pressionado pelo governo, Dimon já tinha ficado com o banco Bear Stearns meses antes, mas dessa vez declinou por achar, entre outras coisas, que haveria muita sobreposição de áreas e funcionários. Ainda assim, a fama de Dimon como o bombeiro de Wall Street não foi abalada -- nas semanas seguintes, ele fecharia a compra do Washington Mutual, um banco que, até quebrar, era dono de boa parte dos depósitos de poupança dos Estados Unidos.

Neto de um imigrante grego que trocou o sobrenome Papademetriou para Dimon na tentativa de aumentar as chances de sucesso, o banqueiro é um dos poucos que foram declarados vencedores depois da carnificina financeira de 2008. Sua reticência em mergulhar nos mercados mais obscuros e alavancados de Wall Street, como fizeram quase todos os concorrentes, elevou seu status no mercado financeiro global às alturas -- e está por trás do rápido avanço no último ano da instituição que comanda. Durante a crise, o JPMorgan tornou-se o maior banco americano, com valor de mercado de 168 bilhões de dólares, quase o dobro do tamanho do Citi -- em 2007, era o terceiro do ranking. Essa é a história central de sua biografia, Last Man Standing ("O último que ficou de pé", numa tradução livre), lançada em outubro. Aos 53 anos, tido como um dos executivos do setor financeiro mais próximos ao presidente Barack Obama, Dimon falou com exclusividade a EXAME na sede do banco em São Paulo.

 

A crise foi boa para o Brasil?
A crise não foi boa para ninguém. O Brasil cresceu muito pouco nos últimos 12 meses. Se boa parte do mundo não tivesse encolhido, o Brasil poderia ter se dado um pouco melhor. Mas a crise deu ao país uma chance para brilhar e se destacar. O Brasil criou um padrão de gerenciamento econômico que é um exemplo para outras nações, e não me refiro apenas às emergentes. Combina uma boa política fiscal e uma boa política monetária com crescimento econômico. O desempenho do Brasil não é um acaso.

Essa "brasilmania" veio para ficar ou é um modismo?
É permanente. O país tem boa governança e um bom sistema Judiciário, tem crescimento e recursos naturais inacreditáveis. Isso sem contar as empresas com capacidade para competir no mercado global. Nenhum país está predestinado a crescer indefinidamente. O Brasil terá problemas no caminho. Mas quem já venceu problemas no passado fará o mesmo no futuro. Nossos economistas preveem que a economia brasileira vai crescer 0,3% neste ano e 5% em 2010.

O que dizer dos riscos -- a possibilidade de o preço das commodities cair, de o real se valorizar fortemente ou de os gastos do governo piorarem a situação fiscal?
Os gastos do governo são, na verdade, pequenos em comparação com outros países. E o Brasil não é o único que pode sofrer com uma eventual desvalorização das commodities. Sobre a moeda, vale lembrar que um real forte traz consequências positivas e negativas. O importante é que a razão por trás da força da moeda é muito boa. O Brasil é um lugar muito interessante para investir.





 
 
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