A empresária Emma Marcegaglia, presidente da Confindustria, a Fiesp italiana, esteve recentemente em São Paulo para participar da Missão Empresarial Itália no Brasil, promovida pelo Instituto Italiano do Comércio Exterior. Na entrevista a seguir, ela analisa as possibilidades de crescimento do intercâmbio comercial entre os dois países.
1) Em que medida a polêmica em torno da extradição de Césare Battisti pode prejudicar as relações comerciais entre Brasil e Itália?
No começo do ano, o premiê Silvio Berlusconi achou por bem interromper algumas negociações, mas isso acabou. O que ficou acordado é que nada muda em nossas relações comerciais, independentemente do desfecho do caso.
2) Por que a relação comercial entre Brasil e Itália é relativamente tímida, levando-se em conta os laços históricos e culturais entre os dois países?
A economia italiana é formada por poucas grandes empresas, várias médias e muitíssimas pequenas. Estas últimas não aguentam a carga de impostos do Brasil, que é altíssima. Outro problema é a enorme burocracia que o empresariado enfrenta nos dois países e a rigidez das leis trabalhistas.
3) Qual o potencial desse intercâmbio comercial?
Em 2008, a Itália exportou 5 bilhões de dólares para o Brasil -- 31% mais em relação a 2007 -- e importou 5,7 bilhões de dólares. Esse intercâmbio ainda pode crescer de 20% a 30% nos próximos dois ou três anos. Em 2008, a Itália investiu 330 milhões de dólares diretamente no Brasil. Devemos quintuplicar essa quantia em 2010.