A tecnologia muda. As leis econômicas, não." Foi com essa frase que, no final da década de 90, os professores americanos Carl Shapiro e Hal Varian descreveram o equilíbrio ideal entre as teorias econômicas e os negócios da era da informação. Information Rules -- A Strategic Guide to the Network Economy ("Regras da informação -- Um guia estratégico para a economia da rede", em tradução livre) passou a ser o livro de cabeceira de todos os empreendedores de internet. Bem, quase todos. Larry Page e Sergey Brin, fundadores daquela que seria a principal empresa online do mundo, não estavam interessados em teorias econômicas naquela época. O Google investia todos os esforços no aperfeiçoamento de sua ferramenta de busca -- ganhar dinheiro, pensava a dupla Page e Brin, seria consequência. O fato é que, se havia desinteresse pelo lado do negócio, ele durou pouco. O coração do Google pode ser declaradamente tecnológico, mas existe um cérebro econômico por trás do fenomenal sucesso da empresa. E ele é justamente o do economista Hal Varian.
À primeira vista, o negócio do Google é simples. Mais de 95% dos 21 bilhões de dólares que a empresa faturou em 2008 vieram dos links patrocinados, os anúncios exibidos toda vez que se faz uma busca, sempre de acordo com o termo pesquisado. Cada vez que um internauta clica em um deles, o Google recebe alguns centavos do anunciante. Multiplique isso algumas dezenas de bilhões de vezes e voilà: eis a receita para a empresa de internet mais bem-sucedida já criada, certo? Bem, a realidade é um pouco mais complicada. O sistema que decide quais anúncios serão publicados nos resultados das pesquisas é um misto do algoritmo da busca com modelos econômicos complexos. O preço é formado em leilões que acontecem a cada instante, toda vez que alguém digita um termo no campo de busca e clica em "OK" -- e é aí que entra a participação decisiva do economista-chefe. O professor de economia Varian foi uma figura determinante na sofisticação dos modelos de venda de anúncios do Google e é um dos nomes menos conhecidos -- mas mais importantes -- na meteórica trajetória da empresa. (Continua)