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IPO da Natura, em 2004: o tempo dos especuladores de um dia pode ter passado
 
Por Guilherme Fogaça | 15.10.2009 | 00h01

BOLSA
Acabaram os lucros do primeiro dia?
Uma estratégia bastante difundida entre os investidores nas aberturas de capital é comprar as ações durante o período de reserva e vendê-las no primeiro dia de negociação -- prática conhecida como "flipagem". Segundo levantamento do Centro de Estudos em Finanças da FGV, quem fez isso nas 111 aberturas de capital ocorridas na bolsa brasileira desde o IPO da Natura, em 2004, ganhou, em média, 5% -- e se deu melhor do que os investidores que mantiveram as ações na carteira para o longo prazo (veja quadro). As duas últimas experiências, no entanto, não foram boas. No lançamento das ações da empresa de tecnologia Tivit, em setembro, e do Santander, em outubro, os investidores perderam mais de 3% no primeiro dia. "Hoje essa estratégia é bem mais arriscada, porque o mercado está mais reticente do que na época da euforia", diz Ricardo Rochman, professor da FGV.


Alexandre Battibugli
Alameda Lorena, em São Paulo: por aqui, aluguéis em alta; lá fora, a queda continua
 

IMÓVEIS
No topo das valorizações
Quatro dos dez endereços comerciais que registraram as maiores altas de aluguel no mundo no último ano estão em São Paulo. Segundo pesquisa da consultoria Cushman & Wakefield, realizada em 60 países, a campeã mundial de valorização entre os imóveis comerciais é a alameda Lorena, na zona oeste da capital paulista, com alta de 111% entre junho de 2008 e junho deste ano. Entre os países mais afetados pela crise financeira, a tendência foi inversa: nos Estados Unidos, os preços caíram 14%, e na Europa, 6%. "Mesmo assim, as nações desenvolvidas continuam na liderança dos endereços mais caros", diz Milena Morales, gerente da Cushman & Wakefield. Pelo oitavo ano consecutivo, o aluguel mais alto do mundo foi o da 5a Avenida, em Nova York, cujo metro quadrado custa 18 300 dólares por ano.


istockphoto
 

RENDA FIXA 1
Os bancos já captaram o suficiente
Estão cada vez mais raros e menos rentáveis os títulos emitidos pelos bancos.
Os RDBs com garantia especial do governo, que ofereciam no início do ano rentabilidades 20% superiores às da taxa básica de juro, agora dão retornos muito próximos aos da Selic. Como os bancos já reforçaram seus cofres, não estão mais oferecendo papéis com boa rentabilidade para o curto prazo. "Se quiser conseguir uma taxa um pouco melhor, o investidor terá de deixar o dinheiro preso por, pelo menos, dois anos", diz Sérgio Correia, economista da consultoria financeira LLA Investimentos.


Germano Lüders
Lopes, da Ashmore: a hora é de cautela
 

ENTREVISTA
O rali mais odiado da história
A forte valorização de 70% da bolsa neste ano criou um mecanismo de autoalimentação. Muitos investidores que estavam fora da festa se sentiram "forçados" a comprar ações -- o que intensificou as altas. É o que diz Eduardo Camara Lopes, diretor da gestora Ashmore.

A alta da bolsa neste ano foi diferente de outros períodos de boom?
Sim. A bolsa brasileira subiu muito rápido. Não deu tempo para que muitos investidores entrassem no início do ciclo de alta. Foi o rali mais odiado da história, porque poucos o aproveitaram por inteiro. Muitos gestores ficaram com medo de parecer incompetentes se não surfassem a alta e começaram a comprar, mesmo que atrasados. É o que chamamos de panic buyers. Eles realimentaram a valorização.

E como será daqui em diante?
É preciso cautela. Em algum momento, os governos mundiais terão de retirar os incentivos fiscais -- e a reação da economia será determinante para os rumos do mercado.


RENDA FIXA 2
Dá dinheiro alugar para as empresas
Apesar da queda na taxa de juro, ainda há boas oportunidades de investimento na renda fixa -- e uma das principais são os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), títulos que têm como lastro negócios imobiliários. O nome é complicado, mas a estratégia é simples: lucrar com o aluguel dos imóveis das companhias. Neste mês, a Petrobras lançou no mercado os CRIs de um imóvel utilizado pela BR Distribuidora, subsidiária responsável pela distribuição de combustíveis. Os títulos, que exigem uma aplicação mínima de 300 000 reais, rendem entre 6,5% e 7,5% mais do que a inflação ao ano. "É uma opção mais atrativa do que os títulos públicos, com a vantagem de ser isenta de imposto de renda", diz Marcelo Michaluá, diretor executivo da gestora de investimentos imobiliários RB Capital.


FUNDOS
Os ETFs ganham espaço
O aumento nas negociações dos ETFs, os fundos de ações listados em bolsa, mostra que os investidores já estão mais familiarizados com esse tipo de aplicação. Até o fim de setembro, o volume total negociado pelos ETFs somou 3,4 bilhões de reais -- o equivalente à movimentação das ações da companhia aérea Gol. A maior parte da liquidez, porém, está concentrada no fundo que acompanha o Ibovespa -- os outros ETFs, como o que segue o índice de Small Caps (empresas de baixo valor de mercado), representam apenas 15% das negociações.


 
 
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