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O capital chega ao pré-sal

Uma nova leva de fundos de investimento nasce para impulsionar a consolidação e a expansão da cadeia produtiva de petróleo e gás. Agora, eles começam a caça pelas melhores empresas do setor
Marcelo Correa
Guitti: capital para consolidar e tornar competitivas empresas que hoje são pequenas
 
Por Fabiane Stefano | 12.11.2009 | 00h01

O carioca Nelson Guitti, engenheiro de 48 anos, passou 24 anos trabalhando em diferentes departamentos da Petrobras -- seu último posto, que deixou em 2007, foi o de diretor financeiro da BR Distribuidora. Nessas mais de duas décadas, Guitti conheceu centenas de empresas que vendem equipamentos e prestam serviços à estatal. Muitas delas cresceram apoiadas no avanço da extração de petróleo em águas profundas. A experiência com os fornecedores da Petrobras se transformou em um de seus maiores ativos. Após uma rápida passagem pela MMX, de Eike Batista, Guitti decidiu aproveitar o olho treinado na cadeia de petróleo num empreendimento próprio: a montagem de um fundo de private equity voltado exclusivamente para o setor. Esses fundos compram participações acionárias em empresas com potencial de expansão, fornecem recursos ao negócio e, anos depois, vendem sua fatia a outros investidores -- o que costuma ocorrer com a abertura de capital da companhia na bolsa. "Existe uma demanda estrondosa por equipamentos e serviços no setor de petróleo no Brasil e haverá muito mais quando começar para valer a exploração nas áreas do pré-sal", diz Guitti. Ele se associou aos donos do banco carioca CR2 para montar um fundo com capital de 750 milhões de reais. O objetivo: investir em empresas médias que já sejam fornecedoras da Petrobras.

O capital privado será vital para financiar o crescimento de uma das frentes mais dinâmicas da economia brasileira. Estima-se que a demanda por investimento na cadeia de suprimento do setor de petróleo e gás alcance 80 bilhões de dólares nos próximos dez anos. Por imposição do governo, as encomendas da Petrobras -- que canalizará a maior parte do bolo -- devem ter no mínimo 65% de conteúdo feito no país. Para que os fabricantes nacionais consigam atender a essa reserva de mercado, será preciso que aumentem muito a capacidade de produção. As empresas, na maioria de porte pequeno e médio, terão de ganhar corpo, e um dos caminhos para isso são as fusões. Os fundos de private equity costumam liderar a consolidação em setores pulverizados. Além disso, eles podem representar uma fonte de financiamento mais em conta. Embora o custo do crédito no Brasil venha caindo, ainda é caro financiar expansões com endividamento. "Os fundos de participação em empresas poderiam responder por 30% da demanda de capital do setor", diz Guitti. Isso representa mais de 20 bilhões de dólares. A fim de reforçar esse fluxo, no final de setembro o Conselho Monetário Nacional decidiu incentivar o investimento dos fundos de pensão em private equity -- o que pode adicionar 80 bilhões de reais ao capital desses fundos.

Guitti e o banco CR2 não são os únicos a vislumbrar o mar de oportunidades na cadeia de fornecimento de petróleo. Outros fundos estão em fase de captação de recursos e aprovação na Comissão de Valores Mobiliários. Um deles está sendo criado por David Zylbersztajn, ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo, e Eleazar de Carvalho Filho, ex-presidente do BNDES. A dupla planeja reunir 850 milhões de reais, com metade do capital procedente do exterior. Quem também se movimenta é o Banco Modal, provedor de crédito para empresas do setor de petróleo e gás. O novo fundo, formado em parceria com a Caixa Econômica Federal, pretende levantar no mínimo 300 milhões de reais e acaba de ser escolhido pelo BNDES -- entre sete propostas de private equity -- para receber um aporte equivalente a 20% do valor captado pelo Modal. "O fundo terá de financiar empresas que atuam em toda a cadeia, incluindo exploração e prospecção", diz Marco Aurélio Lima, gerente de fundos de participação do BNDES.



 
 
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