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Bonitos, compactos e ecológicos

Os carros pequenos substituem picapes e utilitáriosesportivos na Europa e nos Estados Unidos, ajudam a limpar a imagem da indústria e dão impulso às montadoras para começar a sair do atoleiro da crise
Divulgação
O Smart, da Mercedes: vendas acima do esperado nos Estados Unidos
 
Por Luciene Antunes | 12.11.2009 | 00h01

Saem os feios, sujos e malvados. Entram os bonitos, compactos e ecológicos. Em linhas gerais, esse poderia ser um bom resumo do plano anunciado nas últimas semanas pela Fiat para a recuperação da Chrysler, a combalida montadora americana que os italianos assumiram no início deste ano, como um dos produtos do rescaldo da crise de Detroit. O principal pilar do plano dos italianos consiste no fim de várias linhas de picapes e utilitários esportivos, que caíram em desgraça por causa da alta do preço da gasolina e da pressão ambientalista. Ao mesmo tempo, a Fiat-Chrysler deve lançar nos próximos meses no mercado americano uma série de veículos compactos. A estrela é o Fiat 500, também conhecido como Cinquecento, carrinho criado no final da década de 50, que fez história na Itália e foi relançado na Europa dois anos atrás, com direito a uma festa em Turim com figurino inspirado no filme La Dolce Vita, de Federico Fellini.

Modelos como o Cinquecento são a grande esperança das montadoras para recuperar parte do vigor em mercados em que, até pouco tempo atrás, os carros grandes reinavam. Europeus e americanos andam especialmente perturbados com as eventuais consequências do aquecimento global e, hoje, tentam voltar a comprar com menos peso no bolso e na consciência. Na velha Europa, o mercado de carros caiu 21% nos últimos dois anos. Mas, nesse mesmo período, as vendas do Cinquecento triplicaram. A venda muito acima da média desse e de outros modelos compactos é vista como sinal de que a indústria automobilística pode estar saindo de um longo e tenebroso inverno nos países desenvolvidos — e parece evidente que saíra dele diferente. O mundo não acabou para os fabricantes de carros, mas mudou. A Ford, liderada por Bill Ford, acaba de registrar um lucro de quase 1 bilhão de dólares no último trimestre. A japonesa Toyota celebrou recentemente um ganho de 227,5 milhões de dólares, o primeiro resultado positivo em um ano. O clima mais favorável aos negócios levou a GM a tomar a surpreendente decisão de cancelar a venda de sua subsidiária europeia, a Opel, operação dada como certa em maio.

Produzir carros verdes — ainda que eles sejam movidos a gasolina — deixou de ser uma estratégia para as montadoras. Não há saída. De um lado, o comprador de países desenvolvidos parece cada vez mais envergonhado de dirigir os imponentes SUVs. Por outro, há a pressão cada vez maior de governos. Em maio, o governo de Barack Obama impôs a redução de 30% na emissão veicular de gases causadores do efeito estufa de 2012 até 2016, e uma melhora no consumo médio de combustível dos automóveis dos atuais 10,6 quilômetros por litro para 15 quilômetros por litro. O resultado esperado da medida, além da economia de quase 2 bilhões de barris de petróleo, será uma mudança de perfil da frota americana, forçando famílias a trocar seus carrões por modelos menores, que consumam menos combustível e menos matéria-prima em sua produção. Hoje, boa parte dos investimentos da indústria automobilística em tecnologia tem como objetivo reduzir os motores com a utilização de materiais mais leves e redimensionamento interno, sem perda de performance. Na agenda de inovações, Ford e Fiat planejam lançar até dezembro novas gerações de propulsores, substituindo os tradicionais, construídos com bloco de ferro fundido, por alumínio, tornando-os mais leves e mais econômicos. As carrocerias também têm diminuído de peso nos últimos anos, basicamente com a utilização de ligas mais leves, alumínio e até plástico.



 
 
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