No dia 16 de outubro, os 180 principais executivos da Cosan, maior processadora de açúcar e álcool do país, foram reunidos para uma videoconferência transmitida da sede, em São Paulo. Na condução da reunião estava Rubens Ometto, o controlador da empresa. Os trabalhos começaram com um anúncio simbólico do que viria pela frente. A partir daquele momento, disse Ometto, "a meninada tomaria conta do dia a dia". O cargo de presidente, ocupado por ele por mais de 20 anos, passaria para Marcos Lutz, até então principal executivo da área de logística da Cosan. Ometto se dedicaria a liderar o conselho de administração.
O rito de passagem do cargo, porém, era o prenúncio das grandes mudanças que seriam anunciadas na sequência. A Cosan que Lutz assumia naquele momento passaria a ser um grupo formado por cinco grandes unidades dedicadas a negócios que vão de bens de consumo de massa à logística, de produção de energias renováveis à distribuição de combustíveis. Ao final da videoconferência, Ometto havia tornado pública a maior guinada estratégica já feita pela Cosan. A companhia fundada pelo imigrante italiano Pedro Ometto, em 1936, na cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, deixava de ser a usina de cana-de-açúcar que se transformara na maior produtora global de etanol para emergir como um grande conglomerado nacional.
Com esse movimento, Rubens Ometto quer se distanciar da imagem de maior usineiro do mundo -- uma imagem real, mas talvez limitada para suas ambições e para a dimensão alcançada pela Cosan nos últimos anos. Em 2008, apenas cerca de um quarto dos 14 bilhões de reais de seu faturamento veio do negócio de açúcar e álcool. "Começo aqui uma nova fase", disse Ometto a EXAME, durante sua primeira entrevista a respeito da reestruturação. "Vou me dedicar a criar novos negócios e vê-los crescer."
Aos 59 anos de idade, Ometto vai continuar a dar expediente das 8 horas da manhã às 19 horas na sede da Cosan, instalada em um prédio comercial na zona sul de São Paulo. Vai manter a mesma sala, no 6o andar. Estará presente, todas as segundas pela manhã, na reunião de diretoria. Também não deixará de telefonar a qualquer momento -- "no máximo até as 11 horas da noite" -- para discutir questões urgentes com seus executivos. Entre as poucas alterações que pretende fazer em seu dia a dia está a retomada de um antigo hábito: tirar um dia por semana para visitar pessoalmente alguma das instalações do grupo. "Estava muito trancado no escritório. Agora, quero aproveitar para visitar os negócios da Cosan e conhecer novas ideias em energia renovável fora do Brasil." Em suma, Rubens Ometto continuará a ser Rubens Ometto. Mas a Cosan terá de mudar.