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O Paulo Coelho das finanças

Maior fenômeno brasileiro na área de finanças pessoais, Gustavo Cerbasi, autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, chega à marca de 1 milhão de exemplares vendidos
Germano Lüders
Gustavo Cerbasi: o sósia de Jim Carrey herdou a disciplina do pai imigrante
 
Por Eduardo Salgado | 12.11.2009 | 00h01

Nada de comer, rezar, amar. Para Gustavo Cerbasi, guru de finanças pessoais sósia do ator canadense Jim Carrey, o mantra é poupar, poupar, poupar. Foi com uma ideia assim simples e suas variações que ele escreveu nove livros desde 2003 e há poucas semanas atingiu a marca de 1 milhão de exemplares vendidos. O americano Robert T. Kiyosaki, autor da série Pai Rico, Pai Pobre, vendeu o dobro no Brasil, mas ninguém tira de Cerbasi, administrador público de 35 anos, o título de maior fenômeno brasileiro de finanças pessoais. Desde fevereiro de 2006, seu nome não sai da lista dos livros mais vendidos da revista VEJA (da Editora Abril, que publica EXAME). Seu maior sucesso, Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, vendeu, em média, 18 cópias por hora desde que foi lançado, há cinco anos. A cada 12 meses, Cerbasi dá uma média de quase 200 palestras. Em sua cruzada para ensinar os outros a se planejar financeiramente, não para de lucrar, lucrar, lucrar. Cerbasi não confirma, mas estima-se que já tenha acumulado um patrimônio de mais de 4 milhões de reais. Não é uma fortuna descomunal, mas ele já poderia servir como exemplo em seus livros.

Seu maior mérito é falar de forma simples e direta sobre finanças, um assunto, à primeira vista, árido e maçante, mas que vem ganhando importância na vida dos brasileiros desde que a economia tornou-se finalmente civilizada. O princípio de todos os seus conselhos parte de que, para juntar dinheiro, é preciso gastar menos do que se ganha. Parece óbvio? É mesmo. Mas atire a primeira pedra quem nunca fez a besteira de descumprir essa regra. O tema central de Cerbasi é o planejamento financeiro, a arte de se organizar com vista ao sucesso no longo prazo. Seu diagnóstico é que, até por questões culturais, o brasileiro está mais preocupado em consumir do que em usar o dinheiro para "fazer" dinheiro. No senso comum, um profissional bem-sucedido se aposenta com um barco, muitos carros e um efeito colateral nem sempre antevisto: muitas contas a pagar. Quem, por outro lado, para de trabalhar com 3 milhões de reais investidos numa aplicação com rendimento de 0,5% ao mês (livre de IR e de inflação) garante uma renda mensal de 15 000 reais. Outro erro comum é ignorar os pequenos valores, sem se dar conta de que, no longo prazo, eles podem fazer toda a diferença. "Meu trabalho tem como foco a ideia de que uma vida planejada e com objetivos é mais feliz", diz.

Nos livros, Cerbasi também faz o papel de um guia turístico pelo mercado financeiro. Explica, de forma didática, conceitos como juros compostos e ação blue chip. "Seu mérito foi ter atingido o grande público justo no momento em que a demanda por esse tipo de informação aumentou muito em razão da queda da inflação e das taxas de juro", diz William Eid Jr., professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV. Cerbasi evita nos livros comentários específicos, como "compre ações" ou "invista em fundos multimercados", estratégia usada pelos gurus financeiros americanos mais bem-sucedidos, como Suze Orman e Jim Cramer -- que contam com um público mais familiarizado com as opções de investimento. Na essência, Cerbasi se atém aos ensinamentos que aprendeu com o pai, Tommaso. Nascido na Itália, Tommaso chegou ao Brasil aos 7 anos de idade, com mais seis irmãos. Depois de nove anos internado em escolas religiosas, foi para o mercado com a ambição característica da maior parte dos imigrantes: trabalhar e economizar para prosperar.



 
 
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