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O verdadeiro Dr. Apocalipse

O investidor suíço Marc Faber prevê um colapso da economia americana nos próximos anos -- a má notícia é que ele já acertou antes
Axel Griesch/ASFM/Getty Images
Marc Faber, investidor suíço
 
Por Tiago Lethbridge, de Nova York | 12.11.2009 | 00h01

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Como um investidor pode se proteger desse colapso?
Antes do colapso final, o governo vai inflar a bolha alucinadamente. Então, a última coisa que um investidor quer, nesse cenário, é ter títulos da dívida americana. Mas haverá muitas oportunidades para ganhar dinheiro até lá. Fui entrevistado em março e disse que o mercado acionário dispararia. Recomendei o investimento em commodities no início do ano. Se os governos continuarem imprimindo dinheiro nesse ritmo, o Dow Jones pode chegar a 2 milhões de pontos! Finalmente, é importante notar que os países emergentes estão em situação completamente distinta. É impressionante como China, Brasil e Vietnã, por exemplo, se desenvolveram nas últimas décadas. Esses países continuarão crescendo e são mais atraentes para os investidores do que os países ricos.

O senhor é considerado um investidor do contra há décadas. De onde vem tanto pessimismo?
Eu me habituei a recomendar a venda de coisas que estavam na moda e a compra de coisas que estavam fora de moda. É muito difícil encontrar opiniões assim em Wall Street, pois, se seu conselho demora para dar certo, você perde o emprego. Por isso todos os analistas seguem a manada. Mas encontrei muitos clientes dispostos a ouvir a opinião de alguém que vai contra a manada. Eles entendem, e isso é muito importante, que é impossível prever exatamente quando o mercado vai virar. O máximo que se pode fazer é entender o que está acontecendo e traçar cenários. Quando comecei a dizer que o mercado japonês ia derreter, em 1988, a euforia durou mais 18 meses. O mesmo aconteceu quando recomendei que as pessoas apostassem contra a Nasdaq, em 1999. A Nasdaq subiu mais 100% até 2000! Quando você é do contra, tem de se acostumar a ficar sozinho. Se todos começam a concordar com você, é melhor tomar cuidado.

Tudo bem, então, chamá-lo de Doutor Apocalipse?
Claro, não há problema algum.


 
 
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