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Tentando sair de uma fria

O turismo argentino mergulhou na pior crise dos últimos 40 anos. Para salvar o setor, hotéis e agências estão oferecendo descontos de até 30% aos visitantes
Pawel Wysocki/Corbis
Cruzeiro na Patagônia: os brasileiros, principais clientes das agências, sumiram na alta temporada
 
Por Adriana Pavlova | 26.11.2009 | 00h01

Embora não tenha cumprido os vaticínios de abalar a economia mundial e se transformar numa versão do século 21 da gripe espanhola, o vírus A/H1N1 fez estragos consideráveis ao redor do planeta. Entre outros problemas, transformou-se num dos principais responsáveis por atirar o setor de turismo argentino na pior crise dos últimos 40 anos. A epidemia começou a se alastrar com velocidade no país no final do primeiro semestre deste ano, justamente no período de alta temporada. Assustados com o número de contaminados e com as cenas de pessoas mascaradas circulando pelos aeroportos, os visitantes bateram asas. Entre julho e agosto, o movimento de brasileiros, que representam um terço dos turistas estrangeiros na Argentina, caiu 50%. Em alguns locais, como a estação de inverno de Bariloche, a pancada foi ainda maior, com queda de 75% no movimento. Somente em agosto, o prejuízo estimado em perdas de divisas foi de mais de 50 milhões de dólares. O pânico provocado pela doença coincidiu com a crise financeira global e uma fase em que o peso ficou sobrevalorizado em relação ao real e ao peso chileno, as moedas dos países de seus principais clientes turísticos. "Essa conjunção de desastres provocou um impacto muito grande", afirma Silvia García Gherghi, da Câmara Argentina de Turismo.

Para tentar diminuir o prejuízo, os empresários do setor no país passaram a oferecer uma série de descontos a partir de agosto. No período mais crítico do ano, era possível comprar uma passagem de ida e volta do Brasil para a Argentina e ganhar um segundo bilhete de cortesia. Outra estratégia foi investir em campanhas publicitárias no Brasil, bancadas pelo Improtur, o principal órgão de turismo do governo argentino. Embora menos agressivas, as ofertas continuam em vigor e devem se prolongar até o começo de 2010, no mínimo. Há pacotes de 10% a 20% mais baratos do que no mesmo período do ano passado, enquanto os descontos nos hotéis podem chegar a 30%, como é o caso do Sofitel, um dos melhores cinco estrelas de Buenos Aires. Os mimos oferecidos como cortesia aos visitantes também se multiplicaram. Existem descontos em shoppings, almoços e jantares de graça em restaurantes, tratamentos de beleza de brinde e até noites grátis em hotéis de luxo. Provavelmente, os turistas daqui nunca foram tão bem tratados pelos hermanos de lá. "O ano de 2009 foi difícil e, embora tenha ocorrido uma recuperação nos últimos meses no mercado, vamos fechar com uma queda de quase 10% no movimento", diz Leonardo Boto, secretário executivo do Improtur.



 
 
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